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O Destino de Júpiter

O Destino de Júpiter conta a história de Jupiter Jones (Mila Kunis), uma garota que sonha com as estrelas, mas vive uma realidade árdua por trabalhar limpando a casa de outras pessoas. Sua vida é uma sucessão de acontecimentos ruins. Quando Caine (Channing Tatum), um caçador de recompensas geneticamente modificado, chega à Terra para localizá-la, Jupiter começa a descobrir sobre seu destino. Ela é descendente de uma antiga rainha e precisa assumir seu papel como salvadora do planeta, mas sua herança pode alterar para sempre o equilíbrio de poder no cosmos.

(Jupiter Ascending) – Ficção Científica. Estados Unidos, 2015.

De Lana Wachowski e Andy Wachowski. Com Mila Kunis, Channing Tatum, Eddie Redmayne, Sean Bean, Douglas Booth, Tuppence Middleton e Doona Bae. 127min. Classificação: 12 anos.

O Destino de Júpiter


O DESTINO DE JÚPITER – RESENHA

Como criadores de Matrix, Lana e Andy Wachowski ainda conseguem despertar interesse e hype ao redor de seus filmes. Apesar disso, muitas de suas produções nos últimos anos não alcançaram o mesmo sucesso da saga de Neo. Seu filme mais recente, Cloud Atlas, conseguiu mostrar bons lampejos dos Irmãos Wachowski da época de Matrix, especialmente com a história que se passa em 2144, com mais aspecto de ficção científica cyberpunk. Essa história de Cloud Atlas — a quinta de seis histórias — é a melhor do filme e a mais bem construída em termos narrativos e estéticos, e é por isso (dentre outras coisas) que ainda somos capazes de confiar no potencial dos Irmãos Wachowski para a ficção científica.

O Destino de Júpiter tem todo esse potencial. E uma coisa é certa: os Irmãos Wachowski não fazem as coisas pela metade. Em um momento que romances Jovens Adultos distópicos — Jogos Vorazes, Divergente — conquistaram grande espaço no cinema, os Wachowski criam para seu filme uma atmosfera de romance Jovem Adulto, de forma muito mais alucinante e desapegada de convenções (ainda que possua referências a várias obras de ficção científica, uma marca comum aos diretores). Rápido, com ritmo que oscila entre o frenesi e a calmaria, de um aspecto exagerado e extravagante, o filme é uma peça impressionante de entretenimento.

O começo é complicado, arrastado, com cenas de ação que nos remetem aos velhos Wachowski, que não são mais tão condizentes com os novos tempos do cinema. Numa determinada cena, quando eles usam a câmera lenta, juro que pensei que o filme estava perdido, e que o restante seria apenas um monte de sequências de ação épicas em uma trama sem graça. A própria Júpiter não parecia uma personagem interessante. Mas a trama avança, se ramifica e se desenvolve, e a partir do momento em que Júpiter e Caine se veem rodeados por abelhas, as coisas melhoram consideravelmente. Quando eles partem para o espaço, o filme ganha outro tom, e torna-se muito maior. Nessa hora somos obrigados a concordar com Stinger: — “as abelhas não mentem.”

Com sua mistura de ficção científica distópica, drama de época, romance de capa e espada, e praticamente tudo mais que você possa imaginar, os Wachowski dão um passo atrás, depois um passo a frente e rumam às estrelas com esta space opera alucinante. O Destino de Júpiter navega pelos elementos messiânicos de Matrix, pela intensidade visual de Speed Racer e pelas performances apaixonadas de Cloud Atlas, pegando doses providenciais de inspiração em clássicos da ficção científica — Duna, Fundação, Uma Princesa de Marte, Flash Gordon, Barbarella, Brazil, Eles Vivem, Star Wars —, e misturando tudo em uma trama rocambolesca de tirar o fôlego. Poderia ter dado errado, e muitos certamente esperam que isso aconteça. Mas quando o filme termina, a sensação é que tudo funcionou muito bem nessa fantasia intergaláctica como há tempos não se fazia. Eu praticamente me senti de volta aos anos 80.

Os Irmãos Wachowski conseguem coordenar sabiamente toda essa mistura, construindo um universo interessante, repleto de répteis humanoides voadores, humanos modificados com genes animais, robôs de máscaras humanas, pessoas que vivem milênios sem envelhecer, tropas militares espaciais, religiões baseadas em genética, dentre muitas outras coisas. Em certos momentos, esses elementos tão díspares criam uma bagunça enlouquecida. Em outros, e na maior parte do tempo, eles ajudam a compor um cenário único e dotado de charme próprio. Quando a trama começa a ser movida pelas intrigas entre os irmãos Abrasax, Balem (Eddie Redmayne), Titus (Douglas Booth) e Kalique (Tuppence Middleton), o filme ganha um teor mais denso, tocando levemente em questões políticas e ambientais, que colocam os humanos da Terra na posição de meros recursos a serem consumidos sem maiores preocupações ou questionamentos morais.

E como é comum em ficção científica, a história não se priva de falar um pouco sobre o tempo. O filme trabalha com uma ideia interessante de que a quantidade de combinações genéticas é absurdamente grande, e que poderia ter códigos repetidos a ponto de gerar uma espécie de reencarnação, apenas visual, dando origem a indivíduos idênticos separados pelo tempo. Essa “reencarnação genética” é tratada quase como uma religião dentro do cenário, e compõe uma das premissas do enredo. Sabendo que essa é uma obra de gênero dos Wachowski, não é difícil prever algumas reviravoltas que envolvem Júpiter e sua importância dentro da grande corporação da família Abrasax, que é proprietária de inúmeros planetas da galáxia, incluindo a Terra.

Aprendemos também que Caine já fez parte de uma força militar — de uma unidade chamada Skyjackers —, criado através da mistura de DNA humano com o DNA de um lobo. Durante sua missão, ele recebe a ajuda de Stinger (Sean Bean), que possui DNA de abelha. Os Wachowski poderiam ter tentado vender essa ideia de muitas maneiras, visualmente falando, mas são cuidadosos o bastante para não levar as coisas longe demais ou para não tornar seu universo bobo demais. No fim, eles conseguiram criar algo com um quê de pulp, e que parece feliz em ignorar o “lugar comum” de algumas space operas do cinema.

Os vilões são um espetáculo a se lembrar. Eddie Redmayne, atualmente badalado por seu papel em Teoria de Tudo, é incrível de uma forma totalmente diferente como Balem Abrasax. Como o intrigante irmão mais velho da família, ele está tentando reivindicar a Terra para si mesmo, em uma performance vilanesca de poucas palavras (numa voz rouca medonha) e muitos gestos e rompantes. Suas maquinações políticas, envolvendo os irmãos Titus e Kalique, são estimulantes, por criar várias subtramas que se entrelaçam ao longo da história. Mila Kunis, pouco a pouco, torna-se mais proativa à medida que Júpiter é enredada por todas essas maquinações. Ela cresce, apaixonante e vibrante, sem cair na armadilha de ser um simples donzela em perigo. Júpiter é forte, toma suas próprias decisões e sempre se responsabiliza por elas. Caine está lá para ajudá-la, não para fazer por ela. Ele complementa as deficiências dela. E essa dinâmica entre os dois é agradável e divertida.

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