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O Último Amor de Mr. Morgan – Festival do Rio 2013

O Último Amor de Mr. Morgan

O Último Amor de Mr. Morgan

O Último Amor de Mr. Morgan

O Último Amor de Mr. Morgan

Quando o amor supera tudo mais, o mundo parece que perde o brilho, e tudo o que importa é esse amor. Às vezes, o amor por alguém ou por alguma coisa é tanto que começamos a odiá-la. Outras vezes, não há nada além desse amor. Nada. O Último Amor de Mr. Morgan (Mr. Morgan’s Last Love, Alemanha, 2013) trata do amor como uma emoção avassaladora, difícil de lidar, capaz de despertar o que há de melhor e o que há de pior numa pessoa.

A existência de Matthew Morgan (Michael Caine) sempre girou em torno de sua esposa, Joan (Jane Alexander), apresentada na história através de flashbacks. Desde a morte de Joan há três anos, dois meses e 11 dias, Matthew vive sozinho, triste, esquecido na cidade de Paris, vivendo um dia após o outro, e definhando a cada dia numa rotina depressiva. Uma vez por semana, encontra-se em almoços com Colette (Anne Alvaro), ajudando-a a melhorar seu inglês, e garantindo algum propósito para sua vida.

A rotina muda quando Matthew conhece uma jovem loira em um ônibus, que o ajuda e o acompanha até em casa. Pauline (Clémence Poésy), a jovem loira, é professora de dança, e convida Matthew para participar de uma de suas aulas. Logo, uma amizade forte floresce entre os dois, e a vida de Matthew ganha mais vida, e mais luz, à medida que ele se torna mais alegre por estabelecer com Pauline uma relação de paternidade que ambos nunca tiveram na vida. O problema é que Matthew é um homem que vive o amor com intensidade, e não consegue lidar com o vazio provocado pela falta dele. Num momento de dificuldade, Pauline descobre que existe mais na vida de Matthew do que ela imagina, quando os filhos dele, Miles (Justin Kirk) e Karen (Gillian Anderson), vêm à Paris visitar o pai.

Matthew é um homem que amou a mesma mulher durante toda a sua vida, e por causa disso, foi incapaz de demonstrar amor por qualquer outra pessoa ou coisa — ou seja, nunca foi realmente capaz de expressar verdadeiro amor por seus filhos. Pauline aparece em sua vida para suprir essas carências: a falta do amor (a esposa que faleceu) e a falta de paternidade (a falta de uma relação afetuosa com os filhos). O excesso de amor transformou Matthew em um homem fatalista, La Douceur Assassine, como o nome do livro que inspirou o filme, escrito por Françoise Dorner. Michael Caine, com sua força de presença e excelente desempenho, comanda a emoção do filme, e consegue ser adorável, apesar do lado trágico do personagem. Poésy contrabalanceia Caine, por ser uma pessoa igualmente passional, porém menos introvertida e fatalista.

Pauline revela-se um sopro de vida para Matthew, é um novo amor, que surge enigmático, difícil de decifrar, mas que possui um propósito maior, capaz de apagar inclusive as sequelas de um “amor tão grande se tornou ódio” — o amor exagerado e explícito de Matthew pela esposa tornou o amor por Miles e Karen tão implícito que acabou despertando rancor entre pai e filhos. Justin Kirk cumpre seu papel como Miles, o filho transtornado pelas agruras de sua vida, que não consegue entender a estranha relação desenvolvida entre Pauline e seu pai. Ainda que importante para a história, Miles não é realmente aprofundado pelo roteiro. Karen, menos ainda. Gillian Anderson aparece muito rapidamente, ainda que seja sensacional.

O roteiro sofre com discrepâncias e transições apressadas entre um seguimento e outro da trama. Como um filme adaptado de um livro, é compreensível a necessidade de enfatizar certos pontos, mas os saltos entre os acontecimentos são abruptos e às vezes deixam a impressão de que alguma coisa está faltando. Muita coisa se torna intrínseca à nossa própria interpretação, para que tiremos nossas próprias conclusões do que pode ou não ter acontecido.

Sandra Nettelbeck, que é roteirista e diretora do filme, apesar das dificuldades, faz florescer esse relacionamento improvável entre Matthew e Pauline em meio aos eternos percalços da dinâmica familiar. Através de uma jornada ora doce ora amarga, vivenciamos de forma tocante os conflitos do último amor do Mr. Morgan — que pode ser pela esposa, por Pauline, pelo filho Miles; um último amor que acontece várias vezes, porque um amor perdido é sempre o último até que um novo amor surja e mude tudo. O que muda? Esse é o enigma a ser decifrado.

MOSTRA FOCO ALEMANHA

O ÚLTIMO AMOR DE MR. MORGAN (Mr. Morgan’s Last Love) – De Sandra Nettelbeck. Com Gillian Anderson, Michael Caine, Clémence Poésy. Alemanha/Bélgica/Estados Unidos/França, 2013. 116min.

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