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Jack Ryan: Operação Sombra

O personagem Jack Ryan estreou em 1984 no romance A Caçada ao Outubro Vermelho, escrito por Tom Clancy, antes de aparecer no cinema em (agora) cinco filmes interpretados por quatro atores diferentes: Alec Baldwin em A Caçada ao Outubro Vermelho (1990), Harrison Ford em Jogos Patrióticos (1992) e Perigo Real e Imediato (1994), Ben Affleck em A Soma de Todos os Medos (2002), e agora Chris Pine no novo Jack Ryan: Operação Sombra (Jack Ryan: Shadow Recruit, EUA, 2014), filme que estreia com a intenção de reiniciar a franquia para contar uma história mais íntima sobre os primeiros dias do famoso agente da CIA.

Operação Sombra consegue proporcionar uma história inteligente sobre contraterrorismo e geopolítica, aproveitando-se do carisma de Pine para inserir elementos românticos mais fortes à trama (simples) de ação e espionagem. O foco inclusive é maior nos envolvimentos emocionais do personagem principal do que na ação em si. As próprias intrigas do enredo são resolvidas de forma rápida e direta, justamente para permitir que o personagem se destaque no momento em que estava conquistando território em suas novas funções como agente da CIA.

Jack Ryan: Operação Sombra

A história mostra Jack Ryan (Chris Pine) como um ex-fuzileiro naval que, após um traumático acidente de helicóptero durante a guerra e um longo período de fisioterapia, se torna analista financeiro da CIA e acaba envolvido em uma conspiração para provocar um ataque terrorista em solo norte-americano com o objetivo de desestabilizar a economia dos EUA. Ryan tem que correr contra o tempo para impedir o ataque e ainda salvar sua esposa, Cathy (Keira Knightley, adoravelmente decidida no papel, ainda que sua personagem não possua maior relevância na história do que seguir alguns padrões desse tipo de filme: namorada suspeita, distração para o vilão e por fim, donzela em perigo).

O roteiro desenvolvido por Adam Cozad e David Koepp se esforça para contar uma história de espionagem conduzida por personagens falíveis, que não são simplesmente mocinhos e bandidos super-talentosos. A premissa é simples e direta, sem muito floreio ou exagero, apesar de algumas cenas bizarras (que parecem videoclipes) encabeçadas pelo vilão Viktor Cherevin (Kenneth Branagh, que também dirige o filme). Como principal vilão da história, Cherevin funciona bem quando se mostra um homem frio e calculista, que está um passo a frente das ações de seu adversário, deixando Ryan numa posição desconfortável quando se encontram pela primeira vez. O problema é que depois do primeiro encontro, Cherevin perde força e se torna um vilão caricato demais — algo que às vezes favorece o personagem, às vezes não.

O drama é convincente e a narrativa inclina-se fortemente para momentos expositivos intrigantes. Uma vez que Operação Sombra não é sobre uma guerra nuclear ou uma nova tecnologia de destruição do mundo, mas sobre manipulação de mercados financeiros frágeis, é importante que possamos entender o que está realmente em jogo. Chris Pine consegue garantir que qualquer reflexão sobre economia global, negociação financeira ou padrões terroristas sejam interessantes. Ainda que seu Jack Ryan seja um pouco genérico — o que é compreensível num filme pensado como uma reapresentação básica de um personagem —, o ator é consistente ao transmitir tanto a inexperiência de Ryan quanto sua atenção minimalista aos detalhes, motivo pelo qual é recrutado para o trabalho que faz.

Jack Ryan tem seus momentos para brilhar, e isso aos poucos, constrói um filme inteligente e moderno de espionagem, que foca mais no enredo do que nas cenas de ação — que são poucas, mas eficientes. Jack Ryan: Operação Sombra é um bom recomeço para a história do agente criado por Tom Clancy. Não parece um filme que renderá futuras continuações a serem desenvolvidas nesse universo, mas como um filme independente, que se fecha em si mesmo, funciona bem.

Jack Ryan: Operação Sombra

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