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Sétimo

Em uma brincadeira com seus dois filhos, Sebastián (Ricardo Darín) propõe uma aposta: ser o primeiro a chegar à rua saindo do sétimo andar do prédio em que vivem. Sebastián usa o elevador, e as crianças, Luna e Luca, descem as escadas. Como sempre, o pai chega primeiro, mas dessa vez as crianças não chegam ao térreo. Elas desapareceram dentro do prédio sem deixar vestígios. A partir daí, Sebastián e sua ex-mulher dão início a uma busca frenética para descobrir o que aconteceu com os dois.

(Séptimo) – Suspense. Espanha, 2013.

De Patxi Amezcua. Com Ricardo Darín, Belén Rueda, Osvaldo Santoro e Luis Ziembrowski. 88min. Classificação: 12 anos.

FESTIVAL DO RIO 2014 – Exibição na Mostra Première Latina

Sétimo


SÉTIMO – RESENHA

Sebastián — ou Sebas, como também é conhecido — é um advogado em meio a um grande caso de corrupção contra homens poderosos que gostariam de tirá-lo do caminho, uma vez que é o dia do julgamento que pode definir os rumos do caso. Ele ainda tem problemas com a esposa, de quem está se divorciando, e todos os vizinhos do prédio onde sua ex-mulher mora com seus filhos parecem ter algum conflito com ele e com sua família. Neste cenário se desenrola o suspense da história. Quando as crianças desaparecem, todos viram suspeitos.

Desde o início, Sebas é mostrado como um homem dedicado ao trabalho, que ordena sua vida por telefone, enquanto dirige seu carro até a casa de sua família para buscar os filhos e levá-los para a escola. Ele flerta com sua secretária enquanto dirige. Logo descobrimos que ele é um homem comum, que adora os filhos e é um bom pai, mas que não tem muitos escrúpulos em seu trabalho e não os teve durante seu casamento. Ele lida com bandidos, e traiu a esposa com a melhor amiga dela. Em meio a isso, ele precisa lidar com os problemas de sua irmã, Gabriela, que tem medo das atitudes agressivas de seu ex-marido, Alberto. Enquanto pega seus filhos, ele recebe mensagens de ameaça em seu celular de Alberto, que culpa Sebas por seu divórcio — misteriosamente, quando as crianças desaparecem, Sebastián em momento algum pensa que pode ter sido Alberto. — Na verdade, quando as crianças desaparecem, nas escadarias do prédio, ele começa uma perseguição por culpados entre seus vizinhos.

O quebra-cabeça é apresentado com um estilo parecido com as histórias de Sherlock Holmes ou Agatha Christie, lançando elementos que nos instiguem a descobrir o mistério através da dedução dos fatos e mantendo o foco dentro de um espaço restrito (o prédio) na maior parte do tempo. Aos poucos o enredo nos apresenta possíveis culpados e nos leva a novas possibilidades, criando circunstâncias que justifiquem o desespero de um pai na busca por seu filho. A intenção do filme parece ser nos despertar empatia pelo personagem principal, de modo que ignoremos as inconsistências do roteiro. E acredite, são muitas inconsistências.

Noções de espaço dentro do prédio são tratadas de forma vaga, de modo que não tenhamos uma ideia clara de quantos apartamentos existem ou quantas pessoas vivem no lugar. O toque de mistério em uma “ambiente fechado” é construído de forma superficial, uma vez que os espaços não são explicitamente delimitados, e há uma ambiguidade que permite ao roteiro acrescentar novos vizinhos e espaços inexplorados quando lhe convém. Isso significa que coisas surgem do nada e acontecem do nada, de acordo com as necessidades de preencher lacunas do roteiro — que nem sempre são realmente preenchidas. — Isso talvez seja reflexo do fato de o filme ser bastante rápido, com apenas 88 minutos de duração. Apesar de tudo, no fim das contas, essas questões podem importar ou não, dependendo de nossa própria disposição de aceitar a realidade do filme.

Por outro lado, tomadas aéreas de Buenos Aires revelam uma cidade super urbanizada, em que a arquitetura se contrapõe a desumanização das pessoas — e isso faz bastante sentido quando descobrirmos a verdade por trás do desaparecimento das crianças. — O edifício de arquitetura velha e antiquada onde se passa boa parte da história logo nos é mostrado como um inferno para o protagonista. O lugar onde ele vive seu dia mais infernal. Curiosamente o filme parece remeter à Divina Comédia, de Dante Alighieri, em que o sétimo andar torna-se uma representação do sétimo círculo do Inferno, onde ficam os violentos. Acompanhamos Sebas tomar atitudes violentas em seu desespero para recuperar os filhos, e pouco a pouco ele desce rumo aos círculos seguintes, onde estão os miseráveis culpados pelos males em suas ações. Descobrimos assim os fraudulentos (do oitavo círculo) e logo depois os traidores (do nono círculo). O julgamento, contudo, recai sobre o protagonista, que precisa encontrar o que mais importa para ele na vida, que é a relação com seus filhos, escondida por trás dessa desumanização.

Ricardo Darín é convincente no papel de homem comum em circunstâncias extraordinárias. Apesar dos furos, o filme consegue construir várias reviravoltas e um clima de tensão contagiante, que cria identificação com o drama do personagem principal. De fato é Darín quem segura a trama. Sem ele, talvez o filme não tivesse o mesmo impacto. Sua excelente performance, somada à dinâmica de filmar em um prédio com uma câmera na mão, garantem uma marca mais autoral ao filme, resultando em uma suspense intrigante e que não perde o ritmo mesmo quando se perde em seu próprio labirinto de círculos infernais.

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