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Agents of SHIELD

Após a Batalha de Nova York de Vingadores, um grupo especial da SHIELD é formado para lidar com os espólios, composto por arquétipos básicos de uma equipe de combate ao crime: Grant Ward (Brett Dalton) é o agente capaz, mas arrogante, altamente treinado em combate e espionagem, bonitão, mas com sérios problemas para relações interpessoais; Melinda May (Ming-Na Wen) é a veterana sisuda e fodona que volta à ativa, uma lutadora com habilidades excepcionais quando se trata de artes marciais e pilotagem, mas que tem problemas emocionais causados por experiências trágicas anteriores; Leo Fitz (Iain De Caestecker) e Jemma Simmons (Elizabeth Henstridge), chamados carinhosamente de Fitz-Simmons, são os nerds alucinados, dois agentes que treinaram juntos e gostam de passar a maior parte do tempo um com o outro, e atuam como extensão um do outro — ela trabalha com biologia e química e ele, com armamentos e explosivos; e Skye (Chloe Bennet), alguém de fora que se torna membro do grupo pelas circunstâncias, uma hacker habilidosa, atraente e misteriosa.

(Agents of SHIELD) – Ação. Estados Unidos, 2013.

De Maurissa Tancharoen, Jed Whedon e Joss Whedon. Com Clark Gregg, Ming-Na Wen, Brett Dalton, Chloe Bennet, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, B.J. Britt, J. August Richards, Samuel L. Jackson e Cobie Smulders. Rede ABC. 22 episódios. 45min.

Agents of SHIELD


PRIMEIRA TEMPORADA – RESENHA

Agents of SHIELD começou já cercada por um tremendo hype, e com razão. O sucesso inegável do Universo Cinemático da Marvel abriu as portas para que a Marvel Studios e seus realizadores explorassem ainda mais o universo vasto que já existia nos quadrinhos e se estendeu para o cinema. Como a Agente Maria Hill explica logo no começo — “A Batalha de Nova York foi o fim do mundo. Isso, agora, é um mundo novo.”

A série surge basicamente como uma extensão dos filmes, um spin-off, um UNIVERSO EXPANDIDO, e assim como de cara já aparece a Maria Hill (Cobie Smulders, sua linda), muitos outros personagens e referências — do cinema e dos quadrinhos — vão aparecer ao longo dessa história. A série faz questão de não negar de onde veio, tanto que a todo instante surge uma menção ou referência aos Vingadores, que são os agentes da mudança para esse novo mundo; temidos e adorados, provocaram muitos reflexos nessa realidade, como já foi razoavelmente mostrado em Homem de Ferro 3 — elementos introduzidos em Homem de Ferro 3, inclusive, já são inseridos nesse piloto, sem qualquer receio — e o que é a piada das garotas de cosplay que ficam cercando a Torre Stark?! Sensacional!

Agents of SHIELD — que é co-escrito e dirigido por Joss Whedon, em parceira com seu irmão, Jed Whedon, e sua cunhada, Maurissa Tancharoen — apresenta a ação super-heroica do cinema em níveis mais humanizados e limitados, focando num grupo de agentes humanos que precisa lidar com ameaças super-humanas que começaram aparecer depois da Batalha de Nova York. Nomes como Tony Stark, Thor, e Natasha Romanoff são apenas mencionados, não mostrados, e por isso mesmo, personagens super-poderosos surgem como espólios de guerra que precisam ser contidos — o resultado drástico desses “espólios” começou a ser mostrado (também) em Homem de Ferro 3 e no curta Item 47, e agora, adquire novos contornos e ameaças.

A configuração dos personagens lembra um pouco Firefly, que também é de Joss Whedon, e outras séries do gênero, como a recém-cancelada Alphas, mas também possui muitos elementos de séries de ficção científica e investigação, como Arquivo X e Fringe, no qual os agentes precisam lidar com acontecimentos além da compreensão e ainda manter alguma sanidade diante disso.

Whedon, assim como faz em outras séries suas, aprofunda pouco a pouco as relações entre os personagens, através de ação, drama, romance, humor e tragédia. Ainda que assumam arquétipos dentro da equipe, são personagens que estabelecem identidades além de seus tipos. Como é de se esperar em um projeto de Whedon, a série usa bastante o humor inexpressivo entre o drama e a ação, criando um cenário sombrio e preocupante, mas ainda com um clima agradavelmente divertido.

Agents of SHIELD se desenvolve com essa sagacidade bem-humorada, habilmente desvalorizando momentos de maior seriedade com gracejos sutis. Na cena do interrogatório do primeiro episódio, por exemplo, o Agente Ward ameaça Skye dizendo que pode proceder o interrogatório de duas maneiras, Skye ironiza perguntando se um deles é o caminho “fácil”, Ward responde “não” sem qualquer expressão, levando Skye a murmurar um “oh” meio embaraçado que acaba com a seriedade da situação. Ainda assim, a rapidez do diálogo e a forma da interação reforçam a autoridade de Ward naquele momento, apenas para no momento seguinte ser quebrada por um bizarro soro da verdade. Essa cena do interrogatório de Skye, e a forma como o Agente Ward é levado a interrogá-la, considerando a leve tensão sexual que surge entre os dois, é uma cena com o típico aceno de Whedon para o público; e é sensacional, não só pela piada, mas pela inversão dos valores convencionais de um interrogatório.

Assim como aconteceu em Vingadores, Whedon consegue equilibrar seus personagens de forma convincente, intercalando dificuldades pessoais com a necessidade maior do grupo e mantendo as coisas em movimento sem exagerar na exposição. A sensação em relação aos personagens é que Ward e May passaram por mais complicações no passado do que eles próprios admitem, enquanto a dupla Fitz-Simmons parece, apesar da unidade entre ambos, se esconder atrás de sua ciência avançada.

Skye é a mais desprendida do grupo, como uma espécie de coringa que cria uma relação divertidamente antagônica com Ward, agindo como uma lente de aumento nas diferenças e protocolos da SHIELD, e o fato de ser um “trunfo” torna a personagem um poço de mistérios a ser desvendado — e convenhamos, que o fato de manterem segredo sobre o verdadeiro nome dela já é motivo para muitas especulações. — A começar pelo fato de que ela é uma das responsáveis por alimentar a Maré Crescente (The Rising Tide), a misteriosa organização cibernética que está tentando expor os segredos dos super-heróis e da SHIELD para o mundo. A princípio, fica a impressão de que Skye é a responsável pela Maré Crescente, mas logo depois, percebemos que não; ela é apenas uma parte de um sistema muito maior de hacker ativistas no melhor estilo Anonymous.

Os mistérios sobre Skye levam aos mistérios sobre a organização que está usando a Centopeia (Centipede), uma tecnologia Chitauri que foi adaptada para fornecer vários tipos de poderes aos usuários, como o poder de um Super Soldado misturado com o poder da Extremis. Mike Peterson (J. August Richards, conhecido nosso da série Angel) é apenas um dentre os super-heróis artificiais que surgem na série graças a esse projeto.

Agents of SHIELD é mais do que bem-sucedido em começar um novo arco desse Universo Expandido da Marvel, que agora além do cinema, marca território na televisão, criando uma envolvente história sobre super-heróis, que não é tão super, mas ainda é bastante heroica. Além de estabelecer seus personagens de forma carismática, ainda coloca tudo quanto é inventividade tecnológica na construção de vários mistérios intrigantes, como a Maré Crescente, Skye, a organização sombria por trás do Projeto Centopeia, a promessa de aparição de grandes nomes de Marvel, e o retorno de Coulson.

SIM! COULSON LIVES!!! E sim, eu deixei para falar do Filho de Coul por último! Porque ele se tornou um dos motivadores da série, e uma das razões para um hit combo de explosões de cérebro!

O manda-chuva da série é, sem dúvida, Clark Gregg, que retorna como Phil Coulson após sua suposta morte em Vingadores. O Agente Coulson foi um personagem criado para o cinema, que acabou ganhando um destaque inesperado, e tornou-se parte fundamental do Universo Cinemático da Marvel — tanto que também foi levado para os quadrinhos. — Coulson perambulou pela maioria dos filmes da Marvel, quase se sentindo intimidado pelos super-heróis ou pelos eventos fantásticos ao seu redor, e sempre se mostrando um cara com senso de humor afiado. Coulson parecia uma escolha natural para ser o protagonista aqui — afinal, todo grupo de combate ao crime precisa de um mentor. — Mas o retorno de Coulson tem verdades obscuras que vão além de uma breve perda de consciência e uma suposta recuperação no Taiti.

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