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Caçadores de Obras-Primas

Essa é uma história real, considerada uma das maiores buscas por tesouros já relatada. O filme acompanha um pelotão especial, formado por museólogos, curadores e historiadores, que se juntam para ir até a Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial, recuperar obras de arte que foram roubadas pelos nazistas, antes de serem destruídas. Sete especialistas em arte, e nenhum conhecimento de batalha, se unem a dois oficiais do exército para proteger e defender mais de 1000 anos de História da Humanidade, partindo na missão quase impossível de atravessar as linhas inimigas e recuperar milhares de obras para devolver a seus donos verdadeiros.

Essa nova empreitada de George Clooney como diretor se esforça para contar a história de um pedaço pouco conhecido da Segunda Guerra Mundial, em que homens demonstraram seu heroísmo não para impedir as atrocidades de um ditador, mas para preservar a cultura humana, porque alguém tinha que fazê-lo, e esses homens se dispuseram a isso, mesmo desacreditados por companheiros e superiores. George Clooney também atua, como o oficial Frank Stokes, que lidera a equipe ao lado de Matt Damon, como oficial James Granger. O grupo de especialistas inclui John Goodman, Bill Murray, Bob Balaban e Jean Dujardin, e tem ainda a ajuda providencial de Cate Blanchett. Um elenco realmente estelar, e sem dúvida o grande trunfo do filme.

Caçadores de Obras-Primas

Caçadores de Obras-Primas (The Monuments Men, EUA, 2014) tem nobreza em sua proposta por contar uma história absolutamente importante, e também porque Clooney tenta apresentar um conto antiquado e tocante sobre heroísmo, um valor extremamente necessário, mas que parece ultrapassado hoje em dia. O filme sofre com problemas porque Clooney não consegue manter um controle firme sobre a narrativa e o tom, motivo pelo qual, em muitos momentos, a história desanda, com um encadeamento confuso e com coisas acontecendo apressadamente à medida que vai chegando perto do fim. Mas apesar das fraquezas, é um filme importante pela mensagem que tem a passar. Nesses tempos cada vez mais cínicos, em que a educação e a cultura são cada vez mais menosprezadas, Caçadores de Obras-Primas tenta chamar nossa atenção para a importância de preservar a cultura. Mesmo em meio a uma guerra em que milhares de pessoas estão morrendo.

Esses homens, chamados de Monuments Men (Homens-Monumentos), entraram na guerra para garantir que obras importantes da História da Humanidade estivessem seguras quando a guerra acabasse. Enquanto muitos soldados lutavam por seus países na guerra, para tirar e/ou salvar vidas, esses homens lutavam por objetos que a maioria considerava irrelevante naquele momento da história. Quando vidas estão sendo perdidas, por que se preocupar com obras de arte? A verdade é que Caçadores de Obras-Primas mostra que, seja na guerra ou na paz, sempre existem vários lados em uma história, alguns com mais destaque, outros com menos, mas todos se esforçando igualmente para fazer o trabalho pelo qual são responsáveis. O filme ensina (ainda que sutilmente) o valor de respeitar as pessoas e as coisas, e a função que cada uma desempenha na sociedade.

Mas quem exatamente eram os Monuments Men? De acordo com o livro no qual o filme é baseado, The Monuments Men: Allied Heroes, Nazi Thieves and the Greatest Treasure Hunt in History, de Robert Edsel, eles eram um grupo de historiadores de arte, curadores de museus e outros indivíduos ligados à arte que foram voluntariamente às linhas de frente durante a Segunda Guerra Mundial na Europa para rastrear e recuperar números incontáveis de obras e monumentos que tinham sido roubados pelo Terceiro Reich, de museus e de colecionadores particulares. Perto do fim da guerra, com os nazistas batendo em retirada, a tarefa dos Monuments Men se tornou ainda mais urgente, pois num verdadeiro ato de barbárie, os alemães estavam destruindo tudo em seu caminho durante a fuga.

Por se tratar de um filme de duas horas, a grande quantidade de informação dessa história, que é extensa, acaba sendo bastante comprimida, e muita coisa que poderia ter sido contada ficou de fora. São muitas emoções e muitos incidentes, que sem dúvida renderiam uma minissérie de 10 ou 12 capítulos — me veio Band of Brothers na cabeça agora —, com cada episódio focado em encontrar uma obra de arte diferente, pouco a pouco, concedendo à história e aos seus personagens o espaço que precisariam para se desenvolver mais profundamente diante das circunstâncias. Caçadores de Obras-Primas é um bom filme, que conta uma história interessante e valiosa, e que certamente poderia ser algo ainda maior.

Caçadores de Obras-Primas

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