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300: A Ascensão do Império

300: A Ascensão do Império (300: Rise of an Empire, EUA, 2014) é uma sequência de 300, dirigido por Noam Murro, com roteiro escrito por Zack Snyder (que dirigiu o filme anterior) e Kurt Johnstad, com base na graphic novel Xerxes, criada por Frank Miller. A história acompanha Xerxes (Rodrigo Santoro), líder persa e principal antagonista de 300, que inicia uma busca ferrenha pela divindade após a morte do pai. A narrativa desenrola-se ao longo de vários anos, mas o ponto central é a Batalha de Artemísio, que aconteceu em 480 AC, quase simultaneamente a Batalha das Termópilas — quando os guerreiros liderados pelo Rei Leônidas enfrentaram Xerxes no filme 300. — Grande parte dos confrontos se passa no mar, onde Themistokles (Sullivan Stapleton) tenta unir a Grécia contra as forças Persas, cuja frota marítima é comandada pela vingativa Artemisia (Eva Green). O elenco também conta com as participações de Jack O’Connell como Calisto, David Wenham como Dilios, Andrew Tiernan como Ephialtes, e Lena Headey como Rainha Gorgo.

300: A Ascensão do Império

300: A Ascensão do Império não é exatamente uma sequência de 300, mas também não acontece antes. É um filme que se passa mais ou menos na mesma época da batalha no desfiladeiro das Termópilas (Portões Quentes) no primeiro filme. Isso por si só já se constitui em um dos problemas da história, pois tenta ser — em um único filme — prequel, trama paralela e sequência. Como prequel, é eficiente. Como trama paralela, é fraco perante a trama original, uma vez que seus protagonistas e antagonistas não têm o mesmo carisma e impacto heroico que os personagens de 300. Como sequência, derrapa por não estabelecer um fim real, já que termina praticamente no ponto em que termina 300, sem acrescentar nada de novo ao desfecho que conhecemos.

Nos aspectos técnicos, a continuação não provoca o mesmo impacto do original, infelizmente. No primeiro filme, Zack Snyder impressionou pelas sequências vibrantes de ação em slow-motion, pela estética visual ilustrativa, e pelo intrigante clima de fantasia espada e sandálias sobre uma parte real da história grega: a Batalha das Termópilas. O que acontece com 300: A Ascensão do Império é que o diretor Noam Murro e os demais realizadores fazem o possível para imitar a fórmula de 300, e fica aquém por não apresentar algo novo ou particularmente memorável no processo. O filme é repleto de ação, macheza, violência exagerada e reviravoltas que não empolgam. Na tentativa de repetir os feitos do primeiro, 300: A Ascensão do Império acaba soando apenas gratuito. Em tudo.

A macheza é exaltada por homens sem carisma, que sequer parecem gregos — um festival de atores britânicos, escoceses, irlandeses etc. com sotaques carregados e desproporcionais. Não há bravatas impactantes, apenas discursos de guerra manjados e vazios. A violência é a parte mais excessivamente gratuita. Não reforça a estética, como antes. Eu gosto de violência gráfica, especialmente em histórias de fantasia heroica, e adoro a forma com que é usada no primeiro 300. Mas nessa continuação, a violência não tem estilo. Apenas tenta se apropriar de um recurso forte do primeiro filme, mas sem sucesso. O slow-motion funciona bem no começo, mas depois é usado com tanto exagero que atrapalha. O sexo também é gratuito, e surge principalmente em uma reviravolta desnecessária e forçada, que ao invés de desconstruir personagens importantes, apenas os destrói de vez — para não dizer que é tudo um completo desperdício, há uma única coisa boa na cena de sexo: Eva Green.

Artemisia, interpretada por Eva Green, é sem dúvida, a adição mais interessante do filme. Uma personagem que nas primeiras cenas já demonstra potencial para ser uma peça importante da história. É uma mulher forte, que busca obsessivamente um guerreiro que seja capaz de enfrentá-la. O problema é que não há quem se equipare a ela no filme, e por isso, Artemisia aos poucos passa de uma antagonista poderosa a uma vilã básica e estereotipada. Themistokles, interpretado por Sullivan Stapleton, colabora um pouco mais com o fracasso da vilã — e do filme como um todo. Stapleton se esforça, mas não consegue passar a mesma gravidade — e como eu disse, bravatas impressionantes — que seu antecessor espartano. O Rei Leônidas era um guerreiro impetuoso, mas carismático. Themistokles é calculista e corajoso, o que poderia torná-lo um grande herói, mas ele não tem carisma algum e não desperta a mesma empatia, nem mesmo nas cenas de ação e luta.

300 A Ascensão do Império é infelizmente um filme que só posso descrever como desnecessário. Eu sinceramente, depois de ver os trailers, acreditava que seria um filme pelo menos interessante em alguns aspectos. Mas enquanto estava assistindo, me senti da mesma forma que me senti com o filme Imortais, e isso não é uma sensação boa. A continuação não apenas modifica heróis e vilão de 300, mas também os destrói como personagens. Outros personagens novos não têm metade do carisma dos 300 comandados pelo Rei Leônidas. O Rei-Deus Xerxes, que tinha toda uma mística e imponência no primeiro filme, torna-se um moleque mimado, manipulável e sem graça nesse novo filme — uma grande perda considerando o talento de Rodrigo Santoro, que poderia ter sido melhor explorado. A vilã de Eva Green é o maior exemplo do completo desperdício do filme, uma personagem forte e interessante, com um tremendo potencial, que acaba sendo apenas uma vilã exagerada e mal-desenvolvida. Tudo nesse filme é desperdício. Faltou muito para o império ascender como um bom filme.

300: A Ascensão do Império

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300: A Ascensão do Império

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