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Everywhen

Everywhen se passa em algum momento no futuro e mostra um mundo onde o teleporte se tornou parte do cotidiano das pessoas, assim como o uso de microchips que fornecem conhecimento sobre determinadas habilidades de forma instantânea. Esses microchips podem ser inseridos no pulso e se tornaram representação da forma como o ensino é transmitido nesse mundo. Apesar desses elementos futuristas, esse é um mundo bastante normal. Ian (Harald Evjan Furuholmen) é um adolescente que trabalha e se vira para cuidar bem de seu irmão mais novo, Dylan (Hauk Phillip Bugge), enquanto os pais estão fora. Dylan é adotado e um dia decide tirar a própria vida enquanto Ian vai para o trabalho; ele deixa um bilhete no bolso de Ian, que é descoberto somente mais tarde. Ao encontrar o bilhete, Ian teleporta de volta para casa, desesperado, mas não encontra Dylan. O que Ian não percebe é que seu mundo mudou. Sua casa tem similaridades, mas é diferente, mais desleixada. As ruas estão estranhamente vazias. Ian está em uma realidade alternativa.

(Everywhen) – Ficção Científica. Noruega, 2013.

De Jarand Breian Herdal. Com Harald Evjan Furuholmen, Hugo Herrmann, Brathen Elin Synnøve, Graeme Whittington, Hauk Phillip Bugge, Rune Dennis Tønnessen e Ruben Løfgren. 70min. Classificação: 14 anos.

Everywhen


EVERYWHEN – CRÍTICA

A premissa do cenário já é intrigante apenas por trabalhar com uma ideia que nós adoraríamos concretizar no mundo real: o teleporte. Nesse caos cotidiano de trânsito caótico que vivemos nos centros urbanos, seria ótimo transpor distâncias em um piscar de olhos. Claro que como uma boa ficção científica, a tecnologia gera implicações ruins também. No caso do filme, pessoas começam a desaparecer por causa do sistema de teleporte.

Na realidade original — que pode ser a alternativa, mas vou tratar como a original —, a polícia, liderada por Jane Scott (Brathen Elin Synnøve), está fazendo o possível para descobrir o que aconteceu com as pessoas que desapareceram, cujo número já atingiu a casa dos três bilhões. Um dos assistentes de tecnologia da polícia descobre uma correlação entre os desaparecimentos e o teleporte, embora não consiga definir por que eles estão desaparecendo ou se vão voltar.

Na realidade alternativa, Ian é surpreendido por um adolescente com uma arma (Hugo Herrmann). O adolescente — chamado apenas como “The Helper” nos créditos — quer saber o que Ian está fazendo em sua casa. Depois de uma briga, os dois descobrem que estão em uma situação parecida. Na realidade alternativa, Dylan é nome do irmão mais novo de “The Helper” e ele também está desaparecido. Os dois decidem trabalhar juntos para encontrar uma solução para o problema de ambos.

Eles então partem em busca do homem que criou o sistema de teleporte, Thomas Wilfred (Graeme Whittington), pois apenas ele pode ajudá-los. Wilfred revela que seu sistema de teleporte é a causa dos desaparecimentos, já que ele também foi uma vítima de seu próprio sistema, e agora ele está ciente de que o sistema é uma maneira de se conectar com um grande número de realidades e mundos alternativos. O problema é que ninguém pode viajar de volta para seu próprio mundo, a menos que use um microchip especial, também criado por Wilfred. Os dois últimos microchips são mantidos no escritório de Wilfred, e para recuperá-los, Ian e “The Helper” precisam invadir o local, evitando a polícia, que estão seguindo a mesma pista que eles.

Originalmente concebido como um projeto da escola, Everywhen é uma criação do diretor Jarand Breian Herdal, que também co-escreveu o roteiro, e do editor Jens Peder Hertzberg, quando eles tinham 17 anos. Apesar da inexperiência e dos baixos recursos — um orçamento de 6.500 € —, eles conseguiram produzir um filme interessante em cima de uma premissa sólida de ficção científica.

Com visual impressionante, o cenário futurista é revelado através de efeitos simples e eficientes — o dispositivo com tela holográfica do lado de fora de uma escola que mostra o horário de funcionamento é uma ideia bem maneira, além do próprio sistema de teleporte e dos microchips. — As divergências entre o mundo “real” e o mundo alternativo onde Ian está são bem pensadas e bastante sutis. Perceber de primeira que se trata de um mundo alternativo é até um pouco difícil. Os diálogos são bastante expositivos, muitas vezes acrescentando uma estranheza que favorece o clima do cenário. Furuholmen e Herrmann são convincentes, apoiados por Synnøve e outros atores que compõem o núcleo policial.

Como um suspense de ficção científica e ação, produzido por estudantes e com baixos recursos, Everywhen mostra que com uma boa ideia e criatividade é possível realizar um filme inteligente. Com seus temas sobre o que constitui a realidade e sobre como a tecnologia pode ser perigosa mesmo quando visa melhorias sociais, o filme se inspira em obras de ficção científica — como os filmes Os Doze Macacos e Matrix ou a série Fringe — para contar uma história forte, bem desenvolvida, que trabalha alguns conceitos instigantes e ainda consegue criar laços emocionais importantes para seus personagens. O filme é em muitos níveis melhor do que o seu orçamento, uma prova do talento de seus realizadores, Herdal e Hertzberg.

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