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Ajuste de Contas

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Ajuste de Contas

Ajuste de Contas (Grudge Match, EUA, 2013) conta a história de dois ex-pugilistas, Henry “Razor” Sharp (Sylvester Stallone) e Billy “The Kid” McDonnen (Robert De Niro), que tinham lutado entre si duas vezes anteriormente. Cada lutador ganhou uma única luta, mas a luta final de desempate nunca aconteceu porque Sharp decidiu, do nada, se aposentar. Anos depois, eles têm a chance de se enfrentar nessa tão sonhada luta graças à intervenção do tagarela Dante Slate Jr. (Kevin Hart), que tenta convencê-los a entrar no ringue uma última vez para resolverem sua rivalidade.

Enquanto se preparam para a partida, descobrimos mais sobre suas histórias e por que as coisas ficaram tão tensas entre eles. Não é nenhuma surpresa que a Sharp e McDonnen tiveram uma briga por causa de uma mulher, Sally “Sem Apelido” Rose (Kim Basinger). Ela era namorada de Sharp, mas dormiu com McDonnen. Para piorar as coisas, Sally ficou grávida, e Sharp nunca perdoou nenhum dos dois. Nesse meio tempo, BJ (Jon Bernthal), filho de McDonnen com Sally, encontra seu pai e acaba se tornando seu treinador para a luta.

O roteiro escrito por Tim Kelleher e Rodney Rothman passa por todas as etapas e premissas esperadas de uma comédia sobre esportes, apresentando os envolvidos e seu conflito, avançando de forma previsível para um segundo ato de resoluções e treinamento, e atingindo seu ápice num embate entre as ideologias que movem os personagens. Apesar da previsibilidade, a forma como o filme é desenvolvido e encadeado compensa bastante. Ajuste de Contas consegue ser sensacional por seus elementos de auto-reflexão e por seu humor ágil e irônico, que foge da escatologia escrachada tão comum às comédias norte-americanas.

O melhor do filme é saber jogar com os clichês das carreiras de seus dois protagonistas, e brincar inteligentemente com isso. Várias das boas piadas desconstroem de alguma forma personagens míticos dos dois atores. Essa é a maior graça do filme. Stallone e De Niro são, em essência, versões mais velhas de Rocky Balboa (Rocky, Um Lutador) e Jake La Motta (Touro Indomável), construídos em cima de estereótipos dos dois famosos personagens, mas dotados de carisma e empatia especiais para esse filme.

Razor, por exemplo, vê valor em velharias e antiguidades, que usa para fazer esculturas, de um cachorro, que pode ser rato, ou cachorro, sei lá… Ele admite que é um homem do passado, tanto que não gosta de tecnologia, tem um comportamento antiquado e sequer tem um aparelho de TV em casa. Kid, por outro lado, se contenta em viver da glória do seu passado, ainda que seja capaz recuperar sua velha intensidade e seriedade quando necessário. O humor extraído a partir desses aspectos da personalidade desses dois homens é geralmente mais eficaz do que se fosse uma paródia óbvia de Rocky ou Touro Indomável.

A direção eficiente e equilibrada de Peter Segal (Tratamento de Choque) permite que Stallone e De Niro exerçam sua veia dramática de forma leve, oscilando com momentos mais descontraídos da dupla. Sequências cômicas do filme estão lado a lado com subtramas mais impassíveis e intimistas, sem que um estilo atrapalhe o outro. O drama é bem dosado para não descambar para o melodrama, e o humor, para não se tornar escatologia.

Os diferentes personagens suportam bem os desafios que vão surgindo ao longo do filme, com as relações muitas vezes apresentadas de uma forma genuinamente previsível, como numa novela. Claro que isso só é realmente possível graças ao talento dos atores, que em sua maioria incorporam bem até os aspectos mais ridículos da história. Cabe ainda destacar, especialmente no quesito humor, Alan Arkin, como o rabugento e engraçado treinador de Razor.

Outra que merece uma menção honrosa é Kim Basinger. Seu desempenho no filme reflete por que essa mulher é admirada há anos pelos fãs de cinema. Temos que respeitar o filme por colocá-la nesse papel, não apenas porque ela também foi um ícone dos anos 80, mas também porque sempre é bom ver uma produção que consegue colocar uma atriz de cacife contra dois pesos-pesados de mesma idade como Stallone e De Niro. Isso sem mencionar que Kim Basinger continua espetacularmente bonita. E sedutora. Eu lutaria boxe por ela, com certeza.

PS: Vale a pena ficar uma pouco mais no cinema quando o filme termina, pois existem duas cenas no meio dos créditos. E sério, você vai querer vê-las. A última é impagável.

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