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Inside Llewyn Davis

Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis, EUA, 2013), novo filme de Ethan e Joel Coen, acompanha Llewyn Davis (Oscar Isaac), um cantor de folk norte-americano lutando para se tornar um grande músico, viajando pelo país durante a década de 1960, quando o gênero alcançou seu auge na cidade de Nova York — período considerado o renascimento da música popular nos Estados Unidos. Inside Llewyn Davis também é o nome do álbum que o cantor tenta emplacar ao longo do filme, mas ele não está indo bem, nem na música, nem na vida. Davis passa grande parte de seu tempo pulando de sofá em sofá, entre as casas de amigos, especialmente o casal de músicos Jim (Justin Timberlake) e Jean (Carey Mulligan), com quem Davis possui uma relação longa e conturbada. Quando consegue oportunidade de fazer apresentações, acaba num bar que paga pouco e cujo dono é um homem grosseiro e desprezível.

Inside Llewyn Davis

O filme é parcialmente inspirado no cantor Dave Van Ronk, baseado no livro The Mayor of MacDougal Street, publicado em 2005, três anos após a morte do cantor. Van Ronk era conhecido na região de Greenwich Village pela alcunha de “prefeito da rua MacDougal”, de onde veio o nome do livro. Ele foi um dos grandes nomes da música folk daquela época, ao lado de personalidades como Bob Dylan, Phil Ochs, Judy Collins, Joan Baez e John Denver.

A forma visual e a construção das cenas são excepcionais, com ritmo e montagem elegantes, que refletem aspectos contemplativos de seu personagem principal, ora honesto em sua arte e inteligência, ora abalado pelas agruras de seus próprios anseios. A jornada de Llewyn Davis tem corpo e alma, e os Irmãos Coen nos estimulam visualmente, conceitualmente e musicalmente, para que possamos acompanhá-lo em cada etapa de sua busca como se fizéssemos parte dela. A trilha sonora também colabora maravilhosamente, e como um bom filme sobre música, a música emociona e fica marcada em nossas consciências durante um bom tempo.

Enquanto os Irmãos Coen concedem o corpo, é o ator Oscar Isaac quem concede a alma. Isaac é um ator pouco lembrado, mas que possui uma capacidade invejável para assumir papéis diferentes — vide suas participações em Drive, Sucker Punch, O Legado Bourne, entre outros —, e é essa capacidade que lhe permite expressar todos os lados de Llewyn Davis, desde seu controle sobre a voz e as expressões faciais até os diálogos ácidos, em que Isaac exibe uma inexpressividade cômica capaz de arrancar um riso até mesmo nos momentos mais tensos da história.

O elenco de apoio é igualmente importante, e é quase um easter egg dentro da trama, fazendo referências leves à época ou à história da música popular. Justin Timberlake praticamente interpreta a si mesmo, como o cara bonito e simpático, adorado pela indústria musical. Garrett Hedlund, em participação especial, tem um quê de geração beat, lembrando o personagem que interpretou no filme Na Estrada, e ainda é acompanhado por John Goodman, que revela a desgraça trágica do cenário de forma espetacular. E há ainda o gato. Que dá um trabalho sensacional para Davis, e se mostra um personagem importante quando se olha de perto para as contradições do protagonista, contradições dignas de todo o ser humano, mas que muitas vezes são mais perceptíveis nos artistas.

Inside Llewyn Davis é sincero, um dos filmes mais pessoais dos Irmãos Coen, dotado de toda a profundidade e a carga folclórica que são comuns a outras produções dos cineastas. Eles recriam Nova York, Chicago e outras cidades dos anos 60 com precisão convincente e beleza cinematográfica, explorando a fotografia arrojada de Bruno Delbonnel para transmitir o poder criativo que vem da música e da mente vívida de um homem sonhador. Soma-se a isso a característica sagacidade inexpressiva dos Irmãos Coen, sempre eficientes em usar a imagem e o humor em suas narrativas. Eles mostram a importância de correr atrás dos sonhos sem tirar o pé da dura realidade, que muitas vezes oferece mais obstáculos do que um homem comum pode superar. E esses obstáculos são ainda mais ferrenhos quando se trata da criatividade artística dentro “da indústria”.

Inside Llewyn Davis é triste e engraçado, tenso e descontraído, tudo junto. Se você alguma vez perseguiu — ou persegue — uma carreira de cunho criativo, como músico, pintor, desenhista ou qualquer outra coisa, então o filme vai te emocionar. Pelo bom personagem, pelo gato, por algumas canções folclóricas que ficam na cabeça, e pelo retrato autêntico do tormento, da alegria e da ansiedade da vida de um artista. Há algo de familiar, bonito e melancólico na trajetória de Llewyn Davis. Não é necessariamente feliz ou triste. É apenas a vida, uma parte dela, em que prevalece a eterna busca por anseios e sonhos.

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