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Nebraska – Festival do Rio 2013

Nebraska

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O cinema americano sempre olhou para os seus rincões para refletir sobre seu país. Porém, se em outros tempos buscava-se suas origens e seus heróis — valendo como exemplo a Smalville do Superman de Richard Donner — o atual momento, de crise política e econômica, pede um tipo diferente de questionamento. É nesse contexto que o diretor Alexander Payne (Os Descendentes) apresenta sua nova obra, Nebraska (EUA, 2013).

Somos apresentados à família Grant. O patriarca, Woody (Bruce Dern, em atuação que lhe valeu o prêmio de melhor ator em Cannes), já idoso, teima que ganhou um prêmio de 1 milhão de dólares de uma revista, não percebendo – ou não querendo perceber – que trata-se de um óbvio golpe. De tanto insistir, seu filho David (Will Forte) acaba decidindo viajar de carro com seu pai até o Estado de Nebraska para buscar o suposto prêmio. No caminho, porém, faz uma parada em uma cidade do interior onde Woody possui família e antigos amigos que não vê há quarenta anos.

O que temos em cena então é uma América cansada. Diversas gerações que sentam o dia todo em frente à televisão, sem assunto para uma longa conversa mesmo após tantos anos. Talvez mais do que cansaço, o que vemos é a apatia do americano branco médio. Toda a grandiosidade do cenário contrasta com a falta de perspectiva do povo, tendo que sobreviver como pode perante a crise econômica, mas sem forças pra lutar ou questionar nada.

O único fato que os fazem se mover é a notícia de que Woody se tornou milionário. O filme parece nos lembrar que o importante do sonho americano não é se tornar rico, bem-sucedido ou famoso, e sim a esperança. A existência ou não da fortuna é irrelevante, mas é ela que tira todos os personagens da inércia em que estão submergidos e os fazem querer a mudança, de formas mais ou menos éticas.

A fotografia é belíssima, com diversos planos mostrando a imponência da paisagem do campo. Curioso que o monte Rushmore seja filmado de forma tão displicente e crítica. É como se Payne estivesse procurando onde está o seu país, se dando conta de que os bons tempos não eram na verdade tão bons assim. A escolha por filmar em preto e branco sinaliza uma certa nostalgia e ao mesmo tempo uma certa decadência, se enquadrando assim na busca em respostas no passado feita pelo diretor.

Apesar do tom melancólico do filme, o final traz um tom de esperança. A busca pela fortuna ilusória traz alguns frutos inesperados. Desta forma, ainda que de forma inusitada, Woody Grant conquista seu sonho. O grande heroísmo parece ser o de quem busca forças para lutar e sabe ser solidário no lugar do piloto automático que a vida moderna insiste em querer nos impor.

MOSTRA PANORAMA DO CINEMA MUNDIAL

NEBRASKA (Nebraska) – De Alexander Payne. Com Bruce Dern, Will Forte, June Squibb, Bob Odenkirk, Stacy Keach. Estados Unidos, 2013. 110min.



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