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Invencível

Invencível conta a história do atleta olímpico e herói de guerra Louis “Louie” Zamperini (Jack O’Connell), um ítalo-americano de família pobre que competiu como corredor de meia distância nos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936 e passou mais de dois anos em um campo japonês de prisioneiros de guerra durante a Segunda Guerra Mundial. Zamperini sobreviveu em um bote à deriva no mar por 47 dias após um acidente de avião durante a guerra, apenas para ser capturado pela marinha japonesa e enviado a um campo de prisioneiros de guerra.

(Unbroken) – Drama. Estados Unidos, 2014.

De Angelina Jolie. Com Jack O’Connell, Domhnall Gleeson, Garrett Hedlund, Jai Courtney, Alex Russell e Miyavi. 137min. Classificação: 12 anos.

Invencível


INVENCÍVEL – RESENHA

Como segunda empreitada de Angelina Jolie na direção, Invencível conta com a colaboração de pesos pesados em sua produção. Os Irmãos Coen, Richard La Gravenese e William Nicholson, que contribuíram com o bom roteiro — inspirado no livro Unbroken: A World War II Story of Survival, Resilience and Redemption, de Laura Hillenbrand —, a excelente direção de fotografia de Roger Deakins (007: Operação Skyfall) e a trilha sonora contundente de Alexandre Desplat (Grande Hotel Budapeste, Godzilla).

Devido a essa contribuição, Jolie constrói um filme emocionante sobre a dor da guerra, mas que sofre com a instabilidade de seus próprios interesses audiovisuais. Jolie não tem medo de mostrar a violência e a brutalidade na tela, e se mostra fascinada por questões como machismo e os extremos de comportamento a que um homem pode chegar em tempos de guerra.

Um grande chamariz do filme é o excelente desempenho do jovem ator britânico Jack O’Connell. Depois de seus papéis como o soldado britânico perdido nas ruas de Belfast em ‘71 e como o jovem e agressivo prisioneiro agressivo no incrível Starred Up, ele novamente assume um papel desafiador, em que um protagonista precisa superar os maiores sofrimentos para sobreviver às situações mais adversas.

Seu personagem, Louis Zamperini, é mostrado em flashbacks como um jovem delinquente, que vive sendo insultado por crianças locais. Ele passa boa parte de seu tempo brigando, se enfiando em problemas e espiando meninas. Quando começa a correr profissionalmente, ganha um senso de propósito e auto-respeito. Por um momento, o filme parece focar no tipo de história de vitória e superação que o esporte pode proporcionar; então, vem a guerra e as coisas mudam.

Depois que seu avião é atingido, Zamperini e seus companheiros da Força Aérea ficam à deriva no mar durante mais de um mês. Aqui é quando o filme começa a perder a força. A calmaria cria um senso dramático para a luta dos personagens, ao mesmo tempo em que exagera na exposição dos acontecimentos. Muitas cenas do período em que Zamperini permanece à deriva poderiam ter sido retiradas na edição. Perde-se muito tempo em um momento que não é o mais relevante para a história do personagem; o mais relevante é o que vem depois, quando Zamperini é “resgatado” pela Marinha japonesa e levado para um campo de prisioneiros, onde precisa lidar com o Cabo Watanabe, o sádico comandante do campo, interpretado pelo cantor de rock japonês Miyavi (que é muito ruim atuando).

Grande parte do resto da história é sobre o longo sofrimento de Zamperini, sendo humilhado e espancado por seus captores, mas nunca desistindo e permanecendo invencível. O aspecto decepcionante do filme é que Jolie não consegue nos oferecer uma perspectiva maior do que essa. Por causa disso, alguns elementos, como a crueldade excessiva de Watanabe (por exemplo), acabam soando superficiais, mesmo quando revela uma faceta comum à sociedade (em tempos de guerra ou não) — homens com baixos níveis de autoconfiança ou autoestima podem se tornar as piores pessoas quando possuem algum tipo de poder. — A conotação homoerótica (e quase obsessiva) que existe na relação entre Watanabe e Zamperini também acaba se perdendo e seus contornos ambíguos nunca são plenamente explorados.

A principal preocupação de Jolie está em apresentar Zamperini como um mártir, incluindo até mesmo um simbolismo que poderíamos relacionar à crucificação, quando Zamperini permanece de pé segurando um pedaço de madeira sobre os ombros e acima da cabeça. Isso depois que Watanabe obriga a maioria dos prisioneiros do campo a socá-lo no rosto. Zamperini recebe os espancamentos com uma resiliência fatalista e nunca se perde na amargura da autopiedade. O forte desempenho de O’Connell faz com que o filme torne-se cada vez centrado nele — essa é a história sobre o sofrimento de um único homem, apenas isso. — Ainda que possua uma intensidade opressiva graças à direção de Jolie, Invencível peca pela falta de nuances que nos permitam acompanhar essa história de perseverança por mais de um ponto de vista.

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