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Transformers: A Era da Extinção

Transformers: A Era da Extinção é parcialmente inspirado em Transformers: The Movie (1986). Na trama, uma empresa de tecnologia reconstrói Megatron, que foi seriamente danificado após a batalha com Optimus no final do terceiro filme, Transformers: O Lado Oculto da Lua. Megatron é então transformado em Galvatron, um personagem mais insano, bem diferente da personalidade calculista de antes. Cinco anos após o grande confronto entre Autobots e Decepticons em Chicago, os robôs gigantes alienígenas vivem escondidos, agora caçados pelos humanos. Um dia o inventor Cade Yeager (Mark Wahlberg) encontra um caminhão abandonado, que ele decide levar para sua oficina. Enquanto tenta consertar o caminhão, ele descobre que se trata de um Transformer, o líder dos Autobots, Optimus Prime. Ao ajudar a trazê-lo de volta à vida, Cade e sua filha Tessa (Nicola Peltz) começam a ser perseguidos pelas autoridades americanas, determinadas a capturar o mais valioso Transformer conhecido. O problema é que existe muito mais interesses por trás da caçada aos Transformers além de simplesmente proteger o planeta.

(Transformers: Age of Extinction) – Ação. Estados Unidos, 2014.

De Michael Bay. Com Mark Wahlberg, Nicola Peltz, Jack Reynor, Kelsey Grammer, Titus Welliver, Stanley Tucci, Sophia Myles e Bingbing Li. 165min. Classificação: 12 anos.

Transformers: A Era da Extinção


TRANSFORMERS: A ERA DA EXTINÇÃO – CRÍTICA

MICHAEL BAY. Esse é provavelmente o nome mais adorado e odiado e desprezado e subestimado do cinema atual. Sempre que ele anuncia um grande blockbuster, como Transformers ou o vindouro As Tartarugas Ninjas, imediatamente é bombardeado com o que há de mais criativo em termos de comentários sarcásticos depreciativos na internet. Ele é bombardeado principalmente por suas próprias tendências a bombardear seus filmes com o que há de mais explosivo em termos de efeitos especiais. O negócio é que criticar e reclamar e mimimi com Michael Bay parece que se tornou status quo, usado por quem reclama horrores de Transformers porque ele é um blockbuster descerebrado, desperdício de dinheiro, que inexplicavelmente vai fazer rios de dinheiro nas bilheterias… Besteira. Sinto informar que enquanto estamos criticando, reclamando e mimizando sobre Michael Bay, ele está sambando na nossa cara com o mesmo sarcasmo que usamos contra ele.

O novo Transformers possui robôs gigantes que se transformam em dinossauros e uma arma que faz pessoas explodirem, congelarem e explodirem em chamas, tudo ao mesmo tempo. E também possui metáfora. Isso mesmo. Michael Bay usa uma metáfora! E seu filme é mais esperto do que muitos gostariam de admitir.

Quando o inventor de Mark Wahlberg, que está sempre atrás de uma sucata velha para consertar ou remodelar, entra em um cinema abandonado — com os dizeres “Obrigado por 79 grandes anos!” no letreiro —, ele descobre um caminhão velho lá dentro, sucateado e empoeirado, mas aproveitável. Então o dono do cinema, enquanto transita pelo lugar, diz: — “Ah, os filmes de hoje em dia, sequências e remakes, um monte de porcaria.” — Enquanto o dono do cinema expressa sua indignação, soltamos um riso leve, pela graça irônica de Bay, que brinca com o fato de ele próprio estar fazendo um remake de si mesmo. Transformers: A Era da Extinção é um reboot que não parece um reboot, quase um remake da trilogia anterior, que na verdade está abrindo caminho para uma nova trilogia. Esse é apenas o começo. Ainda teremos Transformers CINCO e SEIS.

Num determinado momento, o inventor de Wahlberg se vira para a filha e diz: — “Eu estou pedindo para você olhar para o lixo e ver o tesouro.” — E existe um tesouro em meio ao lixo, acredite.

O quarto Transformers é um lixo ousado, e acima de tudo, honesto. Não importa o quanto critiquem Michael Bay, ele abertamente se posiciona diante de seus filmes. Ele assume seu estilo, e não muda porque é criticado. Ele é exagerado, para caralho, tem seus próprios métodos e sua própria estética, e não tem medo de usá-los. Se olharmos com um panorama mais amplo, Bay é uma representação evidente do cinema épico overpower de hoje em dia.

A Marvel Studios, por exemplo, que também é uma representação desse tipo de cinema, não teve tanto dessa coragem com Homem de Ferro 3, quando foi ousada ao criar um Mandarim fake, apenas para depois, em um de seus curtas, desmentir tudo dizendo que existe um Mandarim de verdade e que ele está por aí. Os fãs chiaram e reclamaram do Mandarim. A Marvel voltou atrás. A ideia de um Mandarim de verdade é interessante, mas também é uma prova de que a Marvel não teve cacife para segurar suas próprias decisões. Desculpem-me os que chiam e reclamam, mas Michael Bay pelo menos é corajoso em assumir sua postura, e por isso tem meu respeito.

Transformers: A Era da Extinção, meu amigo ou minha amiga, é o Michael Bay brincando com o estilo de cinema que ele próprio ajudou a construir. Sobretudo é um filme sobre a forma dos filmes atuais. Apesar de ser frequentemente responsabilizado por “destruir” o cinema, Michael Bay mostra que pretende manter seu lugar no rol de cineastas do cinema pop atual, com todas as explosões e todo o exagero que lhe é característico.

Transformers é um filme feito para desligarmos o cérebro e apreciá-lo em toda a sua extravagância exagerada. Como uma espécie de reboot, possui muitos elementos da trilogia anterior, acrescentando novos personagens e um novo enredo. Se você não tiver visto nenhum dos outros três filmes, poderá ver esse sem problema. MAS se você não tiver visto os outros três filmes e se divertido com eles, provavelmente você não gostará nem se divertirá com esse. Porque como eu disse, o estilo e a estética são os mesmos.

O básico sobre a trama é rapidamente estabelecido no primeiro ato. Os Autobots são robôs gigantes alienígenas que lutaram pela humanidade no passado, e são heróis, mas estão sendo caçados pelos humanos. Os Decepticons são vilões. Depois da Batalha de Chicago — o desfecho de Transformers: O Lado Oculto da Lua —, o governo dos Estados Unidos começou a ignorar essa distinção. Todos os robôs são inimigos. Nosso herói humano e protagonista da vez é o inventor engenhoqueiro Cade Yeager — o nome do cara é CADE YEAGER! e você ainda duvida que a galhofa é proposital?! —, que encontra a carcaça esquecida de Optimus Prime e o ajuda a se recuperar, trazendo o líder dos Autobots de volta à vida. A história segue a partir dessa premissa, até alcançar o momento em que Cade ajuda Optimus também a recuperar sua confiança nos humanos.

São vários enredos na verdade, trabalhados separadamente, e se conectando aos poucos, criando uma virada atrás da outra e uma série de acontecimentos que mantêm o filme em movimento. Acontece muita coisa. Muita coisa mesmo. Transformers é frenético, e graças a isso a duração excessiva incomoda um pouco menos. Esse talvez seja o verdadeiro problema desse quarto filme, com seus 165 minutos. Bay gasta muito tempo com algumas cenas — como a nave sugando destroços e soltando de volta —, e “enche bastante linguiça”. Um pouco dessa gordura de efeitos visuais poderia ter sido retirada na edição, sem que isso atrapalhasse o andamento das cenas. O filme poderia ter uns 30 minutos a menos, que ainda funcionaria numa boa com sua proposta.

Transformers: A Era da Extinção, apesar do título, é um filme sobre nascimento e renascimento de um herói e sobre ser um herói. Por um lado apresenta Cade, um homem sonhador e até certo ponto imaturo, como um pai que luta para proteger sua filha adolescente e cresce como pai e herói. Por outro, foca em Optimus Prime, que se depara com segredos sobre suas origens, e precisa crescer como líder e herói. A relação amistosa entre Cade e Optimus é agradável.

Mark Wahlberg ajuda bastante no carisma de seu personagem, em parte graças ao jeito amigável do ator, em parte pelo fato dele embarcar na brincadeira de Bay — algo que já vimos em outra parceria entre o ator e o diretor, no filme Sem Dor, Sem Ganho. — Wahlberg compõe um personagem interessante, um inventor subestimado de bom coração, que se esforça para cuidar da filha e ajudar os outros, embora ele próprio esteja quebrado por dentro. Nicola Peltz, ainda que não tenha muita função real dentro da ação, é tratada de forma mais contida do que as personagens femininas anteriores — Megan Fox e Rosie Huntington-Whiteley — e representa um contraponto para Cade, pois é mais madura e menos impulsiva. Peltz funciona basicamente como donzela em perigo que motivo o herói, nada mais — e é uma linda! — O que atrapalha um pouco é o namoradinho dela, interpretado por Jack Reynor, que é um personagem chato, sem graça e extremamente vazio.

TJ Miller arranca alguns momentos engraçados como Lucas, amigo surfista e parceiro de negócios de Cade. Kelsey Grammer e Titus Welliver também se saem bem com seus agentes do governo soturnos e dispostos a fazer o que for preciso para alcançar seus obscuros objetivos. A atriz chinesa Bingbing Li — que é uma linda também! — aparece pouco, mas é afiada e divertida em cada aparição. Agora o maior destaque é Stanley Tucci, que interpreta Joshua Joyce, um bilionário considerado mestre da tecnologia, cuja empresa faz pesquisas baseadas em Transformers. Joyce é um homem que se tornou cego por causa de seu desejo por atingir o ápice das inovações tecnológicas e científicas, e acabou não percebendo o mal que estava criando. Mas é por sua índole confusa que o personagem funciona tão bem. Tucci inspira o bom humor e a extravagância exagerada do filme, e torna o desfecho mais divertido com seus faniquitos, seus comentários sarcásticos e seus flertes sem noção.

No lado dos Transformers, vários novos robôs são adicionados ao elenco. Bumblebee está de volta sem qualquer menção ao velho amigo Sam — é para ser um recomeço mesmo ao que tudo indica. — Há dois novos Transformers que não ganham tanto destaque, um com estilo de gângster britânico, outro que é um samurai clássico. Dentre os novos, o mais sensacional é Hound, que aparece com aspecto de velho bonachão e sacana, barbudo, mastigando charuto, dublado por John Goodman — praticamente como se o robô tivesse saído de O Grande Lebowski.

Optimus Prime está mais amargo, ressentido pelas ações dos humanos contra os Autobots. O filme é centrado nele, e faz uso inteligente do grande líder dos Transformers, tanto na ação quanto no drama. Optimus começa a questionar suas crenças idealistas na Terra e na humanidade, revelando um lado mais sombrio e cínico, diferente de suas convicções heroicas. Pela primeira vez, somos apresentados a um Optimus “fragilizado” pela perda de seus companheiros e pelos sacrifícios que teve que fazer em sua luta para defender a Terra. Com isso também acompanhamos sua redescoberta com herói e como o grande líder que é.

Michael Bay garante aos seus novos personagens robôs um pouco mais de desenvolvimento, mas do que os personagens robôs da trilogia anterior. O momento da redescoberta de Optimus acontece em uma sequência empolgante com os Dinobots — que são na verdade Transformers que se transformam em robôs dinossauros, criados originalmente em 1984 no episódio do desenho animado S.O.S. Dinobots. — Embora amplamente explorados nas campanhas de divulgação do filme, seu tempo real de tela é pequeno, menos tempo do que gostaríamos. O objetivo dos Dinobots em cena é simples: levantar o moral de Optimus e elevar o nível do espetáculo visual na tela. E nesse quesito eles são só vitória. No que se propõe, para falar a verdade, Transformers: A Era da Extinção é bem o que se poderia esperar de um filme blockbuster overpower do Michael Bay — um espetáculo visual extravagante e absurdo e divertido. Como não seria? Tem até dinossauros! Que viram robôs. O OPTIMUS CAVALGA UM T-REX. Que vira robô. Isso é muito maneiro! Eu me empolgo com as pequenas coisas, sim, porque é nas pequenas coisas que encontramos o tesouro em meio ao lixo.

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