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Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal

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Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal

Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal

A série Atividade Paranormal começou como um exercício interessante de técnicas clássicas para provocar sustos, mas aos poucos foi se desenrolando e expandindo em algo maior. Cada filme, a sua maneira, manipula nossas percepções e nossos medos interiores aproveitando-se de elementos clássicos do terror que normalmente remetem a filmes como A Casa dos Maus Espíritos e 13 Fantasmas, de William Castle, ou Desafio ao Além, de Robert Wise.

A franquia já conta com momentos dignos de respeito na cinematografia do horror, como a câmera na cozinha de Atividade Paranormal 3, e apesar da superfície de filme caseiro simples, o pano de fundo possui uma intrigante mitologia carregada com feitiçaria, negócios com forças obscuras, possessão e demônios. A mitologia vem sendo desenvolvida aos poucos, de forma natural à medida que os filmes são lançados, com exceção (talvez) de Atividade Paranormal 4, que pouco acrescentou à série em termos de mitologia.

Todo ano um novo filme da série estreava, mas em 2013, tivemos um ano inteiro sem Atividade Paranormal, provavelmente porque os realizadores estavam se preparando para seguir adiante com a história definitivamente.

Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal (Paranormal Activity: The Marked Ones, EUA, 2014) é tratado como um spin-off, mas é um dos que mais expandem a mitologia da série, tendo em vista o que vem sendo apresentado até agora. Esse filme deixa claro que os realizadores, ainda que cultivem a atmosfera macabra, já não estão tão preocupados com os sustos, tanto que muitas cenas criadas para causar sustos são básicas, construídas de forma tão primária que não possuem o elemento surpresa. Quando a cena começa a se desenrolar para o susto, você já sabe que alguma coisa vai acontecer do nada. Por um lado, isso reflete um pouco a inexperiência do diretor, Christopher Landon, que trabalhou como roteirista nas três últimas sequências da série. Por outro, parece que o foco agora é muito mais voltado para desenvolver a mitologia do universo que eles criaram do que simplesmente causar sustos.

O maior problema desse spin-off é que ele se prolonga demais em alguns momentos que deveriam ser resolvidos rapidamente. O filme tem apenas 84 minutos de duração, mas às vezes parece muito mais. No final, isso fica ainda mais evidente porque, ao invés de criar imediatamente a explosão de violência comum ao clímax de todos os filmes da franquia, Marcados Pelo Mal se estende em uma profusão de clímaxes que, infelizmente, minam parte do impacto que o final deveria realmente ter. Quando o desfecho começa a se desenhar, a explosão de violência deveria acontecer de uma vez só e atingir o ápice, sem pausas ou momentos de respiro, para então acabar o filme. Isso não acontece.

É com pesar que digo que Marcados Pelo Mal é inferior a todos os outros filmes da série até agora, mas mesmo assim, como um filme de Atividade Paranormal, funciona como deve funcionar dentro da mitologia. Isso é uma coisa boa. Especialmente pela reviravolta no final da história, que estabelece uma ligação interessante com o início da franquia, e abre caminho para o que provavelmente será explorado em Atividade Paranormal 5, que estreia ainda esse ano. A reviravolta é incrível, e devo dizer que os realizadores foram ousados na guinada que esse final promoveu para a história como um todo. A forma como tudo acontece me fez lembrar do antigo Evil Dead (1981), que começou tenso e sombrio com A Morte do Demônio e aos poucos foi se tornando mais sarcástico e aventuresco até chegar em Uma Noite Alucinante 3.

A história começa em junho de 2012, em uma festa em Oxnard, Califórnia. Depois que uma mulher morre no apartamento abaixo da festa, alguns frequentadores vão até lá com uma câmera para investigar. Eles descobrem itens associados a rituais de magia negra, e até mesmo algumas fitas VHS — as fitas desaparecidas em Atividade Paranormal 3. Quando Jesse (Andrew Jacobs) descobre uma marca em seu braço, forças estranhas começam a persegui-lo enquanto seus amigos tentam salvá-lo.

Vale mencionar que Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal é o PRIMEIRO spin-off oficial da série. Atividade Paranormal em Tóquio não é oficialmente considerado parte da série. Na verdade, é uma espécie de “remake japonês” do primeiro Atividade Paranormal, feito basicamente para os japoneses, mas que tenta funcionar como uma continuação. O filme japonês foi filmado em paralelo com Atividade Paranormal 2, porém foi ignorado dentro da cronologia da série, já que Atividade Paranormal 2 foi lançado e desconsiderou os acontecimentos do Atividade Paranormal em Tóquio.

Como é de costume na franquia, Marcados Pelo Mal tem seus momentos de terror bizarro, personagens estúpidos que caminham para a morte certa, e partes deliciosas de tensão e medo. Assim como acontece em Atividade Paranormal 4, que usava um Xbox como parte do horror, Marcados Pelo Mal faz uso inteligente de um objeto despretensioso, neste caso um Simon Says, jogo eletrônico que foi lançado aqui no Brasil com o nome Genius nos anos 80 e que no filme revela-se um canal para se conversar com o sobrenatural. A sacada de usar um Genius como uma espécie de Tabuleiro Ouija é sensacional.

Outro ponto positivo do filme é que a história tem um senso de unidade para consigo mesma. Não há grandes momentos de investigação e descoberta. A trama é realmente conduzida aos poucos rumo a uma conclusão e não apenas uma sequência de noites assustadores capturadas numa câmera até que haja a explosão de violência do clímax. O que atrapalha, como eu disse antes, é a fragmentação exagerada do desfecho, que se fosse mais rápido, seria certamente ainda mais impactante.

Além de alguns momentos realmente divertidos e sequências criativas, Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal faz um excelente trabalho em se conectar com os filmes anteriores, ampliando a mitologia. O spin-off oferece algumas respostas e abre as portas para outras perguntas serem trabalhadas nos filmes vindouros. Ainda que as respostas venham aos poucos na série, parece que agora o objetivo é oferecê-las com mais ênfase, e é bem possível que Atividade Paranormal 5 seja ainda mais focado nesse sentido de fornecer respostas aos mistérios da mitologia.

Não obstante, há ainda a aparição de uma personagem importante da franquia, Ali Rey (Molly Ephraim), enteada de Kristi no segundo filme, que como eu disse no texto sobre a mitologia da série“Ali ainda poderia ser aproveitada de alguma forma na franquia; até agora, Ali é a única que efetivamente cruzou o caminho da família de Katie e Kristi, tem alguma noção sobre o que está acontecendo e terminou viva.” — De fato, ela tem noção do que está acontecendo, passou os últimos anos fuçando e pesquisando sobre o assunto, e faz revelações importantes sobre alguns mistérios da série. Como eu pensei desde o início, parece que Ali será mesmo um elemento-chave para lidar com a ameaça da convenção de bruxas, e isso é muito foda.

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