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A Bela e a Fera – Versão 2014

Adaptação do clássico conto escrito pela Dama de Villeneuve, em 1740, essa nova versão, produzida na França, começa com a história de um comerciante (André Dussolier) que se muda com a família para o interior após perder toda a sua fortuna. Algum tempo depois, quando o comerciante descobre que pode recuperar o dinheiro que perdeu, ele viaja até a cidade, onde acaba se envolvendo com bandidos por causa das dívidas de um de seus filhos. Durante a fuga, o comerciante se perde na floresta e chega a um castelo aparentemente vazio, apesar do farto banquete preparado no salão de jantar e dos baús com roupas vistosas e joias deixados próximos à mesa. Cansado, o comerciante come e bebe e pega os tesouros dos baús para si. Ao deixar o castelo, porém, decide pegar uma rosa para sua família mais nova, Bela (Léa Seydoux), e isso desperta a raiva da Fera (Vincent Cassel) que habita o local. Como punição pelo roubo da rosa, a Fera exige que o comerciante retorne no dia seguinte para o castelo, onde deverá viver pelo resto da vida. Quando descobre o aconteceu com pai, Bela toma seu lugar, indo ela própria viver com a Fera no castelo. A Fera, na verdade, era um príncipe bonito, mas que no passado foi amaldiçoado por causa de sua arrogância. A maldição só poderia ser quebrada por um amor verdadeiro, e a aparição de Bela se torna uma esperança para que o príncipe possa finalmente encontrar sua redenção.

(La Belle et la Bête) – Romance. França, 2014.

De Christophe Gans. Com Vincent Cassel, Léa Seydoux e André Dussollier. 114min. Classificação: 12 anos.

A Bela e a Fera


A BELA E A FERA – RESENHA

O clássico conto de fadas A Bela e a Fera recebeu inúmeras versões ao longo dos anos, sendo retratado com as mais variadas formas. Uma das versões mais conhecidas é o filme animado produzido pela Disney em 1991 — de todas as animações clássicas da Disney, A Bela e a Fera até hoje é minha preferida. — Outra versão que também se tornou bastante famosa — já que estamos falando de cinema francês — é o clássico filme de 1946 dirigido por Jean Cocteau. Isso sem mencionar os vários musicais que já tiveram a história como tema. Agora o diretor Christophe Gans trouxe o conto para o século XXI em uma adaptação repleta de fantasia e efeitos vibrantes de computação gráfica.

Gans — que é conhecido por filmes como O Pacto dos Lobos e Terror em Silent Hill — tenta se manter fiel ao conto de fadas original na maior parte do tempo, modificando alguns elementos para contar sua própria história sobre o amor entre a Bela e a Fera — por exemplo, no filme, não é uma fada maligna e rejeitada que amaldiçoa o príncipe, mas o pai enfurecido de uma fada benigna (por um motivo interessante, que obviamente não vou contar porque é spoiler).

O visual é maravilhoso, como se tivesse saído das ilustrações de um livro de conto de fadas. A decoração e os trajes são suntuosos e a ação é bastante equilibrada com o ritmo da história. A combinação entre o clássico de um conto de fadas e os efeitos especiais da arte cinematográfica atual acrescenta um teor mais de fantasia estilo Harry Potter ou Crônicas de Nárnia ao filme, inclusive com alguns momentos épicos durante o desfecho. Destaque para as estátuas gigantes que ganham vida, e um destaque um pouco menor para o cães-gremlins — que são engraçadinhos, embora não tenham qualquer finalidade real para a história a não ser demonstrar o potencial dos efeitos especiais. — Detalhes de cenário e fotografia concedem ares de sonho, prometendo uma história de fantasia delicada e encantadora.

Mas quando Bela chega para morar no castelo da Fera, o filme perde um pouco do brilho, pouco a pouco transformando seu mundo em algo artificial, mais preocupado com a imagem do que com o conteúdo. Isso se reflete no romance entre a Bela e a Fera, que é quase inexistente, o que é um desperdício quando se tem dois protagonistas como Vincent Cassel e Léa Seydoux. Os dois atores são convincentes em seus papéis — embora Seydoux brilhe bem mais do que Cassel. — O problema está no desenvolvimento da história de amor, que é tratada de forma tão fria e distante que nunca somos realmente convencidos de que existe alguma paixão entre os dois.

Quando Bela finalmente decide expressar seu amor pela Fera, parece apressado demais, como se ela tivesse acordado um belo dia e decidido: “Hoje eu vou amar a Fera!” e pronto, tudo certo, vamos ser felizes para sempre… Na ânsia de explorar as possibilidades de um grande espetáculo da fantasia, o filme infelizmente joga tantos elementos na tela que o elemento mais importante acaba se perdendo: a história de amor e redenção que transformou A Bela e a Fera em um clássico adorado até hoje.

A Bela e a Fera termina apenas como um filme bonito, interessante na forma, mas frustrante na essência. Não chega nem remotamente perto da beleza mágica do filme animado da Disney ou da genialidade soturna do clássico de Cocteau. O filme de Christophe Gans se situa em algum lugar entre esses dois, indeciso sobre o que deseja no final, sem saber se vale a pena transformar sua Fera de volta em príncipe ou não.

A Bela e a Fera

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