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Lucy

Lucy (Scarlett Johansson) é uma mulher que inadvertidamente se envolve no esquema de um perigoso chefão do crime e se vê obrigada a trabalhar para ele como atravessadora de drogas. Com a droga chamada CPH4 colocada cirurgicamente dentro de seu corpo, ela precisa transportá-la até o local indicado pelo criminoso, mas durante o processo, é atacada e espancada por alguns homens. Quando os cristais azuis da droga se misturam ao seu organismo, Lucy adquire capacidades de clarividência, telecinese, metamorfose corporal e resistência à dor, ao mesmo tempo em que, pouco a pouco, vai perdendo suas emoções. Ciente dos poderes que carrega, Lucy vira o jogo contra seus captores e se transforma em uma máquina de matar implacável que evoluiu além da lógica humana.

(Lucy) – Ficção Científica. França, 2014.

De Luc Besson. Com Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Min-sik Choi, Amr Waked, Julian Rhind-Tutt e Analeigh Tipton. 89min. Classificação: 16 anos.

Lucy


LUCY – RESENHA

Quando Lucy se aproxima de seu final, há uma cena em que a personagem, com seus poderes extraordinários, aprende a usar mais de 80% de seu córtex cerebral, e continua a evoluir rapidamente, a ponto de se tornar o ápice da perfeição humana. Semelhanças com Dr. Manhattan são inevitáveis. Com estalagmites negras pegajosas de nanotecnologia surgidas do corpo de Lucy, o filme atinge o ponto em que estabelece brilhantemente paralelos com o icônico Akira, levando a visão de Luc Besson a encontrar sua verdadeira natureza; Lucy não é apenas a história de uma mulher que percebe o potencial de seu cérebro, é também a história de um cineasta lembrando todo o potencial de seu gênero.

Reverenciado como um dos melhores e mais excêntricos cineastas comerciais da década de 90, Besson ganhou sua reputação ao construir clássicos de ação contemporâneos, como Nikita, O Profissional e Quinto Elemento, utilizando-se de um estilo muito próprio para contar suas histórias, que muitas vezes fugiam às convenções dos gêneros cinematográficos em que se inspiravam. Lucy é como uma verdadeira máquina do tempo, em que Besson resgata bastante daquele estilo de outrora, sem perder, contudo, o aspecto de filme contemporâneo. Como um dos mais emocionantes, brilhantes e insanos filmes de ação dos últimos tempos, Lucy sente-se como o trabalho de alguém que não tem absolutamente nada a perder, e por isso mesmo não se apega a convenções de gêneros ou estúdios cinematográficos. Luc Besson sempre foi assim, de um ardor independente que, aqui, surge em sua melhor forma. E assim, contra todas as probabilidades, ele transforma o que parecia ser uma proposta bastante duvidosa em uma obra excepcional.

Com ares de Árvore da Vida, a ambição do filme anda de mãos dadas com a sua tolice, considerando todo o escopo da vida na Terra até chegar ao ponto de focar em uma única mulher, que nada tem de extraordinário (pelo menos inicialmente). Por ser um filme extremamente visual, o próprio Besson o descreve como uma mistura de O Profissional (o começo), Inception (o meio) e 2001: Uma Odisseia no Espaço (o fim), embora Lucy também possua referência de vários outros filmes do diretor, em especial os supracitados Nikita e Quinto Elemento (por sua personagem principal). De várias formas, o filme demonstra ter consciência de seu senso de familiaridade, e é justamente a maneira como Besson reúne todas essas suas características e peculiaridades que permite a Lucy ser algo diferenciado e violentamente vibrante, movendo-se adiante como uma força da natureza, imparável e incontrolável. Lucy não tem o coração de O Profissional, a graciosidade de Inception ou a grandiosidade de 2001, mas tem a coragem de não se importar com isso. Essa é a força de expressão que torna o filme tão espetacular.

Ainda que seja sobre uma mulher que se torna inacreditavelmente inteligente, o filme ousa ser tolo. Um exemplo perfeito pode ser encontrado nos momentos iniciais do filme, quando Besson entrecorta a entrega fracassada das drogas com imagens de arquivo de um tigre caçando e matando uma gazela. Não é difícil entender o significado dessa montagem, principalmente porque ela não visa a sutileza. Besson não quer maquiar as coisas para nós. Ele quer nos provocar. A sacada para isso está no efeito que essa estratégia provoca; um efeito que, entre tantos, é um truque do diretor para nos preparar para o que está por vir.

A familiaridade que impulsiona os dois primeiros terços permite a Besson equilibrar uma história incrivelmente simples com seu alcance mais metafísico. Lucy consegue abranger uma quantidade surpreendente de ideias e conceitos com seus poderes graças a forma como Besson nos estimula com reflexões sobre a natureza, a história e o cosmos desde o início dos tempos. Essa super-exposição quase tola de seu estilo é divertida, especialmente porque todas as sequências de ação são executadas com maestria enquanto cada um de seus 89 minutos é preenchido com uma quantidade impressionante de informações. Pouco a pouco o cineasta vai preparando o palco para seu clímax transcendental, em um final que, definitivamente, um diretor precisa ter muito cacife e bala na agulha (e loucura) para fazer.

Besson o faz com eficiência absurda, e ainda acena para nós com um riso torto como aqueles que só a Scarlett Johansson sabe sorrir. O filme parece satisfeito por ter-nos sorrindo junto com ele, nos levando rumo ao caos do terceiro ato, que expressa toda a confiança do cineasta em sua obra. Não confunda ambição com pretensão. Como os tempestivos últimos momentos do filme ressaltam sem qualquer sutileza, Lucy não é um passo para um admirável mundo novo; é um desafio para fazer mais com o que temos. Besson não está reinventando o cinema de ação, ele está simplesmente nos lembrando que ele pode ser tão ilimitado quanto o cinema em si. Essa é a melhor forma de transcendência.

Lucy

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  • Alicia Jaramillo

    Eu amei o enredo deste filme. Definitivamente um filme de ação que eu recomendo. Agora que é uma estreia na HBO disponível , não deixará de vê-lo uma segunda vez porque é um filme que agarra-lo do início ao fim.

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