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Amantes Eternos

Adam (Tom Hiddleston) é um vampiro milenar, que sempre amou as artes, principalmente a música, mas não consegue se adaptar ao mundo moderno e por causa disso vive recluso numa parte abandonada de Detroit. Seus únicos elos com o mundo dos vivos são: Ian (Anton Yelchin), um fã de sua obra, e um médico do banco de sangue que se autodenomina Dr. Watson (Jeffrey Wright). Sem nenhum contato com o mundo atual, Adam chama os humanos do nosso século de zumbis, ama seus instrumentos musicais e abomina o sucesso que sua música faz. Eve (Tilda Swinton), esposa de Adam, vive em Tanger, e lida com a imortalidade de uma forma melhor; caminha entre os humanos, entende como funciona o mundo atual e conserva as amizades do passado. Ao sentir que Adam está prestes a ter uma atitude drástica, a vampira decide que está na hora de voltar para ele, já que o amor deles é maior do que a vida que levam. O problema é que sua irmã, Ava (Mia Wasikowska), aparece em Detroit e muda completamente os planos do casal.

(Only Lovers Left Alive) – Terror. Reino Unido, 2013.

De Jim Jarmusch. Com Tom Hiddleston, Tilda Swinton, Mia Wasikowska, John Hurt, Anton Yelchin e Jeffrey Wright. 123min. Classificação: 14 anos.

FESTIVAL DO RIO 2013 – Exibição na Mostra Panorama do Cinema Mundial

Amantes Eternos


AMANTES ETERNOS – CRÍTICA

Vampiros sempre foram seres obscuros, sombrios, que povoavam filmes de terror como metáforas sobre a natureza humana. Mas decidiram transformá-los em ídolos adolescentes que brilham no sol, bonzinhos, assexuados, quase bibelôs. Felizmente, essa febre “brilhante” acabou, e para enterrá-la de vez, alguns diretores decidiram resgatar o gênero, levando os vampiros de volta para a escuridão.

Dentro desse grupo está Jim Jarmusch, um dos precursores do cinema independente norte-americano, que chamou atenção em Cannes esse ano ao mostrar que aquela fórmula, que muitos acreditavam estar desgastada, pode ser renovada exatamente ao voltar às suas origens.

Amantes Eternos adiciona o humor inconfundível de seu diretor ao mito, dando mais charme ainda aos personagens. Os vampiros de Jarmusch são seres incríveis, mas não são sobre-humanos, muito pelo contrário. São pessoas que viveram tempo demais e por isso conhecem muito bem a natureza humana. Adam sente raiva por saber o quanto a humanidade é capaz mas parece ter estagnado na mediocridade. Seu amor pelas artes, as ciências e tudo mais o que o homem é capaz de criar, faz com que ele sinta repulsa pelos humanos atuais, a quem chama de zumbis, seres que apenas vivem dia após dia sobre a Terra, sem apreciar a vida.

Eve aprecia a natureza humana, talvez porque tem uma sensibilidade enorme em relação aos seres vivos. São opostos que se atraem, como a própria Eve reconhece, por maior que seja a distância entre eles. Ava é a vampira que adora sua natureza e não se importa com os humanos; eles não a incomodam, na verdade, a divertem. Ela é antítese de Adam e Eve.

O filme apresenta personagens que caracterizam todos os estigmas do mito, o mistério, a dor de viver muito tempo, o tédio por já ter realizado tudo o que se podia, mas mesmo assim, continuam se surpreendendo com a vida. Além de Adam, Eve e Ava, há também o vampiro Marlowe (John Hurt), um escritor e grande amigo do casal, que tem uma presença marcante para a história da humanidade e da vida dos dois vampiros.

Jarmusch usa seus personagens milenares para discutir sobre seus assuntos favoritos: as relações humanas e a cultura que nos cerca. Brinca com ícones da literatura, artes plásticas e música, sempre rondando a cultura pop. Por isso que Adam é uma estrela misteriosa do rock que mora em Detroit, berço dos principais movimentos musicais do país.

Aliás, a música é um elemento muito importante dentro da obra do diretor e nessa nova produção não poderia ser diferente, principalmente com um vampiro que é um ídolo do rock underground. A trilha sonora incidental foi composta pelo compositor holandês, Jozef van Wissem. Já a música de Adam é da banda do próprio diretor, a SQÜRL.

Com todo o plano de fundo tão bem orquestrado, por assim dizer, a parte abandonada de Detroit e a vida noturna de Tanger formam o cenário perfeito para seres que apenas vivem a noite. O mundo parece abandonado, onde a humanidade é figura secundária em uma trama que fala exatamente sobre ela, sobre a estagnação da cultura atual, e sobre como tudo é descartável e frígido. Os vampiros de Jarmusch são os seres mais vivos de todo o filme; andam pelas sombras admirando a beleza da vida, sempre se apaixonando novamente, um pelo outro e pelo mundo ao redor. Definitivamente, Jarmusch salva o gênero através de um filme contemplativo, sobre vida, morte, música e conclui que apenas aqueles que têm amor pela vida sobrevivem.

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