Filmes

12 Anos de Escravidão

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, EUA, 2013) é baseado na história real de Solomon Northup, que foi sequestrado e forçado à escravidão, e escreveu sua história em uma autobiografia em 1853, contando como fez para sobreviver durante 12 anos até que conseguisse uma chance de escapar e voltar para sua família.

Dirigido por Steve McQueen, conhecido pelo excelente trabalho em Fome e Shame, o enredo é focado na luta de um homem por sobrevivência e liberdade. Na época pré-Guerra Civil dos Estados Unidos, Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), um homem negro livre do norte de Nova York, é raptado e vendido como escravo. Diante da crueldade (personificada por um dono de escravos desumano, interpretado de forma enérgica por Michael Fassbender) e de gentilezas inesperadas, Solomon luta não só para se manter vivo, mas para manter a sua dignidade. No décimo segundo ano de sua odisseia inesquecível, Solomon encontra casualmente com um abolicionista canadense (Brad Pitt), que muda sua vida para sempre.

12 Anos de Escravidão

O elenco respeitável conta ainda com Paul Dano, Benedict Cumberbatch, Paul Giamatti, Alfre Woodard e Michael Kenneth Williams. Mas é nos desempenhos de Ejiofor e Fassbender que o filme tem seu maior destaque. Ejiofor é maravilhosamente simpático como Solomon. Sem dúvida todo mundo que assistir ao filme vai torcer por Solomon, esperando que ele consiga escapar e retornar para sua família, ainda que o roteiro mantenha as rédeas curtas sobre o personagem. Embora seja cativante, o filme se esforça mais para criar um personagem a ser idolatrado do que uma pessoa real, e não se aprofunda tanto em aspectos mais profundos, como o lado artista de Northup.

Da mesma forma, Fassbender é uma personagem criado para ser odiado. E você vai odiá-lo. O ator, sempre marcante em seus papéis, fornece um perfil rigoroso e desequilibrado para Mr. Epps, que é o principal antagonista. Epps é um bastardo maldito que gosta de torturar seus escravos e é obcecado por uma delas, Patsey (Lupita Nyong’o), que quanto mais se mostrava eficiente no trabalho, mais atraia a atenção dele de forma obsessiva e negativa. Fassbender é tão cruel com aquela barba avermelhada que se torna desprezível. E isso nos faz torcer ainda mais por Solomon.

O filme é conduzido com primor por McQueen, auxiliado por aspectos técnicos expressivos já vistos em trabalhos anteriores do diretor. Sean Bobbitt, seu diretor de fotografia habitual, apresenta o Sul do século XIX como um inferno escaldante, caracterizado por campos de algodão a perder de vista, dias ensolarados e quentes, e pântanos traiçoeiros, que estão sempre cheios de escravos em situações de pura desolação. Enquanto isso, a edição de Joe Walker favorece sutilmente o espaço entre tomadas e cenas que abordam temas paralelos. Da mesma forma, grande parte da trilha de Hans Zimmer é calma e suave, exceto quando Solomon é sequestrado e transportado para o Sul em uma balsa, quando a música se torna macabra como se fosse um filme de terror. O que faz certo sentido, já que o Sul Escravista é mostrado como um cenário de horror, onde Solomon encontra sulistas monstruosos cujo maior prazer é machucar, oprimir, estuprar e/ou assassinar quaisquer negros que cruzem seu caminho e/ou se oponham aos seus interesses.

12 Anos de Escravidão utiliza o tema da escravidão na época pré-Guerra Civil dos Estados Unidos como meio para abordar questões fortes sobre a condição humana. Interessante é que filme conta uma história não tão comum nos filmes sobre escravidão, por mostrar um homem livre que vive com sua família, mas é sequestrado e obrigado a viver novamente como um escravo em condições subumanas. É um filme forte e bem produzido, que retrata de maneira cruel a natureza desumana da escravidão e como isso é perturbador de se assistir.

12 Anos de Escravidão

12 Anos de Escravidão

12 Anos de Escravidão

Compartilhe este Post

Posts Relacionados



Dia do Hambúrguer

Arquivos do Blog

Blogs Favoritos

Blog Favorito

Blog Favorito

Blog Favorito