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A Menina Com PODERES TELECINÉTICOS – Um Breve Estudo Sobre Telecinese

Carrie, a Estranha Telecinese

Telecinese é certamente um dos super-poderes mais sensacionais entre todos os super-poderes. A palavra “telecinese” foi criada em 1890 pelo pesquisador russo Alexandre Aksakof, estudioso de fenômenos psíquicos, e se origina das palavras gregas “tele” e “kinese”, que significa “movimento à distância”. Também é comum o uso do termo “telecinésia”, mas eu prefiro chamar de Telecinese mesmo — soa melhor como um super-poder ao invés de parecer algum tipo de remédio bizarro.

Personagens históricos, religiosos, mitológicos e ficcionais demonstraram a capacidade de mover as coisas com a mente por milênios, como por exemplo, Shakuni, personagem chave no épico sânscrito Mahabharata, que manipula telecineticamente os dados em um jogo crucial para alterar o resultado a seu favor. A concepção do poder já existia, só não tinha um nome específico, até 1890. Ao longo dos anos, muitas outras definições e redefinições do poder surgiram, criando nomes como Psicocinese ou variações como Pirocinese, Criocinese, Omnicinese, entre outras.

Ainda que não seja provada cientificamente, muitos parapsicólogos, físicos e cientistas documentaram acontecimentos atribuídos a fenômenos telecinéticos, com constatações feitas em laboratórios experimentais e também fora de laboratório. Alguns englobam a telecinese nos estudos de física quântica. Outros dizem que a energia telecinética é uma ocorrência natural, e que todos nós teríamos a capacidade para desenvolver a Telecinese se pudéssemos aprender a usar essa habilidade.

Originalmente o escopo do poder Telecinese foi pensado para explicar o movimento de objetos provocados por fantasmas, espíritos, anjos, demônios, ou outras coisas sobrenaturais — o famoso poltergeist. Mais tarde, quando a especulação sobre a Telecinese aumentou, os estudos sobre o poder começaram apontar para os humanos como fontes do fenômeno. Nesse sentido, há ainda a (curiosa) associação do poder à capacidade do cérebro humano de fazer muito mais do que imaginamos, pois como afirmam os mitos, nós usamos somente 10% do nosso cérebro — você certamente já ouviu falar do “mito dos 10%”.


CARRIE, A ESTRANHA

O conceito de Telecinese tornou-se mais presente no imaginário coletivo na década de 1960, quando uma mulher russa chamada Nina Kulagina foi estudada e testada por dezenas de parapsicólogos e cientistas. Ela era uma dona de casa comum quando suas habilidades foram descobertas, e os estudiosos concluíram que ela realmente possuía capacidades telecinéticas e outros tipos de habilidades paranormais como clarividência. Nina morreu em 1990 de ataque cardíaco enquanto realizava uma demonstração de sua Telecinese. De acordo com os estudos, ela sofria alterações drásticas nos batimentos cardíacos (chegavam a 240 por minuto) quando usava a Telecinese — sensações semelhantes com as que Carrie sente quando usa seus poderes.

Muitas são as histórias que abordam poderes telecinéticos, como os filmes Star Wars (1977), O Toque da Medusa (1978), Scanners: Sua Mente Pode Destruir (1981), Sexta-Feira 13 Parte VII: A Matança Continua (1988), Akira (1988), Eu Sou o Número Quatro (2011), Poder Sem Limites (2011), Looper (2012), entre outros. Nos quadrinhos, também são muito comuns usuários de Telecinese, com destaque para Jean Grey, dos X-Men, embora o poder do Magneto também possa ser considerado uma espécie de Telecinese direcionada para metais.

De todas as histórias com Telecinese, uma das mais conhecidas é da menina Carrietta White, a icônica assassina telecinética descrita no livro Carrie, a Estranha, escrito por Stephen King e adaptado para o cinema no filme de Brian De Palma, em 1976, protagonizado por Sissy Spacek. Esse filme ganhou uma continuação em 1999, chamado A Maldição de Carrie (que não é bom), e uma refilmagem para a televisão em 2002 (que também não é bom) — mas nesse texto, vou considerar apenas o filme de 1976 e o remake de 2013.

Carrie apresenta uma visão da Telecinese fria, pessimista e assustadora, ao mesmo tempo em que explora uma personagem inocente e tão humana quanto eu e você. Carrie é a representação do que muitos de nós poderíamos fazer se tivéssemos super-poderes e fossemos constantemente sacaneados por alguém. Eu gosto muito do livro, que agora está sendo adaptado novamente para o cinema, dessa vez com direção de Kimberly Peirce e protagonizado por Chloë Grace Moretz.

A trama de Carrie, a Estranha é focada na profundamente religiosa e conservadora Margaret White e sua filha Carrie, que vivem no subúrbio tranquilo de Chamberlain, no Maine. Carrie é uma garota calma e gentil, mas que vive fechada em seu próprio mundo por causa da educação abusiva de sua mãe e dos maus-tratos que sofre por parte de seus colegas de escola, liderados pela arrogante Chris Hargensen. A melhor amiga de Chris, Sue Snell, no entanto, não aprova a zombaria contra Carrie e convence seu namorado, o popular Tommy Ross, a levar Carrie ao baile. Porém, levada ao limite da humilhação por seus colegas durante o baile, Carrie sofre um surto psíquico e desencadeia uma onda de estragos com seus poderes telecinéticos.


PODERES TELECINÉTICOS SEGUNDO STEPHEN KING

Carrie, a Estranha Telecinese

O livro de Stephen King, além de contar a história de Carrie, mostra-se quase como um estudo sobre a Telecinese — embora o autor, naturalmente, construa seu próprio conceito sobre a habilidade.

No livro, Telecinese é explicada como sendo de origem genética, um traço cujo portador é aparentemente o homem. O gene PODE ser recessivo na mulher, mas é dominante APENAS na mulher. Isso significa que uma pessoa pode ter o gene, homem ou mulher, mas não têm potência porque o gene pode não ser dominante. Isso também significa que os homens não podem desenvolver a habilidade de usar Telecinese, uma vez que o gene só mostra dominância em mulheres.

A avó de Margaret White, mãe de Carrie, tinha essa capacidade, e ela passou o gene para sua neta, embora fosse considerado recessivo em Margaret — o que é descrito em tom de especulação. Ainda assim, eu tenho uma teoria de que Margaret consegue manifestar habilidades psíquicas em níveis extremamente inconscientes, o que explicaria porque as palavras de Margaret parecem profecias sobre o banho de sangue que está por vir momentos antes de Carrie ir para o baile. Ela diz coisas como “Lavada no Sangue do Cordeiro” ou “Vai haver um julgamento”, que apesar de serem pragas de uma fanática religiosa, também carregam uma forte conotação de conhecimento prévio.

Essa cena também está nos filmes, um pouco diferente, pois Margaret vê o vestido de Carrie como “vermelho”, quando a cor do tecido é rosa (só nos filmes) — isso reforça minha teoria. No livro, o vestido de Carrie é de cor vermelha, mas a forma como Margaret reclama dele também possui um leve tom de “premonição”.

Vale ressaltar ainda que o poder psíquico de Carrie, apesar de sustentado pela Telecinese, também apresenta outros tipos de manifestação. Premonição seria apenas uma delas. Outra manifestação é a Telepatia, habilidade normalmente associada à Telecinese, vista no livro, mas que não aparece nos filmes de 1976 e 2013. No livro, TODOS na cidade, inexplicavelmente, sabem que a responsável pela destruição é Carrie, porque ela transmite esse conhecimento para as outras pessoas instintivamente junto com suas emoções. Tanto que, quando perguntados sobre isso, ninguém consegue responder por que sabiam sobre Carrie, as pessoas apenas sabiam.

A Telecinese — abreviada como TC — é mostrada por Stephen King como um poder que parece queimar energia, à medida que o coração de Carrie bate em um ritmo acelerado enquanto ela praticava seus poderes, e pelo fato de que ela parecia ter emagrecido antes festa de formatura. Sua certidão de óbito, disponibilizada na última parte do livro, também diz que pode ter acontecido algo de errado com seu coração.

Também é afirmado que a Telecinese geralmente só se revela em momentos de grande estresse. Carrie primeiro redescobriu seu poder após o evento traumático na aula de ginástica quando ela teve sua primeira menstruação e pensou que estava sangrando até a morte. Outros eventos traumáticos são apresentados como responsáveis por desencadear os poderes telecinéticos de Carrie, incluindo o fenômeno da chuva de pedras que aconteceu em sua infância — nos filmes acontece no final sob outro contexto — e a explosão de raiva que se segue à noite do baile de formatura.


CARRIE NA VIDA REAL

Sabe esse vídeo logo acima? Parte da premissa SENSACIONAL de que a Telecinese poderia ser real. O vídeo surgiu no YouTube e rapidamente se alastrou pela internet, mostrando uma garota com poderes telecinéticos que surta de repente numa cafeteria nos EUA e começa a “destruir” o lugar. O experimento foi feito com uma câmera escondida que registrou as reações dos clientes desavisados da cafeteria.

Esse é realmente um golpe publicitário surpreende para o novo filme de Carrie, a Estranha — parabéns aos envolvidos pela criatividade! A brincadeira é realmente emocionante à medida que vemos a garota movendo tudo ao seu redor com seus “poderes”, mesmo que saibamos das paredes falsas, das polias ocultas, das mesas movidas por controle remoto, das prateleiras, das molas por trás dos livros. Nós sabemos porque vemos no começo do vídeo, mas os clientes que param inocentemente nesse café não sabem, e a reação deles é a sacada da campanha.

“Existem outras pessoas como eu que podem fazer o que eu faço” — essa é a proposta da campanha, e levanta uma questão interessante. Se fosse verdade? Se realmente existissem outras pessoas pelo mundo afora com poderes telecinéticos, ou outros poderes? Como você reagiria? — Eu sei como eu reagiria, e a campanha não daria muito certo comigo. Se eu estivesse numa cafeteria e visse uma garota do nada usar poderes psíquicos, eu correria até ela e diria — “Que foda! Me ensina!”

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  • graice kelle comceiçao lapastina

    oi eu mi apaixonei eu amei si quise pode michama pra faser o sugumdo filme

  • Dogão é mal xablau

    Eu tenho habito feio de quando vou dormir eu faço uma “história” por incrível que pareça eu me canso e durmo, mas esse não é o ponto, na verdade enquanto eu inventava uma de minhas “histórias” eu fiz um movimento como se tive-se socando e foi na direção do meu monitor, só que eu estava longe ele simplesmente ligou, talvez essa parte da emoção que sitam no livro seja verdadeira pois meu pc estava em tela de descanso eu estava simulando uma história de batalha eu entro muito no personagem o que eu chamo de “sonhar acordado”.Posso parecer louco dizendo isso mais não foi mentira, não foi mesmo.

  • Kayane Araújo

    as vezes quando eu durmo, quando eu acordo tem algumas coisas quebradas ou jogadas pelo chão, ou fui eu ou foi meu gato!

    • Sarva Yuki Silva

      Se tiver sido seu gato, ele é igual o meu, se tiver sido você, somos iguais.

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