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Hércules

Hércules (Dwayne Johnson) é um homem lendário, conhecido por ser o filho de Zeus, mas que carrega a dor de ter perdido sua esposa e seus filhos. Ele viaja com um grupo de aliados habilidosos, realizando os mais variados trabalhos, desde que sejam bem pagos por isso. Eles são mercenários. Depois de uma missão contra piratas, Hércules e seus companheiros, graças à fama que conquistaram, são contratados pelo rei da Trácia para defender o reino da investida de um terrível bárbaro. Hércules e seus mercenários começam a treinar o exército do rei para essa missão.

(Hercules) – Ação. Estados Unidos, 2014. De Brett Ratner.

Com Dwayne Johnson, Ian McShane, Rufus Sewell, Joseph Fiennes, Peter Mullan, John Hurt, Irina Shayk e Ingrid Bolsø Berdal. 98min. Classificação: 14 anos.

Hércules


HÉRCULES – CRÍTICA

Dwayne “The Rock” Johnson é um cara carismático, com seu grande sorriso e seus músculos gigantescos, alguém perfeito para interpretar uma lenda como Hércules. Porque este é um Hércules diferente, não é aquele que estamos acostumados da mitologia greco-romana. Esse é um Hérculos baseado no personagem dos quadrinhos da editora Radical Comics, que revisita o mito clássico do herói grego e seus doze trabalhos, apresentando-o como um bárbaro que vive como um mercenário.

O Hércules das lendas é filho de Zeus com uma mortal, Alcmena. Hércules na verdade é o nome em latim dado pelos antigos romanos ao herói da mitologia grega Héracles — que como é explicado no próprio filme, significa “glória de Hera”. — Na mitologia, o nascimento de Hércules desagradou Hera, esposa de Zeus, que passou a persegui-lo como forma de vingança. Com o passar do tempo, Hércules se tornou um herói amplamente conhecido e adorado por sua enorme força e suas façanhas, e isso só fez a fúria de Hera crescer. Em um acesso de loucura provocado por Hera, Hércules matou sua esposa Mégara e seus filhos. Depois de recuperar a sanidade, Hércules aceita, como penitência, realizar os tão famosos doze trabalhos, que incluem derrotar o Leão de Nemeia, a Hidra de Lerna e o Javali de Erimanto.

O filme começa com um narrador nos apresentando esse Hércules mítico, que realizou os doze trabalhos e tornou-se um herói conhecido em todo o mundo por completá-los. Apenas para logo depois descobrimos que a lenda é uma “mentira” instigada por histórias passadas no boca a boca e pelas superstições das próprias pessoas.

Por um lado, especialmente no começo do filme, essa “desconstrução” da lenda causa certo desconforto, talvez por estarmos mais acostumados com as representações de mitologia grega sempre tão carregadas de fantasia e poderes sobrenaturais — como 300, Fúria de Titãs, Imortais, ou histórias em quadrinhos como Mulher Maravilha. — Por outro lado, esse é o charme do filme e provavelmente uma das razões dele funcionar tão bem. Se pararmos para pensar, a mitologia grega é um conjunto crenças embasadas por relatos tidos como fictícios e imaginados pelos poetas, usada pelo povo da Grécia Antiga como forma de compreender melhor as forças naturais do mundo. Tudo era baseado na crença. O filme baseia o mito de Hércules em uma crença também passada através de relatos, que foram ganhando contornos e proporções épicas com o passar do tempo e o boca a boca. Faz sentido se considerarmos que as grandes lendas, os heróis e os monstros, nasciam nessa Grécia Antiga por causa do povo extremamente supersticioso, que contava suas histórias com base naquilo que enxergavam como realidade, vez ou outro aumentando um ponto em cada conto. Na verdade o grande foco da história do filme é esse: acreditar — ora numa força maior que pode selar seu destino, ora em si mesmo.

Em vez de um semideus, Hércules é apenas um homem, um guerreiro extremamente forte e habilidoso. Ele lidera um grupo de mercenários que viaja de aldeia em aldeia, realizando missões em troca de boas quantias de dinheiro. Seu passado é trágico como o de sua contraparte mitológica — mas de uma forma diferente. — Hércules vive dessa forma porque foi acusado de matar sua esposa e seus filhos em Atenas — no filme, contudo, ele não estava enlouquecido por Hera; existe outra razão.

O Hércules de Brett Ratner é construído com palavras para inspirar temor em seus adversários, mesmo nos mais corajosos, e isso é mais inteligente e enérgico do que poderíamos esperar. Na verdade há de se mencionar que Hércules era um filme que inspirava certo temor, exatamente como seu protagonista. Depois de tantos fracassos cinematográficos envolvendo a mitologia grega — incluindo o deprimente The Legend of Hercules com Kellan Lutz também lançado esse ano —, pouco se esperava desse novo Hércules com The Rock. Mas o filme é muito melhor do que poderíamos esperar. Muito mesmo. Minha reação no final da sessão foi: QUE. FILME. FODA.

As cenas de ação são dinâmicas e impactantes, com efeitos bem aplicados de computação gráfica e tomadas aéreas que possuem um pouco do estilo O Senhor dos Anéis de ser. A trilha sonora Fernando Velázquez fortalece o tom pesado das batalhas. Ratner mantém um equilíbrio saudável entre o campo de batalha e a imponência solene de seu herói, apresentando-o junto com seu grupo de aliados confiáveis em meio a uma odisseia para enfrentar o exército de um inimigo poderoso que supostamente usa de artifícios sobrenaturais para alcançar a vitória. Hércules vai desde treinar e liderar o exército do Rei Cotys (John Hurt) contra o inimigo até engajar-se diretamente nas grandes batalhas.

O Hércules de Dwayne Johnson é um herói que toma as rédeas da situação sempre, moldado para representar sua lenda como filho de Zeus: ele está sempre na linha de frente, enquanto os nobres para quem ele trabalha escondem-se atrás de suas capas e seus banquetes. Johnson — que está GIGANTE nesse filme! — mostra a força de seu protagonista cada vez que esmaga um inimigo com sua enorme clava, ou quando simplesmente estoura a cara de alguém com um soco. Hércules, contudo, também é um exímio estrategista e um líder carismático, características que acrescentam ainda mais peso e ritmo aos combates. Uma representação do carisma imponente de The Rock é uma cena em que um adversário esfaqueia Hércules pelas costas, de surpresa. A cara que Johnson faz quando se vira para ele é tipo: — “Você me esfaqueou?! Maldito!” — Mas Johnson não fala nada, apenas levanta a sobrancelha e sorri, um misto de incredulidade divertida e sensação de “eu sou o maioral e ninguém pode comigo” que torna o personagem ainda mais sensacional.

Como personagens de um jogo de RPG, o grupo de aliados de Hércules apresenta cada membro com seus próprios ataques especiais e seus próprios traços de personalidade. Todos possuem seus momentos para brilhar no filme. Autolycus (Rufus Sewell) é um especialista em facas e obcecado em ganhar moedas de ouro. Atalanta (Ingrid Bolsø Berdal) é uma amazona cuja habilidade com o arco e flecha causaria inveja até no Legolas — eu seu, estou exagerando um pouco. — Tydeus (Askel Hennie) é um guerreiro feroz, que luta com a selvageria de um animal e não fala, mas é um homens mais leais do grupo. Iolaus (Reece Ritchie) é o orador do grupo, corajoso, ineficiente em combate e incapaz de calar a boca. Amphiaraus (Ian McShane) é o mais divertido; um vidente que oferece a Hércules sábios conselhos, prevê o futuro e sabe quando será sua própria morte — e graças a isso, ele tem os melhores e mais engraçados momentos do filme.

Hércules, desde os primeiros minutos do filme, é sustentado por seu elenco cativante, por seu ritmo rápido — especialmente por ser um filme com menos de duas horas de duração, o que ajuda para caramba —, e por sua falta de pretensão. Em muitos aspectos, esse é um filme com um tom que remete (entre outras coisas) aos filmes italianos do Hércules da década de 50 e 60, estrelados por fortões famosos como Steve Reeves e Kirk Morris, e aos filmes da década de 80 com Lou Ferrigno — também conhecido como o Hulk na série clássica —, e à série de televisão dos anos 90 com Kevin Sorbo. Pode parecer um pouco peculiar, mas encontra seu valor justamente no senso de diversão apurado e em seu brutamontes carismático vestido em pele de leão. Esse é um Hércules fortão e todo-poderoso que coloca os pés no chão e esmurra nossa cara com a força de um homem, não de um deus.

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