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A Vida Secreta de Walter Mitty

A Vida Secreta de Walter Mitty

A Vida Secreta de Walter Mitty

A Vida Secreta de Walter Mitty

A Vida Secreta de Walter Mitty

Ben Stiller é um ator subestimado na minha opinião. Além de ser filho do grande Jerry Stiller, faz parte de uma excelente geração de comediantes norte-americanos ao lado de nomes como Jack Black, Will Ferrell, Vince Vaughn, Owen Wilson e Steve Carell. Mas um dos maiores feitos de Stiller é ter dirigido o ótimo Caindo na Real, de 1994, um dos meus filmes favoritos. Muita gente só se lembra dele por causa da irritante franquia Entrando Numa Fria, mas Stiller é muito mais do que isso, é também um bom ator, ótimo diretor e produtor.

Por todas essas razões me empolguei quando soube que ele estava envolvido com a produção A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty, EUA, 2013), um projeto independente, com uma trama interessante, assim como seu elenco.

Baseado no conto homônimo de James Thurber, essa é a segunda vez que a Walter Mitty ganha uma versão cinematográfica de suas aventuras. A primeira é de 1947, um musical dirigido por Norman Z. McLeod, com Danny Kaye no papel título. Essa nova versão, dirigida e estrelada por Stiller, entra nos sonhos de Walter e leva o público junto, por paisagens magníficas e com uma trilha sonora impecável. Mesmo que esse Walter não cante, seus sonhos têm a melhor trilha sonora, que mistura Arcade Fire, David Bowie e Of Monsters and Men.

Walter Mitty (Ben Stiller) é um sujeito muito comum, mas com um trabalho interessante; ele é o responsável pelos negativos das fotos publicadas pela revista Life. Seus dias são monótonos e, talvez por isso, ele os passa sonhando acordado, com aventuras incríveis, romances impossíveis e até lutas quase épicas. Porém sua vida se resume a trabalhar, cuidar da família composta por sua mãe (Shirley McLane) e sua irmã (Kathryn Hahn), e sonhar um pouquinho mais com sua colega de trabalho, Cheryl (Kristen Wiig), por quem é apaixonado. Mas quando a revista Life é vendida a um grupo que a transformará numa publicação online, Walter precisa recuperar o negativo da foto escolhida pelo fotógrafo Sean O’Conell (Sean Penn) para ser a última capa publicada. Ao sair em busca da foto perdida, Walter sonha cada vez menos enquanto vive mais.

A Vida Secreta de Walter Mitty pode ser dividido em dois filmes. Um surreal formado pela realidade fantástica de Walter, que pula de estações de trem, confronta seu inimigo no elevador e é capaz de atos inacreditáveis por causa de sua amada. Outro cheio de ação, onde Walter conhece a Groelândia, a Islândia e o Tibet. São momentos muito bem divididos dentro da trama, que consegue equilibrar muito bem o surrealismo dos sonhos acordados de Walter à sua vida cotidiana, que de uma hora para outra torna-se uma grande aventura. Mundos muito bem mesclados em uma cena que consegue fazer a ponte com perfeição entre os delírios de Walter e o momento que ele decide viver seus sonhos, em que ele, literalmente, pula em um helicóptero ao som de Space Odity de David Bowie. Se fosse preciso resumir todo o filme em uma cena, essa seria a escolhida, o exato momento onde Walter acorda de seu mundo de sonhos e decide aproveitar sua vida.

Guiado por sua busca pela foto tão importante que deverá ser capa da última Life, Walter enfrenta medos, vive aventuras que se misturam a seus delírios e acaba encontrando a si mesmo. Uma mensagem óbvia para quem assiste ao filme, mas ainda subestimada por muitos. Há aqueles que irão torcer o nariz por achar que tudo se encaixa muito bem de uma forma irreal. Só que esse é o grande barato de A Vida Secreta de Walter Mitty, mostrar que o mundo real pode ser tão interessante ou melhor do que nossos sonhos. Não é preciso pular em um navio no meio do mar na Groelândia e nem andar de skate pela Islândia, basta deixar um pouco de lado tudo aquilo que poderia ser, e trocar pelo o que acontece agora.

No fim, o filme mostra que Walter não é o único sonhador em busca de uma vida incrível, todos ali buscam alguma coisa e encontram nos lugares menos prováveis, como Sean O’Conell, que sempre teve uma vida recheada de aventuras e momentos incríveis, mas entende a importância de um momento simples, como jogar futebol. Ao retornar a sua vida cotidiana, Walter entende que mesmo a vida simples e monótona pode ser rica e cheia de surpresas, o que torna um filme uma bela fábula sobre estar vivo e nunca se esquecer disso.

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