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Oldboy – Versão 2013

Não é fácil assistir ao remake de um clássico sem comparar o material antigo com o novo, por isso tentei assistir ao novo Oldboy com a mente aberta, sem estabelecer muitas comparações. Oldboy: Dias de Vingança (Oldboy, EUA, 2013), dirigido por Spike Lee, possui o conceito e a violência gráfica do original, mas as diferenças de ambientação e desenvolvimento não são tão interessantes.

O remake conta a história de Joe Doucett (Josh Brolin), um homem que é sequestrado e aprisionado no aniversário de sua filha. Durante vinte anos, ele permaneceu preso, e após sua libertação, inicia uma jornada para descobrir o motivo de sua prisão e se vingar de seus captores. Ele logo descobre que seu sequestrador tem planos para ele mais tortuosos do que o confinamento solitário. Adrian Pryce (Sharlto Copley) é um bilionário misterioso que tenta destruir a vida de Joe, enquanto Marie (Elizabeth Olsen) é uma enfermeira que ajuda Joe a investigar o passado. Nesse mistério, há ainda Chaney (Samuel L. Jackson), dono do local onde Joe foi mantido em cativeiro.

Oldboy: Dias de Vingança

O filme original de Oldboy, lançado em 2003 e dirigido por Chan-Wook Park, ganhou vários prêmios na época da estreia, e é baseado na série de mangá de mesmo nome escrito por Nobuaki Minegishi e Garon Tsuchiya. Curiosamente, o remake de Spike Lee se mostra apenas um produto baseado no longa coreano, sem interesse em oferecer algo novo. O próprio Spike Lee parece pouco interessado em aplicar sua assinatura. Dias de Vingança é cheio de referências ao filme de Chan-Wook, mas não tem o mesmo impacto. Parte da trama se passa em Chinatown e possui elementos especificamente orientais, aparentemente para capitalizar em cima dos aspectos e das sensações do cenário original na Coreia do Sul. Ainda que isso pudesse criar certa identificação por parte dos fãs de Oldboy, no fim, acaba apenas soando como uma repetição superficial.

Em termos de história, a linha-guia da trama é basicamente a mesma, mas alguns caminhos da vingança e a lógica do antagonista são alterados na tentativa de causar o máximo de choque com as revelações. Isso enfraquece a história — como remake e como filme em si —, pois a questão da vingança é colocada em segundo plano em prol da violência pura e simples e feia. Dias de Vingança não possui a crueldade fria e relutante que tornou a história do original tão cultuada. A crueldade existe, mas o remake se esforça tanto para causar impacto — sem sucesso — que acaba esquecendo de todo o sentimento de angústia e desespero que deveria existir por trás dessa crueldade.

O elenco é que favorece o filme. Josh Brolin é eficiente no papel, transmitindo raiva nos olhos e no rosto marcado de seu personagem, mas nos momentos mais calmos e compassivos, ele perde força. Enquanto está confinado em seu quarto, ele é excepcional, e o filme ganha bastante fôlego. Spike Lee utiliza alguns pedaços familiares do filme original, mas a coisa toda é tão envolvente que qualquer logo as similaridades são esquecidas. Brolin percorre uma série crível de emoções e ações, da depressão à raiva e para as oscilações de humor e desejos, até que finalmente ele começa a agir. As imagens de eventos atuais exibidas na televisão — a eleição de Bill Clinton, o 11 de Setembro, o furacão Katrina, a eleição de Barack Obama etc. — acrescenta um fardo real às duas décadas de confinamento.

Quando é libertado, Joe começa sua jornada de vingança, só que o sentimento de vingança vai esvaziando ao longo da trama. Elizabeth Olsen é uma atriz talentosa, e consegue trabalhar da melhor forma possível sua personagem, Marie, que é desenvolvida muito artificialmente pelo roteiro. Embora a construção de personalidade e comportamento seja voltada para sua importância no drama da história, suas motivações nunca são claras e sua inserção nos conflitos de Joe acaba soando forçada. Já o vilão Adrian, de Sharlto Copley, é igualmente mal-desenvolvido, até o ponto de ser sofrível. Mas assim como Olsen concede algum charme para Marie, Copley — que é igualmente talentoso — consegue transformar seu desempenho em algo maior. Seu vilão é um verdadeiro demente, e é tão ridículo que chega a ser brilhante. É tão ruim que impressiona.

Oldboy: Dias de Vingança, por suas referências, poderia soar como uma homenagem ao filme original, ao invés de terminar como um simples remake. Apesar dos bons momentos proporcionados pelo elenco, o resultado é sem propósito e deselegante. A violência é apenas nojenta, sem real emoção ou propósito. Faltou um pouco da brutalidade perversa e da distorção de valores que esse tipo de história demanda — e que o filme original usa muito bem. O filme também se leva tão a sério que suas deficiências se tornam ainda mais óbvias. Isso fica mais evidente quando acontece a icônica sequência de luta em que o protagonista enfrenta dezenas de caras armados com um martelo. A luta é tosca e sem inspiração. Assim como é esse remake. Tosco e sem inspiração.

Oldboy: Dias de Vingança

Oldboy: Dias de Vingança

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