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Sniper Americano

Baseado no livro de mesmo nome, filme é uma biografia de Chris Kyle (Bradley Cooper), o atirador mais letal da história militar dos Estados Unidos. Membro das Forças de Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos, Kyle é enviado ao Iraque com uma única missão: proteger seus companheiros das forças armadas. Sua precisão no campo de batalha salva inúmeras vidas e as histórias de suas façanhas se espalham, quando ele começa a ser conhecido como “a lenda”. Sua reputação, contudo, também está crescendo por trás das linhas inimigas, colocando sua cabeça a prêmio e tornando-o alvo principal de insurgentes. E ele ainda precisa enfrentar outro tipo de batalha: se esforçar para ser bom pai e bom marido mesmo estando do outro lado do mundo.

(American Sniper) – Guerra. Estados Unidos, 2014.

De Clint Eastwood. Com Bradley Cooper, Sienna Miller, Kyle Gallner, Jake McDorman, Luke Grimes, Brian Hallisay, Sam Jaeger e Owain Yeoman. 133min. Classificação: 16 anos.

Sniper Americano


SNIPER AMERICANO – RESENHA

Em um dos momentos mais reveladores Sniper Americano, Chris Kyle, um Seal da Marinha norte-americana (US Navy SEAL) e um herói da guerra do Iraque na vida real, está posicionado e mirando em dois alvos, uma mulher e uma criança, que ele reluta em matar. Mas ele o faz, porque a mulher e a criança eram uma ameaça, carregavam uma bomba. Sem desviar seu olhar da mira da arma, o atirador reflete, em silêncio, durante alguns instantes, sobre o que ele acabara de fazer. Seus sentimentos não podem ser colocados em palavras, pelo menos não naquele momento. Ele próprio é um homem de poucas palavras, mantendo-se a uma distância segura de todos os sentimentos que possam interferir em sua missão como o atirador mais letal que a Marinha norte-americana já conheceu (oficialmente, Kyle recebeu crédito por 160 pessoas abatidas na guerra, embora considerem que o provável número real esteja em torno de 255). O filme de Clint Eastwood permite que este homem angustiado fale por si mesmo, e descubra a si mesmo, no seu próprio ritmo.

Um facilitador para que possamos compreender melhor Chris Kyle é o desempenho de Bradley Cooper. Conhecido por seus papéis mais leves e cômicos em Se Beber Não Case, Esquadrão Classe A e O Lado Bom da Vida, Cooper também já mostrou que pode ser igualmente eficiente e intenso em papéis dramáticos. Sniper Americano é um desses casos. Sua interpretação solene demonstra que os momentos reflexivos de Kyle são eloquentes, de uma impassibilidade atraente e, até certo ponto, perturbadora; seus conflitos internos são sutis, revelados pelo silêncio, não pelo sentimentalismo.

Kyle nos é apresentado de muitas maneiras, mirando e atirando, desde o homem que acredita em seu dever como um soldado até o homem temente a Deus, como marido e pai, e como um jovem apaixonado por armas que cresceu no Texas, de trejeitos rústicos, criado para ser forte e sob a crença de que deveria proteger sua família da melhor forma possível. Eastwood explora todas essas maneiras até esgotá-las. Eventualmente, o filme se torna cansativo devido a alguns excessos, mas no geral, o andamento da história e do personagem principal segue nos trilhos de forma concisa.

Sempre que a câmera mostra Cooper sem um rifle na frente de seu rosto, o ator atrai as atenções pelo modo como transparece a raiva reprimida de seu personagem e o isolamento espiritual que ele se auto-impõe. Num dado momento, sua esposa Taya, interpretada com simplicidade por Sienna Miller, pede que ele “volte a ser humano”, demonstrando o medo desesperador que aquele homem (que queria proteger sua família) inspirava justamente em sua família. Logo em seguida, ele parte em mais uma viagem para o trabalho desumano que a guerra lhe exige. Comparações com Guerra ao Terror são inevitáveis, embora o filme de Kathryn Bigelow tivesse a vantagem libertadora de ser uma obra de ficção. O herói de Bigelow era igualmente reprimido e ousado, um estranho para si mesmo, mas possuía uma expressividade que Kyle jamais poderia ter.

Sniper Americano é um filme duro. As cenas de guerra são desoladoras, cada vez que vemos Kyle acima de um prédio ou percorrendo as ruas devastadas da cidade em um comboio. E isso é ainda mais desesperador se pensarmos que esse caos ainda é uma realidade do Iraque atual. Dentro dos limites emocionais de seu assunto, Eastwood trabalha sua ideia a partir da autobiografia de um atirador de elite da vida real, muito mais próximo da realidade trágica da Guerra do Iraque. Ele constrói um filme denso, exageradamente devotado ao patriotismo e à celebração da coragem, e que sempre mantém um olhar voltado para a tragédia, para as loucuras da história e para o impacto que a guerra tem em seus guerreiros.

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  • Alicia Jaramillo

    Se nos concentrarmos na principal Sniper caráter, é excelente. Mas eu gostaria de destacar o desempenho do ator Eric Ladin, que comumente vemos nos filmes de terror, fazendo outros personagens. Ela certamente teve um grande papel a ser admirado.

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