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Rio, Eu Te Amo

Este novo episódio da série de filmes Cities of Love (Cidades do Amor) reúne dez curtas de dez diretores brasileiros e internacionais. Cada uma das histórias revela um bairro e uma característica marcante da cidade maravilhosa.

(Rio, Eu Te Amo) – Romance. Brasil, 2014.

De John Turturro, Fernando Meirelles, José Padilha. Com Fernanda Montenegro, Rodrigo Santoro, Bruna Linzmeyer, Tonico Pereira, Roberta Rodrigues, Emily Mortimer, Laura Neiva e Marcelo Serrado. 110min. Classificação: 12 anos.

Rio, Eu Te Amo


RIO, EU TE AMO – CRÍTICA

O projeto Cities of Love ganhou vida em 2006 com o filme Paris, Eu te Amo, que mostrava o amor de dez diretores pela bela capital francesa, alguns locais e outros de nacionalidades diferentes. Em 2009 foi a vez de Nova York e, logo em seguida, foi anunciado que o Rio de Janeiro faria parte do projeto. Na verdade, além do Rio, Jerusalém, Berlim, Nova Orleans, Cidade do México, Sydney e Tbilisi, são centros urbanos que também ganharão declarações de amor em forma de filme. Assim, o projeto incentiva a criatividade nessas cidades e o crescimento de novas produções cinematográficas nesses centros. Sua ideia é ser realmente uma vitrine para que essas cidades mostrem não só seus atributos físicos, como também criem novas possibilidades. Dessa forma Cities of Love deixa de ser apenas um projeto cinematográfico para tornar-se uma plataforma para outros projetos artísticos.

Toda essa explicação é totalmente necessária para que se entenda qual é a ideia do filme Rio, Eu te Amo, que levou apenas três meses de filmagens e mais três de pós-produção. Mais uma vez, dez histórias curtas sobre o amor no e pelo Rio são apresentadas por dez diretores, além de rápidas inserções que unem tudo, estas dirigidas por Vicente Amorim. Como diretores dos curtas estão Andrucha Waddington, Paolo Sorrentino, Fernando Meirelles, John Turturro, Stephan Elliott, Guillermo Arriaga, Im Sang-Soo, Carlos Saldanha, Nadine Labaki e José Padilha, convidados a mostrarem suas visões sobre o Rio de Janeiro. O curioso é perceber que grande parte dos diretores estrangeiros tem uma imagem bem lúdica do Rio de Janeiro, o que, no fim, combina muito bem com a ideia principal do projeto.

Para Sorrentino, o Rio é o lar perfeito para um rico inglês aposentado (Basil Hoffman) e sua bela esposa mais nova (Emily Mortimer), que nutrem um relacionamento de interesse, onde claramente a jovem esposa aguarda ansiosamente pela morte de seu doente marido. No seguimento “Grumari”, tudo pode acontecer e as aparências podem enganar. Já John Tuturro foi para Paquetá com Vanessa Paradis, contar uma melancólica história sobre o fim do amor, que lembra em alguns momentos os diálogos do filme Um Copo de Cólera, de 1999.

Stephan Elliot buscou inspiração em sua própria história de amor para criar seu segmento. Marcelo Serrado interpreta um motorista voluntário do Festival do Rio e Ryan Kwanten (sim, o Jason Stackhouse de True Blood) interpreta um famoso ator australiano convidado para o Festival, que decide escalar o Pão de Açúcar e acaba se apaixonando, pela cidade e por seu motorista. Não resta a menor dúvida sobre quem é o diretor desse segmento, não apenas pelos diálogos afiados como, principalmente, pela aparição de Bebel Gilberto como uma ninfa/cupido no alto do Pão de Açúcar, que remete instantaneamente a Priscila, A Rainha do Deserto, grande sucesso de Elliot.

Arriaga prova ser um grande contador de histórias com o melhor segmento do longa, “Texas”, sobre um jovem ex-lutador de boxe (Land Vieira), que sofreu um acidente de carro que resultou na perda de um braço e no qual sua esposa (Laura Neiva) ficou paralítica. O jovem decide arriscar sua própria vida para conseguir arrecadar o dinheiro para a cirurgia de sua esposa. Porém uma proposta feita por um outro lutador estrangeiro (Jason Isaacs) pode mudar completamente seu destino.

O coreano Im Sang-Soo vai até o Vidigal falar com muito bom humor e bizarrice sobre a vida dos seres da noite, os garçons e as prostitutas, com uma rápida e divertida história que poderia muito bem ter sido dirigida por Ivan Cardoso. Já a libanesa Nadine Labaki convidou Harvey Keitel para estrelar ao lado do fofíssimo Cauã Antunes, de apenas 6 anos, o segmento “Milagre”, que acontece na Estação da Leopoldina.

Para os brasileiros ficou a tarefa de mostrar porque amamos o Rio de Janeiro, apesar de tudo. Andrucha conta a história de uma mulher que decide morar na rua (Fernanda Montenegro) e acredita que está melhor assim, mesmo depois de reencontrar seu neto (Eduardo Sterblitch). O diretor contou que se inspirou no caso de um homem que vive nas ruas do Leblon durante anos e que se sente feliz assim. Fernando Meirelles se uniu a André Abujamra para contar através de imagens e música o dia-a-dia de um escultor de areia (Vincent Cassel) da praia de Copacabana, até o dia em que ele encontra sua musa (Débora Nascimento).

Em sua primeira experiência fora da animação, Carlos Saldanha decidiu declarar seu amor ao Teatro Municipal, ao qual se referiu como “uma caixa de música no meio do concreto do Centro do Rio de Janeiro”. Seu segmento, “Pas de Deux” é lírico e belíssimo, sobre dois bailarinos, Rodrigo Santoro e Bruna Linzmeyer, que discutem o futuro e o relacionamento entre eles.

Por fim, o tão discutido e controverso segmento dirigido por José Padilha, “Pedra Bonita”, que quase ficou fora do filme. Tudo porque nele Wagner Moura voa em volta do Cristo Redentor de asa-delta e reclama sobre sua vida, sobre a realidade do Rio de Janeiro e briga com o Cristo que está sempre tranquilo com seus braços abertos no alto do Corcovado. A Igreja entendeu como uma ofensa direta a imagem de Cristo, até que percebeu que a “bronca” era para os governantes. Enfim, polêmico, direto e engraçado, como apenas o Padilha consegue ser.

Dez histórias sobre personagens que amam e todas as formas que esse amor se manifesta, o que no fim culmina em uma linda e enorme declaração de amor ao Rio de Janeiro. Sim, é uma cidade linda, perfeita, aberta a todos os povos, onde até sofrer parece mais fácil. Pode não ser a realidade da cidade, mas quem disse que em uma declaração de amor a realidade deve aparecer. Em uma declaração de amor tem que haver sedução e beleza, tudo o que Rio, Eu te Amo tem em abundância. Impossível sair do cinema sem amar mais ainda essa cidade.

Rio, Eu Te Amo

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