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Domingo, Sangrento Domingo

Muitas histórias já foram contadas sobre o Velho Oeste, geralmente envolvendo caubóis e a conquista de território. No entanto, este rico cenário pode render muitos outros tipos de narrativas, e vem ganhando destaque nos últimos anos a mistura do western com o terror. Talvez o exemplo mais marcante é a HQ Vampiro Americano, publicada pelo selo Vertigo.

Agora chegou a vez da dupla brasileira Romeu Martins (roteiro) e Victor Vic (arte) explorarem este campo com a graphic novel Domingo, Sangrento Domingo (Brasil, 48 páginas, 2013), publicada pela Editora Estronho.

Domingo, Sangrento Domingo

O foco não são os grandes heróis, e sim figuras do extrato social mais baixo, como o ex-escravo Baltasar e a prostituta Mary Ruiva, que em busca do sonho americano de ficarem ricos em território inóspito acabam se deparando com o sobrenatural.

Os grandes destaques da obra são a ambientação e seus personagens. Enoch City é uma bizarra cidade do velho oeste, misteriosa o bastante para o desenvolvimento de histórias com tons sobrenaturais. Os autores conseguem deixar nas entrelinhas que há muito mais do que se passa além do que é mostrado, despertando a curiosidade do leitor mais atento.

Além disso, os bons diálogos ajudam na construção dos personagens. Ficamos conhecendo características e parte do passado dos mesmos, tudo feito de forma bem natural.

Contudo, a trama acaba sendo meio corrida a partir de mais ou menos a metade do álbum. O passado do personagem Domingo Ruiz renderia por si só um livro inteiro, e vários bons personagens que ali são apenas mencionados poderiam ser mais bem desenvolvidos. E o livro se encerra bem quando parece que a aventura vai realmente começar.

Por sorte, trata-se de uma trilogia. Esse primeiro número acaba servindo como a apresentação deste universo ao leitor. Sendo assim, cumpre a função de despertar a curiosidade em seu público, deixando a expectativa de querer ver o bicho pegar nos próximos números. Além disso, fica aqui o pedido de descobrirmos do que mais a língua de Mary Ruiva é capaz de fazer, afinal.

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