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Tabus Sobre Sexo Que Não Mudam – A Cena Censurada de CHARLIE COUNTRYMAN

Quando sua falecida mãe aparece em uma visão e lhe diz para ir a Bucareste, Charlie (Shia LaBeouf) imediatamente embarca num avião sobre o Atlântico. Mas quando ele conhece um passageiro, Charlie encontra-se com mais uma promessa a cumprir. Charlie acaba se apaixonando perdidamente por Gabi (Evan Rachel Wood), uma linda musicista. No entanto, um traficante de drogas (Mads Mikkelsen) já reivindicou Gabi, e não tem a intenção de deixá-la ir. Determinado a protegê-la, Charlie entra num submundo alucinante, cheio de violência e, por incrível que pareça, amor.

Pela história e pelo trailer tarja-vermelha, não é muito difícil notar que Charlie Countryman, dirigido por Fredrik Bond, é um filme para maiores. PARA. MAIORES. Mas é triste perceber que algumas pessoas não conseguem enxergar que assistir a um filme classificado para maiores de idade normalmente implica certo nível de maturidade — que os censores aparentemente não dispõem. Se um filme é para maiores de idade, classe R, significa que está direcionado a um público de adultos, que teoricamente não deveriam se sentir desconfortáveis por qualquer motivo bobo. Presume-se que nesse tipo de filme, com esse tipo de classificação, existem cenas de violência, linguajar grosseiro ou conteúdo sexual. Mas nem tudo é assim tão simples, e nem todo mundo é assim tão maduro.

Muitas pessoas — acredite, eu vejo muito disso em salas de cinema — frequentemente agem como crianças que precisam cobrir os olhos quando veem cenas sexuais mais fortes, ou ficam dando risadinhas de vergonha como se sexualidade fosse algo engraçado e desconcertante. Porque isso parece coisa de criança dando seus primeiros passos pela vida como ela é — e infelizmente, muitos adultos, em pleno ano de 2013, ainda não conseguem se livrar de um monte de tabus antiquados quando se trata de sexo — talvez porque não conseguem tirar as mãos da frente dos olhos.

Recentemente, a atriz Evan Rachel Wood protestou no Twitter após saber que uma cena de sexo oral do filme tinha sido cortada pela Motion Picture Association of America (MPAA), entidade que representa os estúdios de Hollywood, a qual Rachel criticou e chamou de machista por censurar a sexualidade de uma mulher mais uma vez, alegando que a cena em que os dois personagens principais fazem amor foi alterada porque alguém sentiu que ver um homem fazer sexo oral numa mulher deixava as pessoas ‘desconfortáveis’.

“As cenas em que as pessoas são mortas tendo suas cabeças explodidas ficaram intactas e inalteradas. Esse é um sintoma de uma sociedade que quer envergonhar as mulheres e diminuí-las por gostarem de sexo, especialmente quando, uau, o homem não chega ao orgasmo também! CRESÇAM. Para mim, é difícil de acreditar que a cena teria sido cortada se os papéis fossem invertidos. Aceitem que alguns homens gostam de dar prazer a uma mulher. Aceitem que a mulher não precisa apenas ser fodida e agradecer. Nós temos o direito e o dever de nos darmos prazer.” — completou a atriz. De fato, a sociedade precisa entender que as mulheres também gostam de sexo e que isso precisa ser encarado com naturalidade.

O caso do MPAA é sempre complicado, porque o órgão não censura diretamente. Ao invés disso, eles fornecem uma classificação etária com base no que será exibido no filme. E assim, fica definido se é para ser assistido por crianças, adolescentes, adultos ou todos. A classificação etária serve como uma diretriz a ser seguida, e sobra para o estúdio, a distribuidora e/ou os realizadores tratar o filme para que ele possa se adequar as diretrizes. O problema é que muitos realizadores não gostam de exibir filmes com classificação etária muito alta, por isso significa público menor e lucro menor — é por isso que tantos filmes hoje ganham classificação 10 ou 13 anos, porque são o público mais presente nas salas de cinema. Muitos realizadores tentam burlar isso fazendo edições que agradem os avaliadores para conseguir uma classificação que atinja um público maior. É quando a censura acaba aparecendo. É quando vemos que muitos realizadores desviam o olhar de questões morais porque estão mais interessados em olhar para o dinheiro. Ou simplesmente não querem olhar para nada.

Eu apoio a posição da atriz contra mais essa censura desnecessária no meio cinematográfico, e apoio principalmente porque censurar e editar uma obra é como tirar um pedaço dela, e privá-la de parte de sua essência. Precisamos aprender a encarar a realidade do mundo em que vivemos ao invés de tapar os olhos com as mãos. Muita coisa mudou e ainda vai mudar, e renegar a mudança é o tipo de coisa que provém da censura e cria a censura. Mas acima de tudo, a censura proveniente de concepções machistas de mundo continua ferrenha. Uma pena. As mulheres merecem mais respeito. O cinema merece mais respeito. Eu já gostava do seu trabalho, Rachel Wood, mas agora sou mais seu fã ainda.

Charlie Countryman

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