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Kingsman: Serviço Secreto

Baseado numa HQ criada por Mark Millar e Dave Gibbons, filme conta a história de Harry Hart (Colin Firth), um agente de uma sociedade secreta de cavalheiros que existe há séculos chamada Kingsman. A agência — que fica na Saville Row, rua londrina famosa por suas alfaiatarias seculares — é formada por agentes tão secretos que usam codinomes inspirados nos cavaleiros da Távola Redonda. Hart é Galahad, e o chefe da organização é, obviamente, Arthur (Michael Caine). Como apoio tático, eles contam com um especialista em inteligência e armas, Merlin (Mark Strong). Há 17 anos, Hart perdeu um de seus agentes enquanto participava de uma missão. Sentindo-se culpado, ele visita a família do agente morto e entrega uma medalha de honra com um número atrás, explicando a esposa que em qualquer situação que eles precisassem, poderiam entrar em contato através daquele número. Anos mais tarde, Gary “Eggsy” Unwin (Taron Egerton), filho do agente morto, vai preso e liga para o número na medalha. Hart se livra das acusações contra o rapaz e o recruta para um treinamento na Kingsman. Nesse meio tempo, Hart e todos os agentes da Kingsman precisam lidar com a ameaça terrorista de um bilionário ecologista excêntrico, Valentine (Samuel L. Jackson), que tem um plano megalomaníaco e maléfico para conquistar o mundo, como todo super vilão que se preze.

(Kingsman: The Secret Service) – Espionagem. Reino Unido, 2015.

De Matthew Vaughn. Com Colin Firth, Taron Egerton, Michael Caine, Samuel L. Jackson, Sofia Boutella, Sophie Cookson, Mark Hamill e Mark Strong. 129min. Classificação: 16 anos.

Kingsman: Serviço Secreto


KINGSMAN: SERVIÇO SECRETO – RESENHA

Quer saber qual o nível do comprometimento do diretor Matthew Vaughn com o filme Kingsman: Serviço Secreto? Ele simplesmente decidiu não dirigir X-Men: Dias de um Futuro Esquecido para se dedicar completamente ao projeto de levar às telas a história em quadrinhos criada de Millar e Gibbons.

Primeiro de tudo, é preciso levar em consideração que a HQ é bem incrível. Millar se uniu a Gibbons com a ideia de criar uma homenagem às antigas histórias do James Bond. Na verdade, essa ideia surgiu em uma conversa com Vaughn, que havia sido convidado para dirigir Cassino Royale. Os dois chegaram à conclusão que seria interessante uma história (ou filme) que mostrasse a origem de Bond, de como ele havia se tornado agente secreto. Com essa ideia na cabeça, unida a uma interessante matéria do jornal britânico The Guardian — sobre como o diretor Terence Young (O Satânico Dr. No) lapidou Sean Connery em James Bond —, Millar criou o personagem Eggsy, um menino pobre, que sempre viveu de pequenos delitos e que acaba na escola de treinamento de contraterrorismo do MI6. Ele é levado por seu tio, o agente secreto Jack London.

O tom do quadrinho é um pouco mais sério que o do filme, mas brinca da mesma forma com os clichês das histórias de agente secreto. A HQ foi lançada em seis volumes, em 2012. No mesmo ano, Vaughn começou a trabalhar ao lado de Jane Goldman (X-Men: Primeira Classe) na adaptação para o cinema. O filme muda muitos elementos do quadrinho, como o fato de Jack London ser Harry Hart, e Eggsy não ser sobrinho de Hart, como era de London na HQ.

Vaughn explicou em entrevistas que, para ele, o fato de Eggsy não ser sobrinho de Hart funcionava melhor, por isso fez as mudanças. Com isso não haveria um legado a cumprir e o comprometimento de Eggsy passaria a ser simplesmente por seu próprio interesse, apesar da relação entre Hart e o garoto se tornar uma forte amizade. Ele elevou um pouco o tom cômico da HQ, exagerando nos pontos certos. A Kingsman é incrível, uma mistura da antiga MI6 da época de ouro de James Bond com a Escola do Professor Xavier em X-Men; cercada por uma tecnologia de dar inveja ao atual 007 e gadgets espetaculares, como o guarda-chuva que serve tanto como escopeta e escudo à prova de balas.

A escolha de elenco é perfeita, e por mais que pareça clichê escolher Sir Michael Caine como o chefe de operações da Kingsman, não consigo pensar em ninguém melhor. Colin Firth brilha como o agente durão e incorruptível (mas também de coração mole) Harry Hart/Galahad; ele surpreende até seus fãs mais fervorosos com cenas de luta muito bem coreografadas. Aliás, o filme é violento, com cenas gráficas exageradas como em uma história em quadrinhos, embora o impacto seja um pouco reduzido em comparação, por exemplo, com Kick-Ass (que é bem mais violento). Numa dessas cenas, Hart tem que enfrentar uma multidão de fanáticos religiosos em fúria dentro de uma igreja, e o resultado é uma das melhores cenas desse estilo já dirigidas! Tarantino ficaria orgulhoso.

Taron Egerton parece bem à vontade ao lado de nomes tão importantes, brilha com facilidade e consegue passar de adorável para agente secreto durão com facilidade. Mas a grande estrela do filme é Samuel L. Jackson, que se destaca em todas as cenas que aparece. Sua atuação exagerada é uma excelente homenagem aos vilões insanos de todos os filmes de espionagem já feitos. O ator já declarou várias vezes que prefere os papéis com os quais pode se divertir, e não há a mínima dúvida de que em Kingsman, ele estava tendo um dos melhores momentos de sua vida. Valentine é um deleite, uma boa surpresa que soube ser mantida em segredo até mesmo durante os trailers e materiais de divulgação do filme. Ao lado de Jackson, destaca-se Sofia Boutella como Gazelle, a capanga bizarra de Valentine — todo grande vilão precisa de um capanga bizarro! — Gazelle é linda, esguia, com habilidades de bailarina e lâminas afiadíssimas no lugar das pernas. Na HQ, Gazelle é um homem, sem nenhuma característica marcante. A ideia de Vaughn em transformá-lo em uma mulher, com lâminas no lugar das pernas é genial. Boutella, que também é bailarina, acaba sendo um par perfeito para L. Jackson, em um relacionamento puramente platônico, sem nenhuma insinuação sexual entre os dois, onde Gazelle se mostra sempre tão importante quanto o vilão principal. Muitos pontos para Vaughn e Goldman nesse sentido. Sua personagem é durona, forte, sexy e muito inteligente.

Apesar de Kingsman ser um filme completamente masculino, as personagens femininas são retratadas de forma forte, além de Gazelle, há Roxy (Sophie Cookson), que também participa do treinamento na Kingsman. Ela se torna amiga de Eggsy e, apesar de alguma insinuação de interesse romântico entre os dois, Roxy sabe que precisa enfrentar todos até o fim para conseguir o que quer. Mas, no fundo, senti falta de uma “Bond Girl” para Hart, afinal seu personagem é sedutor. Talvez tenha sido uma preocupação do filme em não focar nesse aspecto do personagem, porque na HQ, London (Hart no filme) seduz várias mulheres. Não seria nem um pouco ruim ver Colin Firth nesse papel.

Uma grande sacada de Vaughn, em como usar um “personagem convidado” na HQ como personagem do filme, é a participação de Mark Hamill. No quadrinho, Hamill, o ator, é sequestrado pelo vilão e um dos agentes do MI6 tenta salvá-lo. No filme, Hamill interpreta o professor James Arnold, que é importante para os planos de Valentine (e também é sequestrado).

Todo o figurino do filme apresentado na loja da Kingsman está disponível ao público através do site da Mr Porter, uma marca especializada em ternos e roupas para cavalheiros. Inclusive as canetas, óculos, relógios e o guarda-chuva, claro que todos normais, sem gadgets embutidos (é… eu sei…)

Todos os detalhes de Kingsman, desde o figurino até seu cenário, passando por todo o cuidado em sua realização, deixam claro o carinho de Vaughn por esse projeto. Mais um grande acerto do diretor que transformou sua homenagem aos filmes antigos de espionagem em um grande presente para seus fãs, para os fãs de filmes do gênero e para os fãs dos quadrinhos. Não há nenhuma dúvida que em alguns anos esse será um cult comentado, visto e revisto por muitos. Os simpáticos Cavalheiros do Rei com muita facilidade conquistarão seu público, que sairá do cinema ávido pelo segundo filme.

Kingsman: Serviço Secreto

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