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The Normal Heart

Início dos anos 1980 em Nova York, a AIDS, ainda sem esse nome, começava a matar. Esse é o cenário do filme The Normal Heart (Estados Unidos, 2014), dirigido por Ryan Murphy (Glee) e baseado na premiada peça de mesmo nome de Larry Kramer. O filme mostra o inicio da epidemia de AIDS e como a comunidade gay em Nova York reagiu às mortes, à falta de informação e, principalmente, ao descaso das autoridade. E é impossível chegar até o final das pouco mais de duas horas de filme sem derramar uma lágrima.

Nessa segunda década dos anos 2000 é até um pouco difícil de acreditar que a AIDS era uma sentença de morte no século passado. Os mais novos, que se lembram desses anos sombrios e de muito medo, estão hoje na casa dos trinta anos. É essa atmosfera de medo, de incerteza e de muito preconceito que é mostrada no filme da HBO.

The Normal Heart

A história se baseia, e muito, na vida do próprio Larry Kramer, um dramaturgo e ativista que escreveu a peça ainda em 1985. Sua versão na tela é Ned Walker (Mark Rufallo), um escritor que depois de ver um amigo morrer de AIDS começa a sua batalha contra o descaso das autoridades e da própria comunidade gay. Ned funda, junto com amigos, uma organização que visa educar a comunidade gay sobre a nova doença, então chamada de câncer gay. No processo de luta para que alguma coisa seja feita contra a epidemia, Ned acaba alienando todos a sua volta.

O filme é um pouco irregular. Algumas das mortes acontecem rápido demais, antes que o espectador seja capaz de criar uma relação com o personagem, isso até mostra o quão cruel é essa doença e quão assustadora era ela na década de 1980, mas para o espectador acaba sendo apenas uns extras morrendo, sem grande impacto emocional. É um filme cheio de grandes discursos, dois deles são memoráveis. O de Ned com o irmão sobre o preconceito é um daqueles discursos que pode muito bem ser repetido hoje sem tirar uma vírgula. O outro é o de Tommy (Jim Parsons) no velório de um amigo. É o discurso que dá a dimensão dos estragos que a AIDS fez em uma geração; é impactante e triste.

As produções feitas pela HBO costumam se destacar pelas grandes interpretações, foi assim com Kate Winslet em Mildred Pierce e Michael Douglas em Behind the Candelabra; aqui Mark Rufallo está muito bem, mas não é uma interpretação incrível. Matt Bomer com seu Felix chama a atenção pela sua transformação física e Julia Roberts não tem força como a médica Emma Brookner.

A HBO se notabilizou em produzir filmes ou séries sobre AIDS. Em 1993 ela explorou a batalha para desvendar como a doença funciona e o isolamento do vírus no bom filme E a Vida Continua, dez anos depois foi a vez de uma série em seis episódios dirigida por Mike Nichols e estrelada por Meryl Streep e Emma Thompson, a ótima Angels in America. Um pouco mais de dez anos e o canal volta a falar do mesmo tema. Volta a mostrar como foram difíceis os primeiros anos de convivência com a AIDS e, no ano em que se premiou Matthew Mcconaughey pela luta de um cowboy com AIDS, é bom lembrar como o preconceito contra os homossexuais teve um papel importante no descaso da sociedade dos primeiros anos.

The Normal Heart

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