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Carrie, a Estranha – Versão 2013

Carrie, a Estranha

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Carrie, a Estranha

Muitos provavelmente conhecem o primeiro romance de Stephen King, que quase não foi publicado e que décadas atrás se transformou em um filme de terror memorável. Aquele filme de 1976 ganhou uma nova versão, dessa vez com Chloë Grace Moretz no papel da protagonista telecinética.

Chloë Moretz, aos 16 anos, está de fato na idade certa para assumir essa personagem icônica — Sissy Spacek tinha 26 anos quando estrelou versão dirigida por Brian De Palma — e é o que existe de mais próximo de uma heroína adolescente no cinema atual. Moretz tem uma lista de filmes de terror, adaptações e remakes no currículo. Ficou bastante conhecida na adaptação dos quadrinhos Kick-Ass, e participou de Horror em Amityville, Deixe-me Entrar e o pouco conhecido Em Busca de um Assassino, além de A Invenção de Hugo Cabret e do também remake Sombras da Noite.

Carrie, a Estranha (Carrie, EUA, 2013) é o tipo de filme em que se esperaria encontrar a atriz, pelo fato de ser remake, pelo fato de ser terror, e pelo fato de terminar com uma menina vingativa SOZINHA devastando tudo com super-poderes impressionantes — se ela já foi uma vampira toda-poderosa, uma assassina mirim fodona, uma menina francesa temperamental e uma lobisomem revoltada, por que não uma adolescente psicopata telecinética?!

A trama é focada na profundamente religiosa e conservadora Margaret White (Julianne Moore) e sua filha Carrietta White (Chloë Grace Moretz), que vivem no subúrbio tranquilo de Chamberlain, no Maine. Carrie é uma garota calma e gentil, mas que vive fechada em seu próprio mundo por causa da educação abusiva de sua mãe e dos maus-tratos que sofre por parte de seus colegas de escola, liderados pela arrogante Chris Hargensen (Portia Doubleday). A melhor amiga de Chris, Sue Snell (Gabriella Wilde), no entanto, não aprova a zombaria contra Carrie e convence seu namorado, o popular Tommy Ross (Ansel Elgort), a levar Carrie ao baile. Porém, levada ao limite da humilhação por seus colegas durante o baile, Carrie sofre um surto psíquico e desencadeia uma onda de estragos com seus poderes telecinéticos.

A presença de Moretz é o principal trunfo da refilmagem, e revelava grandes possibilidades para que essa nova versão de Carrie fosse mais ousada do que a versão clássica, mas em vez disso é contida em suas intenções, apenas inserindo um leve teor de modernidade numa história antiga e que, efetivamente, não precisava ser mais moderna — pois até hoje permanece atual em seus temas, vide todas as discussões sobre bullying que vemos atualmente.

Isso não significa, de forma alguma, que o remake é ruim. Pelo contrário, é bem desenvolvido e, em certos aspectos, melhor encadeado do que a versão clássica em termos narrativos. Os efeitos visuais são naturalmente superiores, e isso é uma vantagem quando Carrie usa seus poderes telecinéticos. O filme de 1976 não mostrava tanto da verdadeira extensão que os poderes de Carrie podiam alcançar, mas o remake poupa recursos quanto a isso. Carrie não tem pudor ao usar seus poderes, especialmente contra a própria mãe, e na noite do baile — o clímax da trama. A sede de sangue é elevada a níveis devastadores, como tem que ser — aqueles que leram o livro certamente sabem que a telecinese de Carrie é muito, muito poderosa.

Kimberly Peirce, diretora que ficou conhecida por Meninos Não Choram, traz um pouco de sua própria inteligência e empatia para a trama, ainda que aproveite bastante coisa do material antigo. Peirce começa o filme com cenas fortes, e pula alguns dos elementos mais complicados em favor de contar uma história simples sobre uma garota que é constantemente oprimida e ridicularizada, até que ela descobre que o grandioso poder que se esconde em sua mente e que ela pode usar para revidar.

Fãs do romance original de Stephen King provavelmente vão apreciar o fato de que alguns momentos do livro que não estavam no filme de 1976 aparecem nessa refilmagem. Isso é bom, pois insere certas coisas dentro de um contexto mais apurado, como Sue Snell e Tommy Ross, diferente do que acontecia no filme clássico. A professora legal com Carrie, agora, chama-se verdadeiramente Ms. Desjardin (Judy Greer) e tem um papel mais fundamental, como no livro. Os breves reflexos do livro, no entanto, são poucos e não têm tanta força a ponto de transformar o novo Carrie, a Estranha numa adaptação autossuficiente. É basicamente um remake do filme de Brian De Palma, com alguns acréscimos provenientes do livro. Até mesmo ângulos de câmera e sequências de tomadas são nitidamente inspiradas no material do filme clássico. Faltou um pouco de ousadia nesse sentido.

Os novos elementos que Peirce aproveita são basicamente uma compreensão mais sutil sobre a que ponto pode chegar a crueldade de meninas adolescentes e um pouco mais de simpatia por Margaret — que infelizmente não é tão interessante, já que Margaret é a principal antagonista da história, justamente por disfarçar sua crueldade sob seus pudores religiosos, ao contrário de Chris Hargensen, que é plenamente sincera em sua maldade. Se o filme não fosse tão resignado em seguir o material do filme antigo, talvez tivesse aprofundado mais essa atmosfera de desumanidade que muitos jovens eventualmente precisam enfrentar em suas vidas. O lado bom é que esse remake apresenta o universo de Carrie para um novo público, que talvez não tenha visto — ou não conheça — o filme original.

Chloë Moretz, como eu disse, é o grande trunfo, por construir uma Carrie sólida, equilibrando reverência e, ao mesmo tempo, injetando sutilezas que fazem de sua versão uma personagem distinta da anterior — e até um pouco mais intimidante. O esforço de Moretz transita por todos as três características principais da personagem — as mudanças internas e externas de uma vítima aterrorizada, a jovem que cautelosamente descobre como lidar com seus poderes, e a icônica assassina encharcada em sangue (de porco). As comparações entre Moretz e Spacek são inevitáveis, mas a empatia de Chloë Moretz ajuda a compor uma Carrie poderosa, um misto de esperança genuína e frieza aterrorizante.

Aqueles que não estão realmente interessados em ver um remake contemporâneo de Carrie, a Estranha podem não ser fisgados pelos esforços de Peirce e Moretz, mas para aqueles que estão abertos ao remake, o novo filme consegue (até certo ponto) atualizar a trama com uma releitura de Carrie mais intensa, sangrenta e francamente assombrosa. Finalmente é bom ter a oportunidade de ver a verdadeira extensão dos poderes telecinéticos de Carrie no cinema.

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