Filmes

Entrega do OSCAR 2014 – Uma Noite Para Quebrar Paradigmas

Oscar 2014

O 86º Academy Awards aconteceu e entregou seus prêmios para os melhores filmes do ano passado, numa cerimônia agradável e equilibrada entre concorrentes e vitoriosos. Esse ano o evento estava encantador não apenas por esse equilíbrio, mas porque o páreo estava realmente difícil. Os grandes indicados são filmes realmente muito bons e estavam concorrendo por mérito.

No geral, essa foi uma das melhores edições do evento, apresentada com graça e bom humor por Ellen DeGeneres, que já é a melhor apresentadora da cerimônia dos últimos anos. Especialmente depois de um momento selfie sensacional em que tirou foto no celular com vários atores (essa aí em cima) e postou no Twitter. A foto se tornou o maior recorde de compartilhamentos na rede social, com milhões de acessos em menos de uma hora.

O longa 12 Anos de Escravidão ganhou o prêmio de Melhor Filme, mas o grande vencedor da noite foi Gravidade, com sete prêmios, entre eles o de Melhor Diretor para Alfonso Cuarón. O filme também levou os prêmios de Melhor Trilha Sonora, Efeitos Visuais, Mixagem de Som, Edição de Som, Fotografia e Montagem — dominou nos prêmios mais técnicos. Resultados esperados e merecidos. Gravidade levando tantos prêmios ao longo da noite já se mostrava um sinal de que o melhor filme não iria para ele. Isso tem acontecido com certa frequência nas edições do Oscar.

12 Anos de Escravidão, dirigido por Steve McQueen, tinha nove indicações, ganhou três estatuetas, incluindo melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz Coadjuvante para Lupita Nyong’o. Os prêmios para o filme ainda tiveram uma importância maior para a cerimônia em si, já que é a primeira vez que um diretor negro tem seu filme indicado e vence.

Nyong’o foi uma das vencedoras mais emocionantes. “Não me escapa por um momento que tanta alegria na minha vida é devido a tanta dor em outra pessoa”, disse ela, entre lágrimas, agradecendo a Solomon Northup, o homem cujo livro de memórias sobre ser sequestrado e vendido como escravo em 1840 tornou-se base para o filme.

Se havia um prêmio que Gravidade merecia ganhar com louvor é o de melhor direção. Cuarón é o primeiro cineasta latino-americano a ganhar um Oscar, e ao aceitar seu prêmio, definiu o filme como “uma experiência transformadora”, acrescentando ainda agradecimentos às “pessoas sábias na Warner Bros”. Mas o momento mais legal do discurso do diretor foi quando ele agradeceu a vários diretores latino-americanos, que são bastante presentes no mercado norte-americano e fazem sucesso com seu filme. Um dos homenageados por Cuarón foi o diretor Guilhermo del Toro, cujo grandioso filme Pacific Rim merecia ter concorrido em pelo menos algumas categorias, mas não foi indicado para nenhuma.

A Trapaça, do americano David O. Russell, concorreu com dez indicações, e tinha certo favoritismo, especialmente nas categorias que privilegiariam seu elenco: Christian Bale, Bradley Cooper, Amy Adams e Jennifer Lawrence. O filme, contudo, saiu de mãos vazias, e sua melhor chance, o prêmio de Melhor Atriz, foi entregue para Cate Blanchett por seu papel maravilhoso em Blue Jasmine, de Woody Allen. Em seu discurso, Blanchett defendeu os filmes protagonizados por mulheres, dizendo que “não são nicho, pois o público quer vê-los e eles, de fato, fazem dinheiro”. Blue Jasmine alcançou ótimos números de bilheteria.

Jared Leto foi o primeiro vencedor da noite como Melhor Ator Coadjuvante, sendo acompanhado mais tarde por Matthew McConaughey. Ambos ganharam por seu desempenho excepcional como pacientes de AIDS no filme Clube de Compras Dallas, filme do diretor canadense Jean-Marc Vallée sobre um paciente de AIDS tentando ajudar outras pessoas a lidar com a doença numa época de muito preconceito e em que os interesses das indústrias farmacêuticas prevaleciam. Clube de Compras Dallas não ganhou o prêmio de roteiro original, mas merece uma menção — e mereceu os prêmios que levou — por sua história de luta. O filme levou 20 anos para sair do papel e se você quiser conhecer um pouco mais sobre essa história, você pode ler nesse post.

Ao subir ao palco, Leto apresentou uma homenagem breve e polida, agradecendo sua mãe, falando sobre “todos os sonhadores” nesse momento conturbado pelo qual estão passando países como Ucrânia e da Venezuela, em seguida, reverenciando as milhões de pessoas que morreram de AIDS. Leto é um ator talentoso, mas que aparece pouco no cinema, principalmente por causa do trabalho com sua banda, 30 Seconds To Mars — onde se revela um músico talentoso. Mereceu esse prêmio por um papel marcante, e agora esperamos que isso o ajude a aparecer um pouco mais nas telas do cinema.

Clube de Compras Dallas — indicado para seis Oscar, incluindo melhor filme — ainda ganhou um terceiro prêmio, para Melhor Maquiagem e Cabelo, pelas excelentes caracterizações de seus personagens.

Spike Jonze também levou o Oscar — seu primeiro — de Melhor Roteiro Original para o filme Ela, a história de um homem que se apaixona pelo novo Sistema Operacional de seu computador. Anteriormente, em 1999, ele havia sido indicado por sua direção em Quero Ser John Malkovich, mas não ganhou. Em uma realidade estranha, que precisa ser considerada, ele também tinha crédito de roteirista em Vovô Sem Vergonha, que concorreu a Melhor Maquiagem — Jonze é co-criador da série de televisão Jackass, que responde por Vovô Sem Vergonha. Detalhes a parte, Jonze sem dúvida mereceu o Oscar pela inventividade e originalidade de sua história. Ela era meu grande favorito para ganhar o melhor filme, e já é um dos filmes marcantes da vida. O filme ganhou apenas esse único prêmio, mas no meu coração Ela é o grande vencedor.

Nas categorias de animação, a Disney sobressaiu com o adorável Frozen: Uma Aventura Congelante, que ganhou o Melhor Longa-Metragem de Animação e também a Melhor Canção Original com a música ”Let It Go” — composto por Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez, e cantada por Idina Menzel, que atua no filme dublando a Rainha Elsa. O curta Get a Horse! que é exibido antes de Frozen, e um dos favoritos ao prêmio de Melhor Animação de Curta-Metragem, perdeu para uma produção francesa pouco conhecida, Mr. Hublot.

Na categoria Melhor Longa Estrangeiro, não foi surpresa quando a Itália pegou outro prêmio para seu já extenso rol com o filme A Grande Beleza. O longa, sobre o acerto de contas com a vida de um escritor de Roma, já tinha ganhado vários dos prêmios pré-Oscar que disputou e dificilmente não ganharia esse. Belo e grande, é um filme inspirador que mereceu a vitória. A Itália tem um recorde de 14 filmes que ganharam na categoria.

Apesar do grande número de vencedores, o ano de 2013 também foi repleto de perdas a serem lembradas pelo cinema. O habitual momento de homenagens póstumas do Oscar celebrou nomes importantes como Harold Ramis, Karen Black, Elmore Leonard, Philip Seymour Hoffman, Paul Walker e Shirley Temple Black, além do famoso crítico de cinema Roger Ebert. O renomado cineasta brasileiro Eduardo Coutinho, recentemente falecido, também participou dessa homenagem linda e emocionante.

Equilíbrio, carisma, leveza e grandes conquistas marcaram definitivamente a cerimônia desse ano, assim como muitos filmes marcaram o cinema do ano passado. Mas não só isso. O Oscar 2014 quebrou vários paradigmas do cinema norte-americano, pelo primeiro diretor negro a ganhar Melhor Filme, pelo primeiro diretor latino-americano a ganhar Melhor Diretor e pela Cate Blanchett mostrando que filmes protagonizados por mulheres vencem grandes prêmios e fazem bilheteria.

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