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Os Últimos Dias de Krypton

A origem do Superman já foi contada de diversas formas, nas mais diferentes mídias, sendo assim uma das mais conhecidas histórias da cultura pop. Mas o quanto realmente sabemos do planeta natal do herói da DC Comics? Mesmo nos quadrinhos, a cada nova fase os roteiristas parecem mudar mais um pouco de como foi a vida em Krypton. Imagine então se somarmos filmes, série de TV, rádio e etc, cada um com sua própria abordagem.

O grande mérito do escritor Kevin J. Anderson foi fazer uma versão definitiva do planeta em Os Últimos Dias de Krypton (The Last Days of Krypton, EUA, 460 páginas, 2007), que remete a todas estas diferentes visões do primeiro lar do Superman, e ainda assim, consegue ter uma voz própria, tornando o que poderia ser um mero spin-off burocrático em um trabalho verdadeiramente autoral.

Os Últimos Dias de Krypton

Anderson, conhecido por incursões literárias nos mundos de Star Wars, Arquivo X e Duna, apresenta um romance que funciona mesmo para quem não é familiarizado com os quadrinhos. Aliás, pode-se afirmar que a obra é uma boa introdução ao universo do Superman. Quem gostou do filme mais recente do personagem deverá também curtir este livro, publicado no Brasil pelo selo Fantasy – Casa da Palavra.

Apesar do final já ser conhecido, o início da história ainda não era até agora. Anderson nos mostra as vidas de solteiros de Jor-El e Lara, quais os seus papéis dentro do planeta, como se conheceram, se apaixonaram e morreram. Também conhecemos Zor-El (pai da Supergirl, embora ela não apareça no livro) e muitos outros grandes kryptonianos. E claro, há a presença do grande vilão General Zod.

O interessante é que a relação entre Zod e Jor-El é ambígua. O general não é apenas um homem mau com planos de dominação mundial, mas alguém que tenta proteger seu mundo sem medo de sujar as mãos, embora seja inegável sua sede de poder. Jor-El, por outro lado, apesar de grande cientista e bem intencionado, prefere ficar em seu mundinho e se omitir politicamente, desta forma contribuindo sem perceber para a manutenção da inércia do status quo que, em última análise, resultou na destruição de Krypton.

Anderson consegue ainda retratar de forma magistral a vida sob uma ditadura: o apoio cego de alguns ambiciosos, o olhar para o lado de muitos até ser tarde demais, os aproveitadores e a oposição que pega em armas até se tornar também um perigo. Tudo isso está no romance. E mais, quando Zod finalmente é capturado, o leitor certamente discordará da visão do general, mas entenderá o porquê dele ser como é.

Ainda há no livro questionamentos contra a corrida armamentista e a guerra. Enquanto os kryptonianos lutam entre si, a verdadeira ameaça à sua espécie é sumariamente ignorada por quem tem o poder de fazer algo. Comparações com o aquecimento global e outros problemas terrenos não são fora de propósito.

A abordagem de Krypton na obra é muito calcada nos alicerces da ficção científica, e fica claro que Zack Snyder bebeu muito dessa fonte para realizar seu filme O Homem de Aço, principalmente nos minutos iniciais. Embora sejam universos diferentes, não deixam de ser complementares.

Assim, a mensagem pacifista e de união entre os povos, parte do legado de Superman, é muito bem fundamentada no passado trágico de seu planeta natal. Após lermos Os Últimos Dias de Krypton, conseguimos sentir o peso da perda do planeta, e entendemos o fardo e a responsabilidade de Kal-El, que tenta a todo custo evitar repetir os erros de seus antepassados. E como toda boa ficção científica, nos faz refletir sobre o mundo a nossa volta e nossas próprias responsabilidades com o planeta Terra e a humanidade.

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