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Orange is the New Black – Primeira Temporada

Geralmente as séries com elenco preponderantemente feminino são feitas de forma quase que exclusiva para este público. O modelo desta fórmula é Sex and the City, com interesse quase nulo do público masculino para elas. Orange is the New Black (EUA, 13 episódios, 2013), série original da Netflix, no entanto, veio para quebrar este paradigma, mostrando o dia a dia de uma prisão feminina de forma tão universal que a questão de gênero, embora importante para a trama, acaba no final ficando em segundo plano, com destaque para os dramas humanos de suas personagens.

Orange is the New Black

Produzida por Jeni Kohan (Weeds), e inspirada num livro de memórias de Piper Kerman, a série conta a história de Peper Chapman (Taylor Schilling), uma mulher de classe média alta de 30 anos condenada a quinze meses de prisão por envolvimento com o tráfico de drogas internacional. Vamos acompanhar então a sua vida enquanto cumpre pena, junto ao drama pessoal das demais detentas com quem convive atrás das grades.

O mérito da série é fugir do lugar comum dos dramas relacionados à prisão. Não se trata do retrato do Inferno na Terra, onde cada pessoa é uma ameaça às demais. É claro que existem momentos barra-pesada, mas o foco é na convivência entre as detentas, com amizades e brigas comuns ao convívio humano. Os policiais também não são apenas figuras de autoridade abusivas – embora haja o abuso em alguns momentos. Assim, a grande força é o desenvolvimento dos personagens. Todos são capazes de boas e más atitudes, inclusive a protagonista. Essa ausência de maniqueísmo torna tudo mais interessante.

O tom geral oscila entre o drama e a comédia, com direito a diálogos afiados e com referências a cultura pop dignos de Quentin Tarantino. A estrutura da série se utiliza de flashbacks para contar a história das mulheres antes de serem presas, nem sempre mostrando o motivo de condenação das mesmas. Lembra um pouco Lost, só que nem sempre as cenas do passado se encadeiam numa trama única ou se ligando ao que é mostrado no presente, ficando por vezes soltas dentro do episódio.

O elenco é afiado, com nomes como Jason Biggs e Laura Prepon, garante boas interpretações ao longo da série. Desta forma, mesmo os coadjuvantes acabam por garantir seu espaço. Um destaque especial é para a atriz transgênero Laverne Cox, que interpreta a personagem Sophia Burset, que em seus flashbacks antes da operação é interpretada pelo irmão gêmeo da atriz.

As cenas de sexo e nudez não chegam ao nível da HBO, mas são bem elegantes, misturando sensualidade com muito bom humor, além de mexer com os fetiches relacionados ao lesbianismo de forma bem inteligente.

A forma serializada, em 13 episódios que vão ao ar na internet no mesmo dia, acaba privilegiando uma narrativa longa, sem correrias, possibilitando o desenvolvimento dos personagens quase como se fosse um único grande longa. Embora em um ou outro momento haja problemas de ritmo, a série tem saldo bastante positivo. Com roteiro ousado e inteligente e seus personagens carismáticos, a série acaba se tornando destaque mesmo dentro do bom momento da TV norte-americana, o que não é pouca coisa. Com um encerramento inesperado, ela deixa os fãs ansiosos para que venha logo a segunda temporada.

Orange is the New Black

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