Filmes

Lazarus Effect: Renascida do Inferno

Um grupo de pesquisadores liderados pelos veteranos Frank (Mark Duplass) e Zoe (Olivia Wilde) trabalha em um projeto sobre um soro que pode trazer as pessoas de volta à vida, quando acidentalmente uma de suas cientistas morre eletrocutada. No desespero de reanimá-la, eles usam o soro para ressuscitá-la. O problema é que eles despertam uma força maligna junto com ela. Enquanto tentam se proteger do mal que tomou conta de sua companheira, eles tentam impedir que ela deixe o laboratório onde estão confinados, caso contrário, será uma matança desenfreada.

(The Lazarus Effect) – Terror. Estados Unidos, 2015.

De David Gelb. Com Olivia Wilde, Mark Duplass, Evan Peters, Donald Glover e Sarah Bolger. 83min. Classificação: 14 anos.

Lazarus Effect: Renascida do Inferno


LAZARUS EFFECT: RENASCIDA DO INFERNO – RESENHA

Lazarus Effect começa como um thriller médico (com classificação 14 anos, o que constitui parte dos problemas do filme, infelizmente), que mostra uma equipe de pesquisadores que acreditam ter descoberto um soro que poderia ressuscitar pacientes recentemente mortos ou em coma. Encabeçando o projeto está Frank (Dr. Frank, que não tem sobrenome, mas poderia facilmente ser Frank Stein), por sua noiva, Zoe (será que deveríamos considerar a Noiva de Frankenstein?), um grupo de pesquisadores universitários e uma cinegrafista responsável por registrar o progresso das pesquisas. Com acenos para Frankenstein, Poltergeist, O Exorcista e O Iluminado, o diretor David Gelb, apesar dos problemas que mencionei acima, consegue construir uma trama inteligente e tensa dentro das limitações que alguns filmes de terror da safra atual vêm enfrentando (por causa das constantes necessidades restritivas da classificação indicativa).

A primeira cena apresenta os pesquisadores durante sua tentativa, frustrada, de trazer um porco de volta à vida. Em uma nova tentativa, quando eles injetam o “Soro de Lázaro” em um cachorro morto, ele é revivido. Mas algo está errado. O cachorro se recusa a comer e parece sempre apático. O soro, que supostamente deveria se dissipar depois de algumas horas, continua no corpo dele. Se prepare para esse cachorro, uma das cenas MAIS BIZARRAS do filme é com ele, em cima de uma cama.

O grupo de pesquisadores está feliz por ter conseguido ressuscitar o cão; é um grande sucesso de sua pesquisa de anos. Mas antes que possam revelar sua descoberta para a comunidade científica, a universidade em que trabalham, que tem vínculos religiosos, descobre seus experimentos de ressurreição. Eles são acusados de brincar de Deus, e por isso, o projeto é cancelado.

Não obstante, a empresa que financiou as pesquisas é comprada por uma mega companhia farmacêutica. Homens armados e funcionários da companhia invadem o laboratório e confiscam tudo, alegando ter poder sobre o projeto por causa do contrato assinado por Frank. Esse é o elemento mais fraco do filme. A grande farmacêutica aparece, invade, toma tudo, cria o caos e, em questão de minutos, simplesmente desaparece do roteiro. Sua aparição serve apenas como um gancho fraco para uma virada do filme, nada mais. Depois disso, a companhia não tem mais qualquer importância para a trama. Isso, claro, pode ser intencional, a fim de guardar material para uma possível sequência, nunca se sabe.

Depois que os equipamentos da equipe são confiscados, Frank os convence a invadir o laboratório sem autorização para replicar o experimento com o soro, de modo que eles possam gravar e mostrar para o mundo que eles merecem o crédito pela descoberta. Enquanto isso, o cachorro vai ficando mais bizarro. Confesso que em alguns momentos me peguei pensando… por que diabos esse filme não é sobre o cachorro? Imagina só, um cachorro demoníaco dos infernos. E telecinético. Seria interessante. (Eu sei, tem O Limite do Terror com esse tema, mas enfim, só estou alucinando um pouco).

Quando tentam replicar o experimento, é óbvio que dá merda. Desesperado, Frank toma uma atitude impulsiva e decide usar o soro para ressuscitar um ser humano. Aí a merda fica maior ainda. O que se segue é um filme de terror que segue um padrão razoavelmente básico: pessoa ressuscita (renascida do inferno… ah, esse nome) adquire poderes, pesquisadores ficam presos no laboratório, pessoa ressuscitada se torna EVIL e começa a usar seus poderes nos cientistas incautos que não deviam brincar de ser Deus. Parece convencional, mas em vários momentos, o filme desenvolve sua proposta de forma instigante e com alguns momentos assustadores.

O único problema é o que eu falei antes sobre a classificação 14 anos, que deixa o filme mais manso e contido do que deveria ser. Os cortes da edição muitas vezes são feitos para poupar as cenas do excesso de violência. Mas pelo conceito e pela premissa, um pouco de violência era necessário. Em um filme de terror, certos cortes (leia-se: censuras) fazem a coisa toda soar meio boba. E isso afeta um pouco a credibilidade da história. Por exemplo, quando a renascida usa seus poderes para trancar um dos pesquisadores em um armário, a cena é editada de forma forçada para evitar a brutalidade explícita, que faz os poderes da personagem parecerem ridículos. E a mulher tem uma telecinese que teoricamente deveria ser fodona; ou seja, nesses casos, o visual precisa ajudar a causar o impacto que se deseja (por que esse ainda é um maldito filme de terror). Não precisava ser um Evil Dead da vida, mas precisava ser um pouco mais incisivo considerando o tema e as ideias do roteiro.

O enredo ainda pisa um pouco no terreno da religião ao discutir questões sobre vida após a morte, almas e o que seria experimentado por uma pessoa quando ela morre. E também explora as consequências dolorosas de se remoer a culpa (incubada como uma doença que não manifesta sintomas) por um ato involuntário que teve consequências fatais. No mais, elementos de terror estão por toda a parte, como os acenos para todos aqueles filmes citados ao longo do texto. Há uma menina estranha que aparece repetidamente e nunca diz nada, um longo corredor que leva a uma sala cheia de fogo, uma pessoa boa que se torna maligna. Isso sem mencionar a possibilidade deixada em aberto para uma sequência. A verdade é que Lazarus Effect é um bom filme, com uma premissa interessante e elenco inteligente, que transcorre cheio de altos e baixos, e que se faz valer mesmo pelo seu final. Porque o final, meu amigo e minha amiga, o último derradeiro momento do filme, faz TODA a ideia valer a pena. Eu diria que é de explodir o cérebro.

Lazarus Effect: Renascida do Inferno

Lazarus Effect: Renascida do Inferno

Lazarus Effect: Renascida do Inferno

Compartilhe este Post

Posts Relacionados



Inscreva-se no Canal

Resenhas Populares

Rogue One: Uma História de Star Wars

Rogue One: Uma História de Star Wars

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Raw

Raw

Capitão Fantástico

Capitão Fantástico

O Homem nas Trevas

O Homem nas Trevas

Nível Épico em Imagens

Google Plus

Facebook

SoundCloud