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As Tartarugas Ninja

A história se passa em uma cidade que precisa desesperadamente de heróis. A escuridão se estabeleceu sobre Nova York graças à influência do implacável Destruidor e seu maligno Clã do Pé, que controlam tudo com mãos de ferro, desde a polícia até os políticos. O futuro é sombrio até quatro improváveis heróis surgem dos esgotos da cidade para combater essa ameaça. As Tartarugas Ninja se juntam a repórter April (Megan Fox) e seu cinegrafista rabugento Vernon Fenwick (Will Arnett) para salvar a cidade e desvendar o plano do Destruidor. O filme ainda conta com Alan Ritchson como Raphael, Pete Ploszek como Leonardo, Jeremy Howard como Donatello, Noel Fisher como Michelangelo e Danny Woodburn como Splinter.

(Teenage Mutant Ninja Turtles) – Ação. Estados Unidos, 2014.

De Jonathan Liebesman. Com Megan Fox, William Fichtner, Will Arnett, Jeremy Howard, Pete Ploszek, Noel Fisher, Alan Ritchson e Danny Woodburn. 101min. Classificação: 12 anos.

As Tartarugas Ninja


AS TARTARUGAS NINJA – CRÍTICA

Como reinício da história das tartarugas mutantes no cinema, As Tartarugas Ninja tinha um grande potencial para um grande filme, inspirado na série de quadrinhos criada por Kevin Eastman e Peter Laird em 1984, que depois se tornaram estrelas de desenhos animados, jogos de videogame, brinquedos e outras coisas. Nos anos 90, ganhou uma série de filmes, sendo o primeiro deles a melhor adaptação dos personagens para o cinema. Com aquele clima meio sombrio de anos 90, o filme clássico explorava mais os dramas internos das Tartarugas e colocava o Destruidor e o Clã do Pé como inimigos corruptos e temíveis. Pelos trailers, o novo filme parecia interessado em explorar esses elementos mais densos dos quadrinhos e do longa de 1990, acrescentando um tom de galhofa divertida. Não é o que acontece infelizmente. As Tartarugas Ninja foca apenas na ação e na galhofa divertida, mas esquece a emoção que tornou o filme de 1990 tão marcante.

Isso tem seu lado bom e seu lado ruim. Primeiro é preciso abstrair um monte de coisas, porque os problemas são muitos. O roteiro é básico: heróis conhecem mocinha e descobrem vilão, vilão persegue heróis e mocinha, heróis enfrentam vilão, heróis derrotam vilão. Simples e divertido nesse aspecto. O problema está principalmente no vilão. O Destruidor é um samurai de armadura que dispara facas. Só isso. Sua aparência permanece oculta, mas não instiga mistério. Suas motivações são superficiais. Parece que ele está no filme apenas para ser o vilão mal e todo poderoso com um plano mirabolante que os heróis precisam evitar. Existe outro vilão, e em certo momento, ele conta o plano para os heróis. Como eu disse, bem básico. Eu diria também infantilizado. Aparentemente o foco dessas novas Tartarugas Ninja é mais as crianças — o que é até curioso em um filme de classificação 12 anos — e os adolescentes, ao invés dos fãs de longa data dos heróis. ~Pelo estilo do filme como um todo, e pelo interesse das tartarugas por rap e hip-hop, devo dizer que faltou um Vanilla Ice cantando GO, NINJA, GO, NINJA, GO!

Outra questão é as tartarugas e suas relações. As tartarugas, aliás, são sensacionais! Mas mal exploradas. O laço familiar é deixado de lado em muitos momentos, com apenas alguns acenos para os conflitos entre Leonardo e Rafael e uma conceituação básica de Donatello como o nerd engenhoqueiro do grupo — e devo dizer que Donatello como nerd engenhoqueiro (meio tímido) até que ficou bem maneiro. — Os conflitos entre Leonardo e Rafael e o próprio temperamento explosivo de Rafael sempre foram pontos interessantes das histórias das tartarugas, mas aqui ficam em segundo plano. A montagem parece ter cortado várias cenas com interações mais conturbadas entre eles, e que provavelmente expressariam melhor a importância que os quatro têm quando estão juntos e lutam como uma família unida.

Também não há muita emoção nos personagens humanos, apesar de alguns momentos descontraídos. Megan Fox passa boa parte do filme confusa e tentando acompanhar as mudanças rápidas de enredo. Fichtner é um personagem com uma motivação simplista e tão básica quanto o próprio roteiro. Arnett tem a única função de se igualar às tartarugas no humor, mas não tem tempo suficiente de tela para criar uma impressão duradoura. As Tartarugas Ninja e Splinter possuem um nível convincente de realismo e cumprem adequadamente seus papéis — com direito a Splinter passando a mão na barbicha no melhor estilo Pai Mei de Kill Bill.

Parece que não gostei? Na verdade As Tartarugas Ninja é um filme que posso descrever como legalzinho. Para o que se propõe — ação e entretenimento —, tem bons momentos. O maior destaque é Michelangelo. Ele tem os melhores momentos e as melhores tiradas cômicas, a maioria com alguma referência divertida à cultura pop atual.

As cenas de ação são frenéticas e emulam bastante do estilo cinematográfica explodedor de Michael Bay, que é produtor e certamente deu seus pitacos. Não é difícil perceber onde e como Michael Bay se faz presente. Apesar disso as marcas do cinema do diretor Jonathan Liebesman são bastante evidentes também. Comparando levemente com filmes anteriores dele, As Tartarugas Ninja possui o exagero overpower de Fúria de Titãs 2 e o apelo de um cenário decadente e misterioso como em No Cair da Noite. A melhor cena de ação é a cena de perseguição na neve com um caminhão. Que cena foda! Totalmente alucinada e esquizofrênica, do tipo que precisamos suspender a descrença além da suspensão de descrença cabível a um filme como esse. Também é uma cena rápida e impactante. Exagerada e direta ao ponto. Mas o mais surpreendente e o que deve se mostrar o grande mistério da história das Tartarugas Ninja no cinema é: depois de tanta porradaria e arremessos e saltos em carros na neve, como diabos os óculos do Rafael conseguem permanecer INTACTOS e ainda presos na cabeça! Isso sim é habilidade ninja!

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