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On Writing: A Memoir Of The Craft

On Writing: A Memoir Of The Craft é um livro sobre as experiências do autor Stephen King como escritor, e também serve como um guia para aqueles que estão tentando ingressar na profissão. Dividido em três partes, apresenta uma autobiografia do autor, revelando suas primeiras tentativas no mundo da literatura, assim como oferece dicas importantes e conselhos práticos sobre o processo de escrita. O livro ainda conta sobre as experiências de vida que levaram ao amadurecimento pessoal e o profissional de um dos autores mais bem sucedidos da atualidade.

(On Writing: A Memoir Of The Craft) – Biografia. Estados Unidos, 2000.

De Stephen King. Com previsão de lançamento no Brasil para maio de 2015. 291 páginas.

On Writing: A Memoir Of The Craft


ON WRITING: A MEMOIR OF THE CRAFT – RESENHA

Se Stephen King ainda não ganhou um prêmio por esse livro, eu tenho umas belas palavras para dizer aos responsáveis por essa indicação. É o mais completo livro de autoajuda para escritores que já li até hoje. Recomendo com a mesma empolgação que recomendo um rodízio de pizza num sábado à noite.

Publicado em 2000, On Writing: A Memoir Of The Craft funciona como um guia para quem quer seguir os passos de King. Em poucas palavras, além de aprendermos bastante sobre a escrita, o livro é sobre a vida de Stephen King; suas lembranças de quando era criança até a fase adulta, suas escolhas, seus erros, seu histórico humilde, além de seu envolvimento com as drogas e a superação ao lado da esposa, a quem atribui o cargo de maior honra para um escritor: o de Leitor Ideal. Com isso, passamos a conhecer melhor a vida do autor de O Iluminado, It: A Coisa, À Espera de um Milagre, Sob a Redoma, A Dança da Morte e tantos outros que o levaram ao sucesso, e a se tornar o escritor que é hoje.

A VIDA DO AUTOR: A primeira parte do livro é o currículo. Sem dúvida, o currículo mais interessante que eu já li na vida. Ora, uma criança de cinco anos que pergunta para a mãe se ela já viu alguém morrer…vamos combinar… É bem a cara do Stephen King perguntar isso. E a mão dele ainda respondeu com detalhes: — ”Uma vez vi um homem se jogar do telhado de um hotel, se estatelar no chão da rua e o que saiu dele era verde.”

Interessante acompanhar o processo de leitura e escrita do autor. Ele começou a ler histórias em quadrinhos, depois livros de aventura e ficção científica para jovens e finalmente ingressou nas suas primeiras histórias. É bacana que ele teve o apoio da mãe desde o início; e depois da esposa até os dias de hoje. Muito importante o apoio das pessoas para qualquer profissão, mas sabemos que é muito mais difícil fazer qualquer um entender a vida solitária de um escritor. E a mãe dele merece nota mil pelo que ela fez.

Foi ainda na adolescência que ele decidiu enviar seus contos para as revistas. Sua grande inspiração, digamos assim, surgiu com os filmes de terror. Não importava o quão B fosse, eram como poesia para ele. Amava todos. E foi então que ele decidiu escrever suas histórias nesse estilo. Por incrível que pareça, Stephen King recebeu muitos “nãos” na vida dele, mas isso nunca o desanimou. Ele guardava as cartas que recebia dos agentes, principalmente as que tinham conselhos e dicas, pendurando-as na parede para refletir e praticar. Continuou enviando os contos até que finalmente recebeu um sim.

É uma coisa de louco o que levou o autor a escrever Carrie, a Estranha. “Ideias para as histórias boas vem literalmente do nada.” Para não estragar, vou deixar que vocês leiam e vejam por si próprios. E pensar que King quase desistiu da obra que deu o pontapé inicial na sua carreira.

Entre esses assuntos, o autor revelou também seus problemas com bebidas e drogas mais pesadas como cocaína. É uma parte triste do livro e da vida dele, mas ele compartilha de um jeito tão “de amigo para amigo” que você sente como se o estivesse ajudando de alguma forma, só por estar ali, lendo/escutando. Mesmo que isso tenha acontecido décadas atrás.

Outra coisa que ele consegue fazer — que eu sempre achei incrível — nas obras de ficção dele, ele deu um jeito de transpor até mesmo para esse livro de não-ficção: por meio de pausas dramáticas, no momento em que ele interrompe uma cena e traz uma nova informação, ele dá ao leitor um tempo para refletir sobre o que ele acabou de ler e, dessa forma, consegue fazer o leitor compreender a importância daquela frase em questão.

Exemplo (SPOILER): A cena é ele falando ao telefone com um agente que pode ter A NOTÍCIA capaz de mudar a vida de Stephen King para sempre. O agente então diz: — ”Os direitos de publicação do livro Carrie foi comprado pela editora X por quatrocentos mil dólares.”

“Quando eu era criança…”, continua o autor logo em seguida. Essa pausa causa um impacto no livro que você não tem ideia. Eu chorei. Muito. No ônibus. Sem medo de viver.

Mas é claro! Depois de acompanhar toda a infância difícil que ele teve e as tentativas fracassadas de ser publicado, você consegue sentir exatamente o que o autor sentiu quando ele recebeu essa notícia. Mas a pausa ajuda, sim, e muito!

SOBRE A ESCRITA: Para quem você escreve? Você cria metas diárias? Você espera a inspiração vir para começar a escrever? Você reconhece uma boa ideia quando ela surge?

A segunda parte, a que mais diz respeito aos escritores, é quando o autor reúne as respostas às várias perguntas que recebeu dos fãs ao longo dos anos. O que é a escrita. Embora muitas dicas você encontre em todos os livros de autoajuda para escritores, Stephen King conseguiu fazer de um jeito divertido e, ao mesmo tempo, autoritário, do tipo que o leitor vai dizer: “Eu sempre leio essas coisas, mas só agora fez sentido!”

Ler muito e escrever muito são dicas óbvias, porém inevitáveis, uma vez que ainda existem pessoas que perguntam qual é a fórmula secreta para se escrever um livro. Além dessas, King repassa algumas que também não poderiam ficar de fora do cardápio como “ir com tudo numa folha em branco, nada de gentilezas”, “escolha um lugar só seu (quarto, porão, cama, varanda…) e desligue todas e quaisquer distrações”. Por isso ele recomenda escrever de portas fechadas e reescrever de portas abertas.

Minha parte favorita é quando ele declara o quanto abomina os advérbios, os floreios, a voz passiva e a escrita complicada: “É importante lembrar que há uma diferença entre dar uma palestra sobre o que você sabe e usar esse conhecimento para enriquecer a história.”

Isso é lindo!

Vocabulário você ganha com o tempo, não adianta forçar. A primeira palavra que vem à cabeça, normalmente é a mais verdadeira para a sentença em questão. Não adianta querer trocar por uma mais complicada para fingir que você é mais culto do que é, pois não vai soar verdadeiro e, segundo Steven (como gosta de ser chamado), o lema mais importante do escritor é: sempre dizer a verdade.

“A gente sabe quando um diálogo soa correto. Quando tem alguma coisa errada a gente logo percebe da mesma forma que se incomoda com o som de um instrumento desafinado.”

O livro esclarece muitas dúvidas, ajuda de fato o leitor a ser um escritor melhor, um leitor melhor, e estimula tanto a atividade quanto a profissão, fazendo com que você entenda de uma vez por todas que a fórmula é: sentar o traseiro (onde você bem entender) e escrever!

COLOCANDO EM PRÁTICA: A terceira parte é, de longe, meu trecho favorito. Aqui, Stephen King pega tudo o que ele acabou de difundir e coloca em prática, ao contar a história do próprio acidente que sofreu em 1999, quando foi atropelado por um homem chamado Bryan Smith, que, por pouco, não tirou sua vida.

É um livro que precisa ser lido por todos, queira você ser um escritor ou não, quer você goste do autor ou não. Se você não gosta do autor, tenha em mente que “na vida você aprende muito mais com quem você discorda”, e vá em frente. O livro é simples, objetivo, íntimo e esclarecedor. Mil estrelinhas épicas!

E, por último, mas não menos importante:

“Você precisa que alguém lhe dê um crachá que diga ESCRITOR para você acreditar que é um? Deus, eu espero que não.” KING, Stephen.

On Writing: A Memoir Of The Craft

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