Filmes

Frozen

Frozen

Frozen

Frozen

Frozen

A Disney sempre teve uma magia especial em seus filmes, que até hoje encantam muita gente. Mas fazia tempo que o encanto não se manifestava através de notas musicais; fazia tempo que a aquele clima agradável de aventura musical não se mostrava tão presente num de seus filmes. Frozen (EUA, 2013) é o que podemos chamar de novo velho clássico da Disney.

Antes mesmo de o filme começar, esse clima já aparece em um desenho animado do Mickey Mouse intitulado Get a Horse. O curta-metragem, seguindo o padrão das recentes animações da Disney, é deslumbrante, em tom de comemoração pelos 85 anos do rato mais famoso do mundo. Esse é o primeiro curta de animação original do Mickey Mouse desde Runaway Brain, de 1995.

O curta começa em preto-e-branco, com a versão clássica de Mickey em desenho animado, Minnie Mouse e seus amigos Horácio e Clarabela desfrutando de um passeio de carroça, até que Bafo de Onça aparece, captura Minnie e tenta jogá-los para fora da estrada. Mickey é forçado através da tela de cinema para o palco de uma sala de cinema, explodindo em cores num 3D deslumbrante. A versão original ainda tem a voz de Walt Disney como Mickey Mouse.

Já maravilhados por esse curta-metragem, somos levados ao filme Frozen, uma adaptação do clássico conto de fadas A Rainha da Neve (The Snow Queen), escrito em 1845 por Hans Christian Andersen — e considerado um dos melhores contos do autor (que também criou O Patinho Feio, A Pequena Sereia e A Polegarzinha).

A história se passa no reino assolado por um inverno eterno chamado Arendelle. A jovem Anna, junto a um homem rústico e ousado chamado Kristoff, parte numa jornada para encontrar sua irmã Elsa, a única que pode findar com o feitiço de gelo que afeta o reino. No caminho, eles precisam enfrentar o frio extremo, atravessar grandes montanhas e se livrar de poderes e criaturas místicas que aparecem a todo instante. Anna e Kristoff correm contra o tempo para salvar seu reino da destruição gelada.

Baseado parcialmente no conto, com muitas liberdades criativas bem-vindas, o filme é um regresso às exuberantes produções musicais do estúdio. Frozen é sincero e adorável em suas pretensões, pois mesmo com a modernidade de ser uma animação feita por computador, se encaixa confortavelmente ao lado de obras-primas desenhadas à mão da Disney como A Branca de Neve, A Pequena Sereia e A Bela e a Fera — obras que, inclusive, são sutilmente homenageadas nas entrelinhas desse filme.

Inclusive prepare-se para ver alguns easter eggs da Disney espalhados pela animação. Rapunzel e Flynn, de Enrolados, aparecem rapidamente como convidados da festa de coroação de Elsa quando os portões são abertos. Ainda durante a coroação de Elsa, é possível notar que os doces vieram de Sugar Rush, o jogo de Detona Ralph. Outra coisa curiosa é que o Rei de Arendelle, pai das personagens principais, é bastante parecido com Walt Disney quando era jovem, referência que pode ou não ter sido proposital.

A animação toma algumas liberdades em relação ao conto original, com Anna e Kristoff aparecendo como representações dos dois protagonistas do conto (Gerda e Kai). Como uma adaptação livre, o roteiro possui várias mudanças, que inclusive alteram parte da simbologia da obra original, mas preserva os aspectos de luta do bem contra o mal do conto e a premissa principal de que o amor é o caminho para a salvação.

Ao contrário das animações contemporâneas, que normalmente se esforçam para modernizar suas histórias, Frozen apropria-se mais de elementos tradicionais da Disney, focando na magia e na fantasia para construir seu conto de fadas. Enquanto o filme Enrolados optava por ser uma atualização dos contos de fada, com Frozen, o estúdio retorna àquele deleite infantil que transformou muitas de suas obras em grandes clássicos. As músicas são fortes e importantes para a trama. Seja pelas mais comoventes, como “Do You Want to Build a Snowman?” ou pelas mais engraçadas, como “In Summer”, ou pela principal “Let It Go”, as canções compõem uma das mais divertidas trilhas sonoras desde Rei Leão. E a animação é, como sempre, suntuosa e impressionante, vide o palácio de gelo de Elsa, ou as cenas de ação repletas de fugas contra pessoas, lobos, monstros de neve — especialmente em 3D.

Os diretores Jennifer Lee e Chris Buck, no entanto, sabem quando desviar da tradição. Frozen pode ser um filme de princesa da Disney — na verdade, de DUAS princesas —, mas o destino do mundo não depende unicamente de a princesa receber ou não um beijo do príncipe. A história está mais interessada no amor entre as irmãs Anna e Elsa, e na tentativa de Anna para trazer sua irmã de volta para casa. Inventiva e corajosa, mas não imune aos encantos de um belo príncipe, Anna é uma adição perfeita ao rol de princesas da Disney: engraçada e independente, mas também desejosa por amor e aventura.

Por outro lado, seria fácil transformar Elsa em vilã da história, já que ela é uma garota triste e solitária, que foi banida de seu reino porque não consegue controlar seus poderes de gelo e inspira medo nas pessoas. Seu dom é como um “Toque de Midas Congelante”, pois tudo o que ela toca, congela, e assim como aconteceu com o Midas da mitologia, nada de bom parece vir desse poder. Os melhores momentos de Frozen surgem justamente quando o filme explora o conflito de Elsa com suas habilidades, especialmente quando ela foge do reino e percebe que, distante de tudo e todos, pode usá-las sem restrições. Elsa é uma personagem forte, mas facilmente quebradiça, como gelo. Quando provocada, ela ataca, e a isso se segue um momento de partir o coração, quando ela constrói para si mesma um castelo de gelo enquanto canta sobre manter distância do mundo para não ferir ninguém.

Ainda que o filme possua uma subtrama romântica adorável entre Anna e Kristoff, seu verdadeiro coração é a relação entre as duas irmãs que cresceram afastadas uma da outra. Essa bem-vinda variação no enredo tradicional da Disney concede ao filme nova magia, ao revelar que o “amor verdadeiro” não está restrito apenas à relação entre príncipes e princesas, mas também à relação entre irmãs.

Os personagens coadjuvantes são memoráveis, como de costume em um filme da Disney. Kristoff é um herói bem-intencionado e agradável, que apesar de valente, é um pouco desastrado, e muitas vezes precisa da ajuda de Anna para ter sucesso, acrescentando um toque agradável à fórmula romântica. Mas o destaque maior vai para o simpático Olaf, o boneco de neve falante que é apaixonado pelo clima quente e não sabe o que acontece quando a neve é aquecida pelo sol. Sua apresentação ao som da música “In Summer” é sensacional.

Frozen é tão adorável e divertido que, quando termina, já estamos torcendo por mais. Eu queria um pouco mais desse prazer de ver novamente um pouco da clássica magia Disney. Talvez mais uma música, ou mais uma reviravolta lunática. Talvez um pouco mais dessas duas princesas tão lindas e apaixonantes. E se desperta toda essa paixão, só pode ser mágico.

Compartilhe este Post

Posts Relacionados



Inscreva-se no Canal

Resenhas Populares

Rogue One: Uma História de Star Wars

Rogue One: Uma História de Star Wars

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Raw

Raw

Capitão Fantástico

Capitão Fantástico

O Homem nas Trevas

O Homem nas Trevas

Nível Épico em Imagens

Google Plus

Facebook

SoundCloud