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SLEEPY HOLLOW – O Cavaleiro Sem Cabeça do Apocalipse

Sleepy Hollow Imagem

The Legend of Sleepy Hollow (A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça) é um conto famoso escrito por Washington Irving em 1820, que foi adaptado para o cinema por Tim Burton em 1999 — no que é um dos meus filmes preferidos de fantasia sobrenatural.

Agora, o conto surge na TV em uma nova versão, chamada simplesmente de Sleepy Hollow, adaptando a história de Irving para uma realidade mais contemporânea, algo parecido com o que foi feito com a série Sherlock, e que parece estar se tornando comum na televisão atualmente.

Na nova série, Ichabod Crane (Tom Mison) era um soldado de elite durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos, escalado pelo próprio George Washington para matar um assassino mascarado temível em meio às fileiras britânicas. Depois de completar sua tarefa, Crane morreu — apenas para ser ressuscitado mais de dois séculos depois, no mundo contemporâneo. Porém, o terrível Cavaleiro sem Cabeça também está de volta e Crane precisa assumir novamente sua missão de matar o inimigo numa batalha que vai decidir o destino da humanidade.

A série tem roteiros de Roberto Orci e Alex Kurtzman (Transformers) e é supervisionada por Len Wiseman (Anjos da Noite e O Vingador do Futuro).

A primeira revelação — momento trocadilho apocalíptico — é sobre o Cavaleiro Sem Cabeça, que não é apenas um Cavaleiro Sem Cabeça tentando recuperar sua cabeça, é um CAVALEIRO SEM CABEÇA DO APOCALIPSE tentando recuperar sua cabeça. Comece lidando com isso, porque, PUTAQUEPARIU, a ideia é sensacional! Não satisfeito, depois de acordar no mundo atual, ele abandona seu machado escaldante e se arma com metralhadoras e trocentas cartucheiras de munição! Lide com isso também!

A série realmente atualiza a velha história com propostas de enredo criativas e carregadas de misticismo bíblico, mas também se aproveita de imagens fortes e boas sequências de ação. Muito da simbologia mostrada na série reflete a própria simbologia já inerente na obra de Irving, com algumas adições interessantes e que fazem sentido dentro do contexto.

A começar pelo fato de que George Washington estava lutando a Guerra da Independência dos Estados Unidos não somente por liberdade e direitos, mas para enfrentar forças demoníacas e evitar o Apocalipse. O primeiro presidente dos Estados Unidos frequentemente é associado a ordens maçônicas, e certamente essas referências serão usadas ao longo da série — e não vou me surpreender se o próprio George Washington aparecer no tempo atual, ainda vivo.

O Cavaleiro Sem Cabeça é associado ao Livro das Revelações, e é mencionado como sendo o Cavaleiro da Morte, o quarto Cavaleiro do Apocalipse, embora aqui tenha sido adaptado para os propósitos da série. A marca do arco é originalmente associada ao primeiro cavaleiro — Conquista, ou Peste, dependendo da fonte — e aqui é uma marca do Cavaleiro da Morte. O cavalo branco também é associado à Conquista, enquanto o cavalo da Morte é pálido (não branco). A marca do arco acaba remetendo, ainda que sutilmente, ao filme do Tim Burton, que tinha uma família Archer (Arqueiro) responsável pelos acontecimentos na cidade de Sleepy Hollow.

Ichabod Crane estava adormecido num estado de animação suspensa, e acorda quando o Cavaleiro Sem Cabeça desperta, porque eles possuem uma ligação de sangue. Crane é tido como a Primeira Testemunha, e se junta a Tenente Abbie Mills (Nicole Beharie), tida como a Segunda Testemunha, para solucionar o mistério do Cavaleiro Sem Cabeça. Crane e Mills transparecem, de leve, uma potencial dupla Caim e Abel, considerando que apesar da amizade que estão desenvolvendo, muitas coisas estão em jogo na história a ponto de mudar as regras. Crane tem um vínculo de sangue com o Cavaleiro, e deseja libertar a esposa de uma prisão onírica, e essas são circunstâncias que facilmente podem jogar aliados uns contra os outros.

Os dois também descobrem que existem dois clãs de feiticeiros e bruxas, um benigno e outro maligno, que vêm se enfrentando durante os séculos para prevenir ou acelerar o Apocalipse. Crane e Mills surgem como uma terceira força nessa disputa, que tende mais para o clã benigno, principalmente por Katrina Crane (Katia Winter), esposa de Crane, ser uma dessas bruxas benignas e a responsável pelo feitiço que manteve Crane adormecido até o tempo atual. Além disso, aparece um padre-feiticeiro usando seus poderes para controlar correntes — os efeitos visuais são muito bons, e se o potencial de magia da série é esse, parabéns!

Sleepy Hollow Imagem

Ichabod e Mills, juntos, assumem o papel de “investigadores do oculto”, decifrando mapas e pistas misteriosas, desbravando túmulos e masmorras antigas, enfrentando perigos místicos além da imaginação e ainda acenando como um casal inusitadamente divertido formado pela interação de um soldado do século 18 abolicionista e uma mulher negra contemporânea. A série é baseada nessa premissa de investigadores parceiros, como Arquivo X e Fringe, com direito até a um chefe carrancudo e pouco amistoso: Capitão Frank Irving (Orlando Jones) — com sobrenome-homenagem ao escritor Washington Irving.

A química entre os dois protagonistas é leve e atraente. As diferenças entre os dois rendem uma cena engraçada em que Crane diz para Mills que está contente que ela tenha sido emancipada, e isso é um exemplo do humor sutil que intercala os acontecimentos bizarros do enredo. Tom Mison se destaca por sua interpretação de um estranho tendo que inocentemente lidar com coisas muito diferentes da realidade a qual estava acostumado, e se mostra irritadiço de uma forma divertida. A mistura de humor e mistério é agradável, bem no estilo de uma série de ação. As piadas são rápidas e certeiras em meio às insanidades de todo um complicado mundo novo — num minuto ele está subindo e descendo o vidro automático do carro, noutro ele está se perguntando quantos Starbucks existem num quarteirão, e se há alguma lei que obrigue isso! Eu ri.

Sleepy Hollow começa criando uma atmosfera intrigante e promissora, explorando aspectos de fantasia comuns a séries como Buffy e Supernatural, e subvertendo contos conhecidos assim como é com Grimm e Once Upon a Time. Pensar no Cavaleiro Sem Cabeça no mundo moderno realmente é difícil, exige níveis elevados de suspensão de descrença, mas ao mesmo tempo, a ideia é sensacional, especialmente por estar atrelada a uma proposta que envolve simbolismos, bruxas, demônios e apocalipse. Algumas reviravoltas da season premiere, inclusive, revelam que muitos são os caminhos que a série pode tomar, e podemos ser pegos de surpresa pelas revelações que estão por vir. Não é uma história perfeita, mas como gosto dessas reinvenções de contos antigos, posso facilmente abstrair os potenciais problemas em favor dos aspectos positivos.

O conto original de Washington Irving tinha toda essa atmosfera de fantasmas e monstros, reais ou imaginários, e a série mantém isso, mas expande o universo e as possibilidades. Eu quero ver esse apocalipse. Até porque, como não gostar de uma história que tem um herói do passado ressuscitado no presente, um Cavaleiro Sem Cabeça do Apocalipse armado até o pescoço, árvores brancas do mal, demônios chifrudos, profecias apocalípticas e uma piada de Starbucks?!

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