Filmes

Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola

Depois que um criador de ovelhas covarde, Albert (Seth MacFarlane), desiste de um tiroteio, sua namorada o deixa por outro homem. Quando a misteriosa e bela Anna (Charlize Theron) se instala na cidade, ela o ajuda a encontrar sua coragem e eles começam a se interessar um pelo outro. Mas quando o marido dela, o notório fora da lei Clinch (Liam Neeson), chega à cidade em busca de vingança, Albert deve colocar sua coragem recém-descoberta à prova.

(A Million Ways To Die In The West) – Comédia. Estados Unidos, 2014.

De Seth MacFarlane. Com Seth MacFarlane, Charlize Theron, Liam Neeson, Neil Patrick Harris, Amanda Seyfried, Sarah Silverman e Giovanni Ribisi. 116min. Classificação: 14 anos.

Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola


UM MILHÃO DE MANEIRAS DE PEGAR NA PISTOLA – CRÍTICA

Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola é um filme sobre um milhão de maneiras de ser desagradável, e isso é engraçado, de uma forma meio distorcida. Quão desagradável ele é? Bem, tão brutal que um fotógrafo pega fogo ao tentar tirar uma foto. Tão selvagem que o pastor termina seu sermão pedindo que Deus abençoe seus fieis por mais uma semana. Tão cruel que um gelo pode cair na sua cabeça a qualquer momento, e nem o prefeito está salvo de ser comido por lobos. Porra, as pessoas sempre tiram fotos com expressão séria, sem sorrir. SEM. SORRIR. Eu não consigo conceber isso.

Seth MacFarlane, criador Family Guy e recentemente diretor do hilário Ted, brinca como Albert, um (péssimo) criador de ovelhas falastrão e extremamente covarde, que não tem perfil algum para herói. Esse é o protagonista. E para essa galhofa, acho digno. Ele passa boa parte do filme reclamando que está vivendo na época errada, em um lugar imundo, fedido e sem perspectiva de futuro, onde pode morrer a qualquer momento, vítima de uma morte bizarra qualquer, ou mesmo do próprio médico que deveria curá-lo. Para você ter ideia, o “médico” usa um passarinho azul para costurar ferimentos.

MacFarlane (estreando como ator em um filme live-action) é apenas razoável como protagonista, mas como diretor e co-escritor, tem uma imaginação comicamente fértil. Os diálogos são afiados, e as situações são tão bizarras que se tornam engraçadas. Ele é conhecido por gostar de usar linguajar esdrúxulo, com piadas sobre fezes, urina e outras coisas assim, mas às vezes ele exagera nesse tipo de piada. Algumas não funcionam, e parecem forçadas, apenas o uso do grotesco pelo grotesco. As piadas que funcionam melhor são justamente as lançadas como complemento para as cenas cômicas.

Mais consistente é a Anna de Charlize Theron, uma pistoleira cínica que inicia uma relação com Albert, mas que é esposa do mais impiedoso atirador do Oeste (Liam Neeson). Anna não é uma criminosa; é apenas uma mulher que nunca conheceu afeto, mas tenta ser afetuosa, só que não consegue por causa da crueldade gratuita de seu marido. Quando ela encontra Albert, ela descobre o valor de um homem que, por se colocar sempre abaixo dos outros, acaba tratando as pessoas de forma cordial. O problema é que ele também é um covarde, que no geral se esconde quando algo dá errado. Anna decide ajudá-lo a ter confiança para ser um homem cordial e forte ao mesmo tempo, construindo uma relação agradável entre os dois personagens. Na verdade o filme demora bastante a engrenar, e só se torna realmente interessante quando Charlize Theron aparece em cena. Basta ela entrar na história e tudo muda consideravelmente. Não só porque ela é maravilhosamente bonita e talentosa, mas porque ela é divertida.

Neil Patrick Harris também faz um bom trabalho como um esnobe bigodudo que rouba a namorada de Albert (Amanda Seyfried) — e ainda é auxiliado por uma musiquinha safada sobre BIGODES, uma atualização de uma música da época da Guerra Civil Norte-Americana chamada If You’ve Only Got a Moustache, de Stephen Foster. — Sério, a cena da dança com a musiquinha é o ápice da zueira.

Melhor ainda são Sarah Silverman e Giovanni Ribisi como um casal cristão que está esperando para se casar antes de ter relações sexuais. Ele é virgem. Ela é a prostituta mais rodada do Oeste. Muitas das piadas envolvem a vida profissional da moça e sua relação com o futuro marido — embora às vezes sofra com o excesso de grosseria que citei anteriormente. — A dinâmica do casal é fantástica. Eles têm uma relação bonitinha, e são amigos legais. O carinho dos dois por Albert e o empenho deles para ajudar o amigo sempre que necessário é emocionante, de um forma divertida — como tudo no filme.

Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola — traduçãozinha safada do título original — é um pouco lento no ritmo e poderia ser um pouco menor, talvez com uns dez ou vinte minutos a menos. Ainda assim é fácil notar que MacFarlane gosta tanto de sua galhofa que não quer desperdiçar nenhuma chance de piada. Até mesmo uma sequência de sonho que acontece no terceiro ato, que a princípio parece desnecessária, tem uma finalidade, e compensa justamente por sua bizarrice — pela zueira com os índios e pelo chute certeiro nos bagos de uma ave.

Nos seus melhores momentos, MacFarlane entrega um filme engraçado e que assume os aspectos mais estranhos da vida no Oeste como combustível para seu humor interminável — o que falar das fotos estranhamente sisudas, dos acidentes constantes, da medicina de qualidade terrível, das danças com bigodes? — E no final das contas ainda aprendemos uma forma brilhante de se sobreviver a uma briga de saloon. Simplesmente porque com Seth MacFarlane THE ZUEIRA NEVER ENDS.

SPOILERS: ATENÇÃO! A partir desse ponto, o texto contém TODOS OS SPOILERS DO MUNDO sobre algumas das piadas do filme. Se você não quiser saber detalhes cruciais, pare agora e volte somente depois de ver o filme. Desculpa, mas umas coisinhas que aparecem no filme que eu preciso comentar.

As participações especiais de celebridades aleatórias são escrotamente sensacionais! E acontecem nos momentos mais What The Fuck! ~Numa cena em que o bandido de Liam Neeson invade o saloon querendo saber quem foi o homem que beijou sua mulher, ele atira num cara. Esse cara é o Ryan Reynolds. Piada pronta. Riso certo. Então do nada, Albert entra em um galpão, e dá de cara com Doc Brown e o DeLorean — PUTAQUEPARIU!!! Christopher Lloyd himself — E no final, só para coroar a zueira, tem uma cena na feira. Com o Django. Ele mesmo. Por motivos de: PEOPLE DIE AT THE FAIR. Tive que rir.

Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola

Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola

Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola

Compartilhe este Post

Posts Relacionados



Inscreva-se no Canal

Resenhas Populares

Rogue One: Uma História de Star Wars

Rogue One: Uma História de Star Wars

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Raw

Raw

Capitão Fantástico

Capitão Fantástico

O Homem nas Trevas

O Homem nas Trevas

Nível Épico em Imagens

Google Plus

Facebook

SoundCloud