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Godzilla

A arrogância humana é o ponto focal de Godzilla (EUA, 2014) que mostra a prepotência do ser humano em achar que consegue controlar forças da natureza milenares, que se libertam em nosso mundo. O homem prefere destruir e atacar ao invés de esperar e observar, o que poderia ser uma boa forma de lidar com muitas situações atuais. Essa prepotência ficou bem clara lá em 1998, quando Godzilla ganhou uma versão para o cinema pelas mãos do diretor Roland Emmerich e o roteirista Dean Devlin. Godzilla virou um monstro insano, que decide destruir Nova York para proteger sua cria, tornando a produção um filme catástrofe meia-boca e não um super filme sobre um dos monstros mais incríveis já criados, que tem nome de deus.

Em 1954, quando Godzilla foi criado por Ishiro Honda, era uma metáfora ao inferno nuclear pelo qual passaram as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, onde ele teria despertado por causa da bomba atômica, tornando-se um dos seres mais antigos do mundo, que às vezes podia ser um herói, às vezes podia ser apenas destruição. É a estrela principal da Toho Company, que produziu 28 filmes com o mais famoso kaiju da cultura pop, o rei dos monstros. Gojira no original, uma combinação entre as palavras, gorira (gorila em japonês) e kujira (baleia em japonês), ganhou o nome Godzilla em 1956, quando o primeiro filme chegou aos EUA. Lá ele era o rei dos monstros, mas com um nome de deus, talvez por sua força destrutiva incapaz de ser contida.

Godzilla

Godzilla sempre foi muito mais do que apenas um monstro gigante. Ele é um ícone de muita força dentro da cultura pop atual, que influencia outras obras, não apenas no cinema, como também quadrinhos e games. Por todas essas razões, o que aconteceu em 1998 era quase ofensivo a esse personagem tão importante. Felizmente, Gareth Edwards e Max Borenstein resgataram-no, e o rei dos monstros voltou ao cinema com toda a sua glória.

Completamente baseado nos filmes originais, Edwards começa sua produção mostrando os testes nucleares realizados na década de 50, no Pacífico, o que podemos ler como uma alusão ao horrível incidente do Lucky Dragon 5, um navio pesqueiro de atum que foi exposto a radiação durante testes nucleares em 1954, e que também inspirou a criação de Godzilla, na mesma época. Nessa abertura o filme começa em 1999, quando um enorme esqueleto é encontrado em uma caverna gigantesca por pesquisadores. Na mesma época, um terrível acidente em uma usina nuclear no Japão, resulta em morte e total evacuação da área próxima à usina, assim como sua desativação. Quinze anos depois, um dos engenheiros que na época trabalhava na usina, Joe Brody (Ryan Cranston), procura por respostas ao que realmente aconteceu. Seu filho, Ford (Aaron Taylor-Johnson), agora faz parte da Marinha norte-americana e precisa buscar o pai, que foi preso por ultrapassar terreno privado. Ainda no Japão, pai e filho acabam testemunhando o despertar de algo monstruoso que havia crescido no terreno da antiga usina nuclear, um enorme monstro impossível de ser detido e que sai voando na direção do Pacífico, criando pânico em todo o mundo.

A partir dali começa um interessante embate entre natureza e força humana. Apesar da orientação do cientista, Doutor Ishiro Serizawa (Ken Watanabe), a não tomar nenhuma atitude drástica, pois aquela situação se resolverá já que o estranho monstro tem um predador natural que irá caça-lo. O Godzilla. Mas o Almirante William Stenz (David Strathairn) acredita que é seu dever e da Marinha cuidar da situação da forma mais eficaz e agressiva possível, provando a teoria do Doutor Serizawa de que a arrogância humana é seu pior inimigo.

O mais incrível nesse novo Godzilla é a honestidade de Gareth Edwards em homenagear as produções originais da Toho Company, ao mesmo tempo que cria uma nova identidade para o monstro. Cenas aéreas de pessoas fugindo de monstros – que os veem como formiguinhas -, a cidade de Tóquio e o cientista japonês, são alguns dos elementos clássicos que ele usa misturado a uma câmera subjetiva, que aumenta o suspense em relação a tudo que está acontecendo, além de modernizar os filmes de monstro. Todo o ponto de vista do filme é através das vítimas dessas criaturas magníficas. Janelas de carros, vislumbres durante fugas e até uma das cenas mais belas do filme, que mostra um incrível embate entre dois monstros enquanto soldados pulam de para-quedas muito próximo a eles.

Edwards, que tem um bom currículo, que inclui um ótimo filme de monstros e um documentário sobre desastres naturais, mistura bem seus dois estilos, ao dar um ar documental à produção. O elenco também conta muito a favor, em que grandes atores brilham como coadjuvantes de um protagonista mítico. Todo o filme é muito bem orquestrado, segurando até o fim a excitação sobre todo o poder de Godzilla, mantendo o suspense de forma crescente. Sua trilha sonora dramática, que por vezes lembra uma ópera, atua de forma perfeita com a trama, com sua belíssima influência asiática. É composta por Alexandre Desplat, que nunca compôs para nenhum filme desse estilo.

Com todos os elementos muito bem relacionados entre si, a melhor definição para Godzilla é a de que realmente lembra uma ópera, com atos definidos, momentos crescentes de total suspense e uma final apoteótico que levará os fãs da Toho a agradecerem pelos cineastas terem resgatado seu maior ídolo e finalmente terem lhe dado um filme a sua altura.

Godzilla

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