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Drácula: A História Nunca Contada

História reconta a saga de Vlad Tepes (Luke Evans), que assume como príncipe da Transilvânia após se tornar conhecido como o temido Vlad o Empalador quando era um soldado a serviço do exército turco. Conhecido por ser uma verdadeira máquina de matar, Vlad tenta encontrar dias de paz ao lado de sua família, sua esposa Mirena (Sarah Gadon) e seu filho Ingeras (Art Parkinson). Quando seu ex-companheiro de batalhas, Mehmed (Dominic Cooper), agora sultão, exige mil crianças para se tornarem soldados em uma campanha militar, incluindo Ingeras, Vlad se rebela contra o tirano, colocando seu povo sob o perigo de uma guerra. Em busca de uma forma de proteger seu reino, o príncipe faz um pacto com a criatura (Charles Dance) que vive nas cavernas de uma montanha próxima ao castelo e, em troca, recebe poderes para enfrentar o exército inimigo.

(Dracula Untold) – Fantasia. Estados Unidos, 2014.

De Gary Shore. Com Luke Evans, Dominic Cooper, Sarah Gadon, Charles Dance e Charlie Cox. 92min. Classificação: 12 anos.

Drácula: A História Nunca Contada


DRÁCULA: A HISTÓRIA NUNCA CONTADA – RESENHA

Drácula não é um filme bom, mas é um filme apreciável, por tudo que deseja ser e construir. Essa é provavelmente a melhor maneira de começar a explicar por que eu gostei desse filme e por que o valor dele está mais naquilo que ele representa do que no filme em si. Quando assistimos a essa releitura do vampiro tendo consciência do tipo de história que ele quer contar, fica mais fácil entendê-lo. A começar pelo fato de que esse não é um filme de terror; é uma história mais ou menos no estilo de A Múmia — com Brendan Fraser —, só que com menos humor e mais clima dark fantasy — A Múmia continua sendo um filme muito melhor, só para constar. — Inicialmente concebido para ser um filme que se encerra em si mesmo, durante as refilmagens, foi adaptado para se tornar o PRIMEIRO FILME DE MONSTRO do Universo Compartilhado de Monstros da Universal Studios. E isso faz bastante sentido, já que Drácula é provavelmente o monstro de maior apelo dentre todos os outros monstros.

Sendo assim, o que deveria ser uma revisão da história do temível Vlad o Empalador tornou-se uma história de origem de um monstro-herói — melhor definição para essa visão super-heroica do monstro — que tem como principal objetivo abrir caminho para um universo similar ao que a Marvel construiu com Os Vingadores, ou o que Alan Moore construiu com A Liga Extraordinária nos quadrinhos. Esse é o Vlad Tepes do filme, esse é o Drácula que eles quiseram nos apresentar. E tendo isso em mente, é mais fácil encontrar os pontos positivos do filme. Gostar de Drácula: Uma História Nunca Contada é um guilty pleasure, assim como gostar de Anjos da Noite — que é ruim, mas é foda e eu adoro de paixão! — Nesse sentido, o filme é bastante sincero, pois seu único interesse parece ser mesmo contar uma história de origem que mais tarde vai se ligar com as histórias de origens de outros monstros, para construir a história de origem de UM GRUPO de monstros.

Os maiores problemas do filme são os furos narrativos bizarros e a falta de mais sangue e mais brutalidade e mais luxúria, algo que é inevitavelmente associável a uma história do Drácula. Em alguns momentos (provavelmente por causa da curta duração de 92 minutos) acontecem coisas tão inacreditáveis que soa bizarro, como, por exemplo, a velocidade com que anoitece e amanhece no filme — e não estou falando de quando ele usa os poderes para cobrir o sol com nuvens. — Outro momento trash é a luta final entre Drácula e Mehmed — eu tive que rir! —, e quando você vir, você vai entender o que quero dizer.

Com relação a questão da brutalidade e do sangue, é uma pena ver tamanha escassez de sangue em um FILME DE VAMPIRO. Certas coisas precisam ser levadas em conta quando alguém se propõe a fazer determinados tipos de histórias. Se estão fazendo um filme de vampiro, mesmo com classificação 12 anos, precisa ter sangue! Tudo bem que a forma como o sangue e a brutalidade são mostradas precisa ser adaptado para 12 anos, e isso até faz sentido, mas o filme não faz boas adaptações. Apenas esconder o sangue não é uma solução — X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, por exemplo, tem classificação 12 anos e lida muito bem com a violência de sua história. — Isso é um grande problema porque acaba com a credibilidade do cenário. Numa determinada cena, por exemplo, um personagem (que não tem poderes sobrenaturais) despenca de um penhasco de TROCENTOS METROS DE ALTURA em uma queda sem margem para sobrevivência, mas ~misteriosamente não quebra sequer um braço ou uma costela ou cospe uma gota de sangue, e ainda consegue conversar durante algum tempo antes de morrer! Noutro caso, um inimigo é atacado pelo vampiro violentamente e tem seu sangue sugado, mas tudo o que aparece no pescoço dele são dois furinhos de dentes, nenhum sangue, nenhuma mancha sequer, isso é meio tosco.

A classificação para 12 anos infelizmente, como eu disse, afeta a credibilidade do cenário e suaviza demais uma atmosfera que deveria ser mais mórbida e sombria — muito fantasy, pouco dark. — Em parte isso se deve ao fato do filme apresentar Vlad como um marido dedicado e um pai amoroso, um homem disposto a fazer sacrifícios heroicos para proteger o povo de seu reino. Por um lado, essa visão contribui para torná-lo mais próximo de um super-herói — especialmente quando ele começa a aprender a usar seus poderes (paralelos com o Superman são inevitáveis). — Por outro, enfraquece a tentativa de estabelecê-lo como um monstro a ser temido. O curioso é que, apesar disso, Drácula ainda é o responsável pelos acontecimentos mais catastróficos do filme. Ainda que sejamos estimulados a abraçá-lo como um herói trágico de mitologia grega, Vlad continuamente toma decisões que colocam seu povo em risco, tanto que ele (indiretamente) consegue matar mais pessoas da sua gente do que os ataques de Mehmed. Aliás o principal antagonista do filme tem pouco incentivo para se opor a Vlad, ainda mais depois que ele se torna vampiro, e termina resumido a um mero personagem com impulsos maquiavélicos vagos (isso resulta na luta final trash que falei).

O que o filme tem de bom então? Pode não parecer, mais ele tem coisas muito boas — e eu escolhi abstrair os problemas para apreciá-las melhor. — Luke Evans tem um desempenho forte e atormentado como seu papel exige — com boa mistura de drama e seriedade, porte físico e ação, intensidade e morbidez —, e apesar de seu pouco tempo de tela, Charles “Tywin Lannister” Dance destila com vigor cada momento de seu vampiro impotente e horripilante, preso a uma caverna na montanha, ansiando por uma vingança milenar contra seu antigo mestre, a criatura que o aprisionou naquele lugar. Sarah Gadon, como uma estrela em ascensão atualmente, sustenta com graciosidade seu papel de apoio para o lado humano que Drácula tanto luta para manter, e consegue fundamentar o terreno que leva Vlad da maldição à redenção e à maldição de novo.

Gary Shore, que estreia como diretor com Drácula, possui um estilo de direção com sua própria assinatura, e o filme tem momentos que revelam um diretor com potencial para criar algumas coisas interessantes no cinema — especialmente em termos de ação super-heroica —, basta um pouco mais de prática nos retoques. Em termos visuais, enquanto Shore opta por uma criação rápida e abreviada para o filme — que honra a vasta iconografia do personagem Drácula ao mesmo tempo em que consegue erradicar muito dessa iconografia dentro de uma nova estética —, ele consegue criar um bom ritmo para o andamento da história, focando mais no movimento das coisas e na ação. A edição com cortes bruscos é um reflexo disso. Em contrapartida, não há muitos momentos de calmaria, e isso é uma coisa boa, pois mascara muito os problemas narrativos. As cenas de ação são intensas e, mesmo com a contenção exagerada de sangue, os vampiros são mostrados como criaturas temíveis e ferozes, sempre com um brilho vermelho selvagem nos olhos. Shore cria estilos distintos de sequências de ação, e no geral, funciona muito bem. Soma-se a isso os momentos super-heroicos — Drácula convocando uma revoada de milhares de morcegos e transformando-os em um gigantesco exército que desce como um punho esmagando os inimigos É MUITO FODA! — é praticamente como o que Imhotep faz com a areia em A Múmia, só que com morcegos… É MUITO FODA!

Drácula: A História Nunca Contada é um filme ruim, meio trash, que é bom. Não é algo excepcional, mas cumpre seus propósitos mais básicos e ainda trabalha o mito de Vlad Tepes sob um ponto de vista diferente e interessante. Embora não seja tão envolvente como uma história independente, ele funciona muito bem como ponto de abertura para o Universo Compartilhado de Monstros que a Universal está planejando. Com nomes como Evans e Dance no páreo e uma vasta quantidade de ideias deixadas em aberto para futuras histórias, Drácula consegue garantir um novo sopro de vida nos créditos finais, revelando que não devemos sentir medo do que está por vir, e sim esperança… de que muito em breve veremos Drácula em conjunto com a Múmia ou o Lobisomem, em uma espécie de ~Liga Extraordinária de monstros. O mestre vampiro de Charles Dance é a chave… e seu diálogo final nesse filme abre as portas para inúmeras possibilidades.

SPOILERS: ATENÇÃO! A partir desse ponto, o texto contém TODOS OS SPOILERS DO MUNDO sobre o enredo do filme. Se você não quiser saber detalhes cruciais sobre Drácula: A História Nunca Contada, pare agora e volte somente depois de ver o filme. Agora se você não se importa de ler spoilers ou sua curiosidade é maior do que seu bom-senso, continue por sua conta e risco.

Anteriormente a Universal revelou que estava trabalhando para que seu reboot de A Múmia se tornasse o início desse Universo Cinemático de Monstros parecido com o que a Marvel está fazendo com seus heróis. A Múmia seria o primeiro filme da Universal desse universo, e depois viriam os demais monstros, em seus próprios filmes e, por fim, em um filme em conjunto — você pode ler mais sobre isso nessa matéria. — Agora as coisas mudaram… O diretor Gary Shore confirmou em uma entrevista que Drácula: A História Nunca Contada assumiu a responsabilidade de ser o início desse universo, e dele partirão as ideias para os demais — sendo que o próximo tem grandes chances de ser A Múmia.

De acordo com Shore, seu único foco era completar o filme de uma forma que pudesse contar a história do começo ao fim. Quando eles voltaram para fazer refilmagens, no entanto, os executivos do estúdio decidiram encontrar uma maneira de amarrá-lo em possíveis futuros filmes.

A cena da refilmagem que Gary Shore está falando é a que acontece no final do filme, e se passa séculos após os acontecimentos do filme — no mundo moderno —, quando a versão agora amaldiçoada de Vlad o Empalador (Luke Evans) aborda uma mulher que se assemelha a sua amada esposa (também interpretada por Sarah Gadon). Eles conversam e caminham em meio à multidão da cidade, enquanto são observados de longe pelo personagem de Charles Dance — o mestre vampiro. — Este é o homem que concedeu a Vlad os poderes de Drácula. Este é o homem que parece estar tramando para colocar um grupo de monstros juntos, com o objetivo de se vingar de um adversário antigo (isso é contado no filme também). Suas últimas palavras são — “Que comecem os jogos.” — A ideia por trás dessa cena sugere que o personagem de Charles Dance é uma espécie de mentor da série de terror, o homem que uma vez deteve o poder de Drácula, mas precisa reunir um grupo de monstros superpoderosos para ir atrás de um inimigo maior. Um inimigo que deve ser ABSURDAMENTE poderoso se considerarmos o nível de poder que esses monstros juntos teriam — estamos falando de um grupo com Drácula, Lobisomem, Frankenstein, Múmia, talvez o Homem Invisível e sabe-se lá o que mais. — A princípio, a cena pode parecer aleatória, mas com essas novas informações de Gary Shore parece que em breve veremos mesmo uma ~Liga Extraordinária de monstros no cinema. Eu só consigo pensar que ISSO É FODA DEMAIS!

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  • http://porquelivronuncaenguica.blogspot.com.br/ Ronaldo Gonçalves

    Eu jurava que esse Charles fosse o ator que fez Jogos Mortais e sua frase era referência a esse filme.

  • Igor

    Respeito a opiniao do autor do texto acima justamente pelo filme ser diferente da estoria convencional de Dracula e ter menos sangue e violencia…e q se trata de um bom filme.

    Nao esquecendo, este e o unico filme sobre o conde Dracula q mostra o motivo pelo qual ele se torna um monstro e diga-se de passagem; um nobre motivo, bem diferente dos filmes tradicionais nos quais ele tem uma sede insaciavel por sangue sem qqer explicacao p tal.

    Furos, erros, todo filme possui. Jamais desqualifico um bom filme por tais razoes. Resumindo, na minha modesta opiniao e um bom filme no qual, semelhantemente a Malevola, o
    ” vilao” mostra as circunstancias q o levaram a ser temido.

    Grato
    Igor-Curitiba/PR

  • Alicia Jaramillo

    Muitos são fãs de Drácula, um personagem clássico da literatura e pelicuas suspense e terror. Apesar dos anos, Drácula ainda permanece presente em alguns filmes ou séries, por exemplo, Penny Dreadfull Temporada 2 , é uma série que é utilizado para o desenvolvimento da trama. Convido você a desfrutar da sua nova temporada, você vai adorar.

  • Débora Cardoso

    Eu assisti esse filme ontem e achei maravilhoso, ficou uma sensação de quero mais. Uma pena que ele é curto apenas 90 minutos poderia ter muito mais, mas sim a a frase final “que comecem os jogos” da uma sugestão de que teremos mais filmes por ai, quem sabe um Lobisomen ou Frankenstein como o autor do texto disse.
    Esse ator que interpreta o Vlad é um gato!!!

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