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Como Não Perder Essa Mulher – Festival do Rio 2013

Como Não Perder Essa Mulher

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Como Não Perder Essa Mulher

Joseph Gordon-Levitt é um dos mais proeminentes atores da indústria cinematográfica atual, e agora resolveu escrever e dirigir seu próprio filme: Como Não Perder Essa Mulher (Don Jon, EUA, 2013) — e se mostra confiante ao conduzir sua própria comédia para maiores nas telonas.

As cenas não são apenas pedaços da vida, são momentos que se somam numa história não tem realmente um fim e, no todo, é muito divertido de assistir. O fato de seu personagem principal ser viciado em pornografia é apenas um gancho para uma forma diferente de tratar das dificuldades de relacionamentos entre homens e mulheres.

Jon (Joseph Gordon-Levitt) é um jovem comum de Nova Jersey, dedicado à família, aos amigos e à igreja, mas que desenvolve expectativas surreais ao assistir pornografia. Sempre insatisfeito com suas relações reais com mulheres, ele busca uma vida sexual mais gratificante e alguém com potencial para despertar nele a verdadeira paixão.

Por ser um cara pegador, Jon é chamado pelos amigos de Don Jon, e de fato, o início do filme é bastante focado em mostrar como Jon se dá bem com as mulheres, mas não se satisfaz plenamente com elas por causa das expectativas elevadas que desenvolveu após anos se masturbando e assistindo filmes pornôs.

Por um lado, Don Jon inverte algumas convenções, pois ao invés de mostrar uma mulher tentando ter um orgasmo — considerando que para elas é mais difícil alcançar esse ápice de prazer sexual —, mostra como também pode ser difícil para um homem sentir prazer verdadeiro numa relação. Por outro, também se refere à dificuldade que muitas pessoas têm para se entenderem quando desenvolvem uma relação; somos normalmente tão centrados em nós mesmos e nos nossos próprios desejos pessoais, que muitas vezes tentamos impor nossas vontades ao outro, e sequer conseguimos enxergar o mal que fazemos por causa desse egoísmo. Todos nós, você, eu, todos, já passamos por isso num relacionamento em algum momento das nossas vidas. Don Jon reflete o quanto isso é difícil. Mas o faz com bom humor.

Jon passa grande parte de seu tempo livre com os amigos, estipulando notas para mulheres gostosas, e definindo se valem o esforço de uma conquista rápida — porque Jon não deseja relações duradouras, é um solteiro convicto, que quer apenas se divertir por uma noite. O filme retrata de forma engraçada, com edições rápidas e eficientes, o universo das amizades masculinas. Você, homem, certamente tem — ou teve em algum momento — aquele círculo de amigos com quem você saia toda a noite pra beber umas cervejas e azarar umas garotas. Sempre tem aquele amigo que pega geral, aquele amigo que fica só na aba e não pega ninguém, e aquele amigo que está ali mais para se divertir do que para tentar ficar com alguma garota. O amigo que não pega ninguém, muitas vezes, é o que sente uma pontada de inveja do amigo que pega geral, e demonstra isso com comentários maliciosos que o amigo pegador quase nunca percebe. O amigo que está ali para se divertir acaba sendo o suporte, o cara que vai à sua casa para levantar seu ânimo quando você está mal — na maioria das vezes, por causa de alguma mulher.

Como eu disse, essas situações tão comuns do cotidiano masculino são todas apresentadas com bastante bom humor, e são mais presentes no filme graças ao ponto de vista de Jon, que é o foco principal da história. O curioso é ver Joseph Gordon-Levitt, que faz um gênero mais cool, interpretando um personagem que não tem muito a ver com ele — Jon às vezes lembra os marombeiros de Sem Dor, Sem Ganho, só que de forma menos agressiva e mais sexual.

Mas o verdadeiro ESPETÁCULO chama-se Scarlett Johansson!

God Bless Scarlett Johansson! — 10 Ave Marias e 10 Pais Nossos pelos nossos pecados agora!

Ela interpreta Barbara Sugarman, uma típica garota de Nova Jersey, que surge no caminho de Jon no melhor estilo Jessica Rabbit, e deixa o cara apaixonado a ponto de torná-lo um idiota que faz tudo o que ela manda — quem nunca passou por isso também?! Barbara quebra a rotina e os hábitos de Jon, e pelo jogo duro que faz em relação ao sexo, acaba conquistando ele pela persistência — pelo fato de ser uma tremenda gostosa também, claro!

Rapidamente, percebemos as mudanças. Barbara promove uma reforma no estilo de vida de Jon, obrigando-o a frequentar uma faculdade à noite, e criando situações para que ele, aos poucos, vá largando os amigos de lado. Aos poucos, Barbara vai se impondo sobre Jon e ele vai se tornando uma pessoa mais apagada e infeliz, porque não pode ser quem realmente é quando está com ela. Até que certa noite Barbara descobre que ele se masturba vendo pornô. Isso muda o jogo e obriga Jon a decidir o que ele realmente quer para sua vida.

Scarlett Johansson interpreta sua personagem com uma sensualidade excitante, capaz de virar a cabeça de qualquer um do avesso, e apesar de ser uma tremenda gostosa, é uma tremenda chata! Barbara é muito irritante, pelamordedeus! Assim como Gordon-Levitt, é curioso ver a atuação de Johansson como uma chata petulante, pois a atriz, pelo que se vê em eventos e entrevistas, faz um gênero mais tranquilona com a vida. E mesmo assim, ela consegue ser um espetáculo em cena.

God Bless Scarlett Johansson! — 10 Ave Marias e 10 Pais Nossos pelos nossos pecados agora!

O restante do elenco torna tudo ainda mais divertido. Não é apenas Johansson com um sotaque carregado de garota de Nova Jersey, mas Glenne Headly e Tony Danza sensacionais como pais de Jon e representação do futuro que ele vai ter se continuar com Barbara; Brie Larson como a irmã mais nova que mal olha para cima e está sempre prestando atenção no celular, e nunca fala nada, mas de alguma forma está prestando atenção em tudo o que acontece; e Julianne Moore, frágil e maliciosamente engraçada como uma mulher pensativa que surge na vida de Jon para mudar mais um pouco alguns de seus conceitos.

Gordon-Levitt, como escritor e diretor, concede a seu filme uma moral e até mesmo escreve algumas linhas fortes para si mesmo, e não se prende a subtramas. Don Jon é a história de Don Jon, simples assim. A trama é bem linear. Isso por um lado é bom, pois evita desperdícios e prolongamentos que poderiam tornar a história cansativa. Por outro, deixa algumas lacunas que não são tão claras — por exemplo, Jon leva uma vida confortável, mas em nenhum momento é realmente evidente como ele consegue manter tudo isso, embora ele diga que está na área de serviços, aparentemente como barman.

Gordon-Levitt, o diretor, joga bem suas cartas na mesa, e se mantém firme em sua estreia na direção, aproveitando inteligentemente os pontos-chave de seu humor, incluindo uma série de confissões na igreja que são impagáveis. Gordon-Levitt, o ator, mostra por que é um dos mais proeminentes atores da indústria cinematográfica atual. Como Não Perder Essa Mulher tinha tudo para descambar para a comédia escatológica sobre sexo, mas no fim, é uma comédia deliciosa e engraçada sobre homens, mulheres e sexo.

God Bless Scarlett Johansson! — 15 Ave Marias e 15 Pais Nossos pelos nossos pecados agora!

MOSTRA PANORAMA DO CINEMA MUNDIAL

COMO NAO PERDER ESSA MULHER (Don Jon) – De Joseph Gordon-Levitt. Com Joseph Gordon-Levitt, Scarlett Johansson, Julianne Moore, Tony Danza, Glenne Headly. Estados Unidos, 2013. 90min.

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