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Operação Big Hero 6

Animação de comédia e aventura que conta a história de Hiro Hamada, um gênio da robótica que se envolve numa conspiração para destruir a cidade futurista San Fransokyo e precisa se juntar a um grupo de combatentes do crime principiantes para salvar a cidade. Nessa jornada, Hiro tem como maior companheiro o robô chamado Baymax, e um grupo de amigos que ele transforma em heróis através de alta tecnologia: a viciada em adrenalina Go Go Tamago, o indeciso Wasabi No-Ginger, a química Honey Lemon e o fanboy Fred. Quando seu brilhante irmão, Tadashi, sofre um acidente durante uma convenção de ciências, Hiro se depara com um terrível vilão mascarado e começa a persegui-lo na tentativa de descobrir o que realmente aconteceu com seu irmão.

(Big Hero 6) – Aventura. Estados Unidos, 2014.

De Don Hall e Chris Williams. Com Ryan Potter, Scott Adsit, Jamie Chung, T.J. Miller, Genesis Rodriguez e James Cromwell. 102min. Classificação: Livre.

Operação Big Hero 6


OPERAÇÃO BIG HERO 6 – RESENHA

Operação Big Hero 6 é o primeiro filme de animação da Disney baseado em super-heróis de quadrinhos da Marvel Comics. A HQ é originalmente uma série criada em 1998 por Steven T. Seagle e Duncan Rouleau; se quiser conhecer um pouco mais sobre a história dos quadrinhos originais, clique aqui para ler a matéria. A animação é bem diferente da versão dos quadrinhos. Parte da premissa original e alguns personagens são aproveitados no enredo. O clima é mais ameno, com boas doses de humor e bastante aventura, bem o que esperaríamos de uma animação da Disney. Um detalhe que torna o filme mais divertido é que ele tem uma pegada mais de anime, que é bastante adequada ao cenário com características japonesas.

A HQ original se passava em Tóquio, e a alternativa de usar uma cidade fictícia que é uma mistura entre San Francisco e Tóquio é interessante, pois mantém o conceito da HQ original apesar de transportar a história para um mundo mais próximo da realidade norte-americana. Com uma decoração bem oriental e muitos personagens orientais, o cenário funciona como uma espécie de “Chinatown” — ou “Japantown” —, mas apresentada como uma grande metrópole. Um dos prazeres do filme é desbravar as ruas da cidade, com seus trens elevados, seu design de pagode (aquelas torres orientais com múltiplas beiradas) para a Ponte Golden Gate ou seus balões suspensos por cabos que parecem ser aerogeradores (presumindo que a cidade é abastecida com energia produzida através do vento). E isso tudo antes de começar a ação de verdade, quando as coisas ficam realmente espetaculares.

Outra coisa divertida e que funciona muito bem é que, com seu estilo infanto-juvenil, o filme mostra essencialmente um grupo de nerds que ganham super-poderes através de ciência e tecnologia e se tornam um super-grupo para lutar contra um super-vilão. Nada muito complexo. Nada muito elaborado. Premissa simples, para uma animação simples. E ao vê-los em ação, nos sentimos como eles, um bando de nerds assistindo a mais um filme divertido e alucinado de super-heróis. Mais do que isso, quando acaba, ainda nos pegamos pensando em como seria se tivéssemos super-poderes. Quem nunca pensou nisso pelo menos uma vez na vida? Eu penso toda hora. E qual poder eu gostaria de ter? Teleporte.

Por falar em super-poderes, as habilidades dos personagens são bem peculiares. Hiro é o grande gênio por trás do grupo, sendo ele que cria os dispositivos que concedem as habilidades para seus amigos. Baymax é uma criação de seu irmão, Tadashi, um robô-enfermeiro que é aprimorado por Hiro para ser também um mestre de combate; isso também torna Baymax em uma espécie de extensão de Hiro (como se o robô fosse um mecha pilotado por fora, sem um cockpit). Essa ligação entre eles dois, humano e robô, é uma das forças principais do filme, por tocar em temas como solidão e amizade, justiça e vingança. Os conflitos que surgem disso criam situações ora divertidas ora emocionantes, eventualmente fazendo referências à própria Marvel de onde esses heróis vieram. Em alguns momentos Baymax inclusive nos lembra o Hulk, por ser alguém essencialmente bom que, ao perder o controle de seus atos, pode se tornar uma máquina de destruição capaz de atacar seus próprios amigos.

Baymax é um personagem criado para ser adorável — que pouco tem a ver com a versão original da HQ —, e de fato é um dos grandes responsáveis por Big Hero 6 ser um filme tão cativante. Ele é branco, inflado como um balão, gorducho, com uma voz suave e sempre disposto a ajudar as pessoas. (Desafio você a não querer um Baymax todo para você!) A amizade entre o garoto e seu robô pode ser um tema convencional, e ainda assim possui sua própria magia no filme. Os demais heróis surgem como coadjuvantes divertidos, que complementam o charme da história. Honey Lemon é engraçada com seu jeito meio tresloucada meio desengonçada e sua habilidade de moldar um material que mais parece chiclete. Wasabi, com seu poder de criar lâminas de energia, é meio que o samurai do grupo — criado provavelmente como uma espécie de referência ao Samurai de Prata, que é líder do grupo nos quadrinhos —, ainda que seja um cara indeciso e excessivamente preocupado com segurança (isso também é engraçado). Minha preferida é Go Go Tomago, com sua habilidade de super-velocidade e disparar discos (estilo Tron) e que é uma personagem forte e cheia de atitude; por isso mesmo, não tem medo de encarar o inimigo e tem algumas das cenas de ação mais empolgantes do filme.

Fred é o fanboy do grupo, que vive sempre no mundo da lua e tem o sonho de ser um monstro que cospe fogo; esse é o poder que Hiro oferece a ele o construir um roupa mecânica de monstro estilo Godzilla (em versão pequena). Entrar no quarto de Fred e ver toda a sua coleção de action figures e nerd stuffs é sensacional, e a casa dele tem algumas referências à outros produtos da Disney — como Lilo & Stitch e Mogli. — No quarto dele também podemos ver várias figuras de robôs gigantes japoneses e máscaras de super sentais na parede, divertidos acenos para alguns dos conceitos que inspiram Big Hero 6. Quando a equipe se forma e parte para a ação, fica claro seu aspecto de super sentai (como Changeman e Flashman, com um sexto membro que é um robô, que apesar de não ser gigante, é grande, poderoso e “pilotado” por pelo menos um deles). Até as cores dos trajes deles lembram as cores dos sentais (com variações). E se pararmos para pensar um pouco, o que normalmente são os sentais? Heróis que ganham poderes graças a trajes especiais criados com ciência e tecnologia para defender o mundo de vilões bizarros.

Como uma animação cheia de elementos japoneses, Big Hero 6 constrói seu “projeto de ciências” muito bem. Como filme da Marvel, acrescenta um grupo de heróis adoráveis ao seu rol de super-heróis icônicos. E saiba que isso é tão verdade que até o ilustríssimo Stan Lee está lá em sua clássica participação impagável digna de ~Stan Lee.

Operação Big Hero 6 é um filme engraçado, com um estilo de humor leve e ingênuo, com alguns sacadas realmente hilárias — a sequência que mostra Baymax sem bateria é sensacional! — Mesmo quando o filme define seus personagens como heróis, ele nunca perde seu potencial para a comédia. Os visuais também são esplêndidos. Mesmo closes de rosto e cabelo são construídos para nos deixar maravilhados — a sequência em que Baymax e Hiro voam pela cidade é emocionante. — Hiro, Baymax e seus aliados são como os Vingadores versão super sentai, que surgem como um símbolo de humanidade e sensibilidade em um mundo futurista de dispositivos legais e arranha-céus brilhantes.

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