Você Viu?

Planeta dos Macacos: O Confronto

Planeta dos Macacos: O Confronto acontece dez anos após o fim de Planeta dos Macacos: A Origem. A civilização foi devastada pela propagação de uma doença chamada Gripe Símia, que reduziu drasticamente o número de humanos no planeta. Depois de anos de conflitos e luta pela sobrevivência, grupos de humanos tornaram-se imunes à doença, vivendo em comunidades isoladas no que restou das antigas metrópoles. Do outro lado, nas regiões selvagens, a comunidade de Caesar (Andy Serkis), formada por macacos inteligentes, cresceu bastante. Eles vivem pacificamente em harmonia com a natureza, acreditando que não existem mais humanos no planeta. Sua vida pacífica é interrompida quando um grupo de humanos aparece na floresta. Liderados por Malcolm (Jason Clarke), eles entram no território de Caesar na esperança de reativar uma antiga hidrelétrica, a fim de trazer a energia de volta para São Francisco. Ambos os lados precisam trabalhar juntos para que isso aconteça, mas o ódio e a desconfiança entre os dois lados, naturalmente, tornam as coisas mais difíceis.

(Dawn of the Planet of the Apes) – Ficção Científica. Estados Unidos, 2014.

De Matt Reeves. Com Andy Serkis, Jason Clarke, Kodi Smit-McPhee, Gary Oldman, Keri Russell, Toby Kebbell e Judy Greer. 130min. Classificação: 12 anos.

Planeta dos Macacos: O Confronto


PLANETA DOS MACACOS: O CONFRONTO – CRÍTICA

Um dos grandes fatores que sem dúvida contribuiu para que Planeta dos Macacos: A Origem alcançasse o sucesso que alcançou é que ninguém esperava muito do filme. Era só mais uma prequel (entre tantos reboots e remakes) baseada em um grande clássico do cinema, O Planeta dos Macacos (1968), que vinha depois de uma experiência pouco gratificante, o remake dirigido por Tim Burton (2001). A baixa expectativa ajudou a impulsionar o primeiro filme dessa versão prequel. O segundo chega com as expectativas mais elevadas e ainda assim consegue superar com excelência todas as expectativas. Planeta dos Macacos: O Confronto é um caso raro de segundo filme que, além de desenvolver a história, melhora o que veio antes, sem perder a essência da história original contada nos anos 60, que é inspirada no livro La Planète des Singes, de Pierre Boulle — pense em como O Império Contra-Ataca é importante para a trilogia clássica de Star Wars; é isso que O Confronto representa o que será essa nova trilogia de Planeta dos Macacos (a intenção até agora é fechar a série com três filmes, com o terceiro previsto para 2016).

Apesar de impressionante, Planeta dos Macacos: A Origem tinha um problema (menor), que era o baixo aproveitamento dos humanos em cena. Os protagonistas humanos tinham algum destaque, mas os grandes protagonistas eram os macacos. O primeiro filme focava mais nos aspectos negativos da índole humana, mostrando como eles seriam responsáveis por destruir a civilização no futuro. O Confronto sabiamente mantém seu foco nos macacos, e ao mesmo tempo direciona nossos olhares para os seres humanos com peso suficiente para transformar o filme do diretor Matt Reeves em uma história emocionante sobre emoções; sobre como paixões e emoções radicais podem ser o estopim para os maiores preconceitos e conflitos.

O roteiro é direto e constrói de forma agradável um cenário impulsionado pelos personagens. Caesar tem momentos de afeto com sua família, sua esposa Cornelia (Judy Greer) e seu filho Blue Eyes (Nick Thurston), assim como Malcolm tenta manter a esperança para seu filho Alexander (Kodi Smit-McPhee) e sua namorada Ellie (Keri Russell); esses momentos de calmaria familiar revelam a complexidade emocional desses personagens. Ao irascível Koba (Toby Kebbel), antagonista do filme, também é dado foco o suficiente para torná-lo mais do que apenas um vilão; assim como acontece com Dreyfus (Gary Oldman), um personagem humano, que apesar de secundário e sem muito tempo de tela, demonstra quão importante é construir um vilão em potencial, tão cativante quanto os principais protagonistas da história.

O interessante é ver como esses pequenos aprofundamentos de personagem são feitos em cenas rápidas e simples, tornando-as importantes sem estender a duração do filme além do necessário. Planeta dos Macacos: O Confronto coloca os humanos em posição de igualdade com os macacos. Cada membro de cada uma dessas espécies tem sua própria personalidade, sua própria história, seus próprios objetivos, e cada um deles lida a sua própria maneira com a ameaça constante de extinção. Eles são importantes para o roteiro e suas decisões têm impacto efetivo sobre os acontecimentos. O resultado é que os caminhos de humanos e macacos se entrelaçam e se espelham, revelando que os dois lados são mais parecidos um com o outro do que imaginam.

Isso é evidente até mesmo no quesito espetáculo. Como humanos e macacos, ação e drama se entrelaçam e se espelham, oferecendo-nos sequências visualmente impressionantes e carregadas de impacto emocional. O filme — que pega muitas inspirações dos clássicos A Conquista do Planeta dos Macacos (1972) e Batalha do Planeta dos Macacos (1973), quarto e quinto filmes da saga original — é firme e até mesmo brutal em mostrar como as coisas podem dar errado em meio a tanto ódio e intolerância. Os tiroteios e as explosões são mostrados com toda a crueldade que se poderia esperar de uma guerra. Não é aquele tipo de ação divertida e bonita de se ver; é o tipo de ação que inspira horror. O caos do ato final é de uma intensidade medonha; Matt Reeves nos apresenta de forma primorosa sua visão do choque entre macacos e humanos e das consequências de suas ações para ambas as espécies. Planeta dos Macacos: O Confronto sente-se como a série original nesse sentido, por contar uma história densa, muitas vezes estranha, e que não está destinada a um final feliz.

Ao longo da história, observamos a sobrevivência de cada uma dessas sociedades, dos humanos e dos macacos. Quando se encontram, acompanhamos o desenrolar de suas conturbadas interações. Os humanos temem os macacos por causa da Gripe Símia, mesmo já tendo adquirido imunidade à doença. Os macacos temem os humanos por vê-los como criaturas arrogantes e violentas que atentam constantemente contra o equilíbrio do mundo em que vivem. O jogo de emoções e a disputa pela “soberania” conduzem o enredo. A tensão é tanta que desde o início sabemos que, no final, o conflito tomará proporções incontroláveis, até o ponto de se transformar em uma guerra, um ponto sem volta. E durante boa parte do filme, pensamos — “quem vai fazer merda primeiro, humanos ou macacos?” —; a nobreza e a intolerância estão em ambos os lados, com exemplares tanto entre os humanos como entre os macacos. Por isso esperamos ansiosamente para saber quem dará o primeiro tiro e começará a guerra que certamente levará a humanidade a ser escravizada pelos macacos no futuro — lembrando que O Planeta dos Macacos (1968) se passa dois mil anos no futuro. — Quando finalmente acontece, é interessante ver como convenções são desconstruídas pelo filme. Os humanos não são tão vilões quanto sempre parecem em histórias apocalípticas. Os macacos não são tão bonzinhos quanto poderíamos esperar.

Se pensarmos ainda pelo ângulo do filme clássico de 1968, há ainda o fato de que os vencedores são aqueles que contam a história no final. Ainda que os macacos tenham sua parcela de culpa no conflito entre as duas espécies, dois mil no futuro, quando eles dominarem tudo, eles é quem contarão a história. Os humanos serão meros escravos, culpados pela queda da civilização — “por transformar o mundo em deserto” —, enquanto os macacos são aqueles que mantêm o mundo seguro da “praga”. O Confronto mostra que as coisas são bem diferentes e que ninguém está limpo nessa história. Humanos e macacos têm suas mãos sujas. Há frutos podres em ambos os lados e esses poucos são responsáveis por manchar de sangue a vida de muitos. O problema é que quando as primeiras gotas de sangue são derramadas, não há como apagar o que está manchado. A guerra torna-se inevitável.

Planeta dos Macacos: O Confronto

Planeta dos Macacos: O Confronto

Planeta dos Macacos: O Confronto

Compartilhe este Post

Posts Relacionados



Inscreva-se no Canal

Resenhas Populares

Rogue One: Uma História de Star Wars

Rogue One: Uma História de Star Wars

It: A Coisa

It: A Coisa

Planeta dos Macacos: A Guerra

Planeta dos Macacos: A Guerra

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Raw

Raw

Siga no Bloglovin’

Follow

Vem Com a Gente

Curta e Compartilhe

Aperte o Play

Nível Épico em Imagens