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DOCTOR WHO – Algumas Questões e Teorias Sobre o Episódio Deep Breath

Doctor Who Deep Breath

Doctor Who estreou o primeiro episódio de sua oitava temporada na semana passada, primeiro no evento do Rio de Janeiro, The World Tour, e depois oficialmente no dia 23 de agosto. O episódio — “Deep Breath” — nos apresentou Peter Capaldi como o Doctor recém-regenerado, o Décimo Segundo Doctor, em uma viagem para a Londres Vitoriana, em meados do século XIX. Quando chega, ele encontra um Tyrannosaurus Rex (fêmea) desenfreado em pleno Rio Tâmisa, que sofre combustão espontânea. Enquanto isso sua companion Clara — Jenna Coleman —, com ajuda da Paternoster Gang — Madame Vastra, Jenny e Strax —, precisa lidar com as mudanças provocadas pela regeneração e o fato do Doctor ter se transformado em alguém diferente.

Mesmo confuso com seu novo eu, o Doctor começa uma investigação para desvendar os acontecimentos por trás da combustão do dinossauro, e à medida que descobrimos um pouco mais sobre ele, formam-se várias questões sobre o que Steven Moffat estaria preparando para nós nesta temporada. Uma das premissas que a temporada aparentemente pretende explorar é sobre os dilemas e as consequências das ações do Doctor ao longo de suas aventuras, questionando se o Doctor seria ou não um homem bom. Abaixo estão algumas dessas questões levantadas por “Deep Breath”.

SPOILERS: ATENÇÃO! A partir desse ponto, o texto contém TODOS OS SPOILERS DO MUNDO sobre o primeiro episódio da oitava temporada. Se você não quiser saber detalhes cruciais sobre “Deep Breath”, pare agora e volte somente depois de ver o episódio. Agora se você não se importa de ler spoilers ou sua curiosidade é maior do que seu bom-senso, continue por sua conta e risco.


O Doctor matou ou não o androide?

A investigação do Doctor o leva até um androide que está matando pessoas e coletando partes delas para se manter ativo. O androide tem como base uma nave escondida no subsolo de um restaurante e seu objetivo é simplesmente chegar ao que ele chama de “paraíso”. Os motivos pelos quais os androides estão tentando encontrar o paraíso, ou quem os teria enviado nessa missão, são também um possível mistério, que pode ou não ter influência no enredo da temporada.

Os androides movidos por mecanismos de relojoaria — bem steampunk — são parentes dos androides que perseguem Madame de Pompadour em “The Girl in the Fireplace”, quarto episódio da segunda temporada. Eles viajaram de volta no tempo a partir do século 51 e ficaram presos na Terra há milhões de anos, coletando pedaços de seres humanos para usar como peças de reposição para sua sobrevivência.

O destino final do androide, contudo, é a morte, após cair do alto de sua nave/balão. Ou será que foi empurrado? Essa é a questão. O Doctor matou o androide? Ou o androide saltou para a morte? Será esse um Doctor capaz de matar outro ser vivo friamente? Apesar de ser um robô, após se reformar tantas vezes usando partes humanas como peças, o androide havia se tornado um ser vivo, e uma criatura completamente diferente do que era antes (quase como se fosse um reflexo do Doctor recém-regenerado).

Na cena em que se confrontam, o Doctor ameaça matar o androide, mas depois diz que matar não é sua programação básica mais do que auto-destruição é para o androide. No final o Doctor diz que um deles está mentindo sobre sua programação básica, e o androide aparece morto depois de uma queda. Assassinato ou suicídio? A cena é criada para ser ambígua, e o olhar frio que Capaldi lança para a câmera fortalece essa ambiguidade e a dúvida sobre o que aconteceu de fato.

Essa é uma questão razoavelmente recorrente na série, sobre o Doctor que inspira e ajuda tantos seres e civilizações também ser capaz de levá-los à destruição e à morte. Com esse episódio, essa premissa ganha novos contornos ao questionar se existe diferença entre esse potencial para a destruição e o Doctor simplesmente ser capaz de matar um ser vivo a sangue frio. Essa talvez seja uma resposta que não queiramos ter.


Doctor Who Deep Breath

O Décimo Segundo Doctor possui um propósito? Isso se reflete no rosto que ele possui agora?

Como eu disse a premissa dessa temporada aparentemente focará no questionando se o Doctor seria ou não um homem bom. Em certo momento o Doctor verbaliza isso para Clara — “Eu cometi muitos erros, e já é tempo de fazer algo sobre isso.” — Isso significa que essa temporada pode ser realmente sobre o Doctor tentando corrigir os problemas que ele criou ao longo de suas viagens pelo tempo e espaço.

Isso nos leva a outras declarações do Décimo Segundo Doctor no episódio, que envolvem sua aparência. Seu novo rosto na verdade seria emprestado? O Doctor não se adaptou muito bem ao seu novo rosto, e ao fato de que agora ele tem um sotaque escocês e sobrancelhas que parecem ter vida própria. Em uma cena sensacional com um homem sem-teto, ele fala sobre a estranheza desse novo rosto e sobre já tê-lo visto antes: “É engraçado, pois tenho certeza que já vi esse rosto antes. Nunca sei de onde esses rostos vêm. Eles surgem do nada. Por que escolhi esse rosto? É como se eu tentasse me dizer algo.”

Considerando isso, o novo Doctor estaria usando a mesma face que Caecilius, personagem do episódio “The Fires of Pompeii”, que também foi interpretado por Capaldi. Essa possibilidade de escolha de rosto traça um paralelo interessante com “Destiny of the Daleks”, primeiro episódio da décima sétima temporada da série clássica — com o Quarto Doctor —, em que sua companion Romana, ao se regenerar, pega emprestado o rosto da Princesa Astra, que tinha aparecido na temporada anterior da série.

A escolha do rosto de Capaldi faz o Doctor presumir que ele está tentando enviar uma mensagem importante para seu próprio subconsciente. Mas o quê? O que há sobre o homem que o Doctor salvou em Pompeia que pode ser tão importante? Vale ressaltar que, ao salvar Caecilius, o Doctor provocou uma mudança na história. Ele mudou um ponto fixo da história. “The Fires of Pompeii” mostra o momento em que o Doctor teve que escolher entre destruir Pompeia e deixar 20 mil pessoas morrerem, ou deixar que os alienígenas Pyroviles devastassem e conquistassem o mundo inteiro. Ele escolheu a morte de Pompeia. Mas graças a Donna, sua companion na época, ele salvou a família de Caecilius, salvando pelo menos algumas vidas do desastre.

Essa também foi uma mudança para o próprio Doctor, quando ele mesmo diz para Donna que precisa de alguém — nesse caso alguém que seja sua consciência. — Isso pode ter algum impacto para o propósito desse novo Doctor, uma vez que o rosto de Caecilius pode ter sido escolhido para lembrá-lo de um momento em que ele foi capaz de abandonar sua frieza para ser um bom homem, mesmo diante de uma escolha drástica e difícil. Essa escolha, e a mudança de um ponto fixo da história, também podem ter desencadeado consequências maiores e imprevistas, que talvez sejam contadas ao longo da temporada, explicando melhor as razões por trás do novo rosto do Doctor. Claro que isso pode ser apenas viagem da minha cabeça e as coisas sejam bem diferentes do que estou imaginando. Vamos ver nos próximos episódios.


Doctor Who Deep Breath

Quem é Missy?

Missy é interpretada pela escocesa Michelle Gomez e surge como o que parece ser a grande vilã dessa temporada. Ela é a estranha mulher de preto — que parece uma Mary Poppins do mal — que recebe o androide no paraíso depois que ele morre. Mas onde é o paraíso, exatamente? Quem é Missy? E por que ela acha que o Doctor é seu namorado?

Missy é, aparentemente, a pessoa que deu o número de telefone da TARDIS para Clara, a pessoa que a companion chamou de “mulher na loja” no episódio “The Bells of St. John”. Quando tentava ligar para o suporte técnico, Clara ligou para o Doctor e isso acabou por juntá-los. O Décimo Segundo Doctor questiona isso e diz para Clara: “Há uma mulher por lá fora interessada em que fiquemos juntos.” Isso também nos leva a crer que Missy é a pessoa que colocou o enigmático anúncio de jornal que atraiu o Doctor e Clara para o Restaurante Mancini.

Missy também se refere ao Doctor como seu namorado, falando dele de uma forma meio sinistra, como se fosse uma stalker obsessiva. Curiosamente a cena nos remete ao momento anterior em que o Doctor conversa com Clara e explica que ele tinha pensado em si mesmo como o namorado de Clara em sua vida anterior como Décimo Primeiro Doctor.

Anteriormente a personagem estava sendo chamada como “The Gatekeeper of the Nethersphere”, um nome bem peculiar para alguém que recebe pessoas no “Paraíso”. Ela aparecerá mais para frente na temporada em uma história envolvendo os Cybermen. Pouco se sabe sobre a misteriosa personagem. Mas eu tenho as minhas teorias.

Uma teoria não muito provável, levando em conta a questão do “namorado”, é de que Missy poderia ser na verdade River Song, a esposa do Doctor. A primeiro vez que River aparece é no episódio duplo “Silence of the Library/Forest of the Dead”, quando ela morre. O Doctor, tentando evitar que ela morra definitivamente, salva sua consciência — e um monte de outras consciências —, transferindo-a para um banco de dados com o tamanho de um planeta. Esta versão de River, em forma de dados após a morte, visitou psiquicamente visitou o Doctor em “The Name of the Doctor”. Tendo sido concebida a bordo da TARDIS enquanto atravessava o vórtice do espaço-tempo, River Song nasceu com características genéticas e habilidades semelhantes às dos Time Lords. Sendo assim, ela poderia ter regenerado? Poderia a biblioteca — e sua dimensão armazenado em um banco de dados — ser a tal da Nethersphere?

Outra teoria é de que Missy, cujo nome lembra “Miss” (erro), poderia ser na verdade uma manifestação dos erros do próprio Doctor, haja vista a forma como Missy parece refletir o Doctor — por exemplo, absorvendo seu novo sotaque escocês. — Ela mesma diz sobre o Doctor: “Eu gosto do novo sotaque, acho que vou ficar com ele.” Essa é uma temporada sobre o Doctor tentando lidar com os erros que cometeu, então seria uma possibilidade viável, especialmente se considerarmos também o fato de que ela aparece no momento em que o Doctor supostamente comete um assassinato. Em alguns aspectos, Missy também nos remete ao Dream Lord, a manifestação psíquica do lado sombrio do Décimo Primeiro Doctor, que aparece interpretado por Toby Jones no episódio “Amy’s Choice”.

Outra coisa curiosa é o cenário do “Paraíso” de Missy. O lugar é muito parecido com o jardim da Instalação dos Dois Fluxos de Apalapucia, o planeta que eles encontram sob quarentena por causa de uma praga em “The Girl Who Waited”, décimo episódio da sexta temporada. O jardim é a réplica perfeita da mansão do Governador Shill em Shallanna. Pode ser apenas um cenário reaproveitado, mas também pode ser algo mais — estamos falando de Steven Moffat aqui. — O episódio “The Girl Who Waited” é outro episódio que envolve uma escolha dramática para o Doctor — e no caso para Rory também —, motivada por um erro que ele comete em relação à Amy Pond, que fica presa durante 36 anos no planeta e envelhece. Quando o Doctor salva Amy, sua versão mais velha fica para trás, e ele presume que o futuro em que a Amy mais velha existe nunca terá existido. Acho pouquíssimo provável que exista alguma grande conexão entre Missy e a Amy mais velha — ou com a Interface que controlava a instalação e tinha sido reprogramada por Amy —, mas nunca se sabe, vai que.

Pensando nisso, Missy também poderia ser a própria Clara, ou uma manifestação do lado sombrio dela. O episódio “Deep Breath” explora bastante alguns aspectos negativos da companion, como o certo grau de intolerância para com o Doctor após a regeneração ou o fato de ser eventualmente apresentada como alguém capaz de atitudes controladoras ou manipuladoras. Há ainda a questão de o Doctor ter pensado em si mesmo como o namorado de Clara em sua vida anterior como Décimo Primeiro Doctor. São muitas aparições da palavra “namorado” no episódio, por isso não dá para ignorar totalmente.

Outra teoria é que ela seja na verdade uma nova regeneração do Master, que seria embasada mais por causa dos boatos de que o ator Charles Dance — Tywin Lannister de Game of Thrones — poderia assumir o papel de Master na oitava temporada — embora outros atores também estivessem no páreo para o vilão. — Se fosse o caso, esta seria a primeira vez a vermos uma regeneração em um gênero oposto, algo que já foi bastante comentado e especulado entre os fãs. Mas acredito que essa seja uma possibilidade pouco provável. O Master, ao invés disso, nos abre outra possibilidade, uma até bem interessante. Missy pode ser na verdade uma Time Lord conhecida como Rani.

A Rani, assim como o Master, é uma Time Lord renegada de Gallifrey por suas pesquisas científicas crueis. A Rani era conhecida por escravizar planetas apenas para ter cobaias para seus experimentos e lugares onde pudesse pô-los em prática. A Rani, interpretada por Kate O’Mara, apareceu originalmente nos episódios “The Mark of the Rani” (1985) e “Time and the Rani” (1987), inclusive tendo sido a responsável pela regeneração do Sexto Doctor (Colin Baker) no Sétimo Doctor (Sylvester McCoy). Na época havia indícios sutis de que o Doctor e a Rani possuíam algum tipo de relação complicada no passado, mas isso nunca ganhou forma por causa da suspensão da série em 1989. Utilizar a Rani como grande vilã da temporada seria uma ideia interessante e também parece ser uma das possibilidades mais prováveis até agora. A questão nunca explorada da “relação” entre o Doctor e a Rani poderia ser trabalhada nessa temporada, e poderia ser uma relação romântica mal-sucedida e transformada em uma obsessão vilanesca. Nesse caso o “Paraíso” onde o androide acordou poderia ser na verdade a TARDIS da Rani, que possui um sistema de camuflagem perfeitamente funcional — ao contrário da TARDIS do Doctor. — Por fim gostaria de dizer que o episódio “The Mark of the Rani” inclui um Tyrannosaurus Rex, e isso certamente nos faz respirar fundo por um instante.

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  • Daniel

    Fiquei surpreso por você não lembrar da questão do (spoler) Tom Baker ter aparecido em The Day Of The Doctor, quanto ao fato da explicação sobre o novo rosto do Doctor ser semelhante a alguém que ele conheceu no passado. A meu ver, a explicação daria a entender que no futuro, o Doctor descobre como escolher sua aparência, e dai a frase “somente os favoritos” que o Tom Baker diz para o Matt Smith em The Day Of The Doctor, deixando claro que o TB é de fato uma versão futura do Doctor.

    • http://www.nivelepico.com/ Alan Barcelos

      Sim, isso faz sentido.

      A impressão que eu tive é que o Tom Baker dá a entender com “somente os velhos favoritos” é que ele estava se referindo a revisitar o rosto de Doctors anteriores, mas sim, pode ser que ele tenha se referido à pessoas importantes do passado do Doctor.

      A não ser que o Caecilius seja uma versão desse Doctor de Capaldi, que viajou para o passado e (por alguma razão) começou a viver como humano em Pompeia, sem memória de que era um Time Lord (como no episódio Human Nature, que David Tennant vira humano, como John Smith)…talvez por causa de algo que acontecerá com o ~relógio que ele perdeu em Deep Breath. Mas estou só viajando nas teorias de novo.

      Pelo que o Tom Baker fala, ele pode mesmo ser o Doctor no futuro, ou no passado…ou como ele mesmo diz…”quem sabe?”

      Por outro lado…quando Baker fala sobre ele revisitar os rostos…ele não diz exatamente o porquê. É possível que o Doctor realmente descubra como escolher os rostos, mas por enquanto, a princípio, ele ainda está descobrindo por que ele tem esse novo rosto que lhe parece familiar. O porquê dele ter um rosto antigo parece ser uma das premissas dessa temporada…a intenção do Doctor de lidar com os erros de seu passado.

      Isso me lembra que Baker também fala sobre encontrar Gallifrey…e Gallifrey é sem dúvida um dos maiores erros que o Doctor considera ter cometido, algo que o assombra até hoje.

      Vamos ver o que o Moffat vai fazer nessa temporada. :)

  • yan gabriel dos santos silva

    olha gente eu tenho minha propria teoria sobre a missy na realidade eu acho que ela e a mistura de todas as companias a tardes durante o episodio em que quase ela se destroi pode acontecido um tipo de brecha no sistema da tardes que assim como no episodio qua a tardes vira gente ela misturou os dnas das companions e cria duas duplicatas iguais uma vai para interface da tardes e o outro e ejetado que vaga pelo universo em naves comuns ate que um dia ela esta em um planeta e o planeta e posto em quarentena e assim de alguma maneira ela consegue ter acesso a um satelite ou computador e rackea o sistema e reprogramando o sistema ela o configura para analisar a radiaçao de fundo rcdf (radiaçao cosmica de fundo) e o sem querer capta o sinal do androide essa e a minha teoria sei que tem erros e por isso com avançar da temporada sera aperfeiçoada ou derrubada para mais informaçoes envie um pedido de amizade para mim no face yan gabriel ok ate mais whovians

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