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Under The Dome – Primeira Temporada

Under The Dome

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O livro Under The Dome foi publicado em 2009, e do alto de suas mais de mil páginas rapidamente se tornou uma das obras mais longas de Stephen King — junto com o calhamaço que é A Dança da Morte (meu livro preferido dele até hoje). Aqui no Brasil, o livro foi lançado com o título Sob a Redoma, em 2012, pela Editora Suma de Letras.

A história de uma comunidade isolada do mundo por um campo de força invisível era uma ideia antiga de King, de 1978, que ele pegou e abandonou um monte de vezes antes de concluir definitivamente e publicar. Então, não demorou muito, e a ideia passou do papel para a televisão.

Antes mesmo de um único episódio ir ao ar, a série Under The Dome (EUA, 13 episódios, 2013) já tinha bastante hype ao redor, não só pelo Stephen King em si, que é produtor, mas também por ter Steven Spielberg como produtor executivo — e isso em termos de comercialização, costuma ajudar bastante qualquer novo programa televisivo. Além disso, a série também é conduzida por Brian K. Vaughan, escritor de quadrinhos premiado, que escrevia a série Lost — algo que fica bastante evidente na série logo nos primeiros episódios, por causa dos mistérios e das questões que envolvem múltiplos personagens.

A série — que não segue o livro à risca — acompanha os moradores do Chester’s Mill, uma cidade pequena e tranquila dos Estados Unidos, que se veem isolados do mundo depois que uma barreira enorme, invisível e impenetrável envolve a cidade. Casas e celeiros são atingidas pela queda da barreira e destruídos, enquanto animais terrestres e algumas pessoas desafortunadas são decepadas. Pássaros caem do céu com pescoços quebrados; carros e aviões colidem violentamente com a parede invisível. Nem mesmo o som é capaz de atravessar a misteriosa barreira.

Presos sob a redoma, os habitantes de Chester’s Mill entram em pânico, e logo, segredos da cidade começam a ser revelados e pessoas começam a morrer pelos mais variados motivos. Desde a season premiere, e talvez por ter uma temporada de apenas 13 episódios, a série se esforça para definir rapidamente seus objetivos, e mantém as coisas em movimento, de modo que os personagens principais são estabelecidos e imediatamente colocados no centro de tudo.

Os personagens, assim como acontecia em Lost, são o grande foco da série, e são bem diferentes entre si, o que torna suas relações mais interessantes — e em alguns casos, intrigante. Dale “Barbie” Barbara (Mike Vogel, recém-saído da série Bates Motel) é um ex-soldado que trabalha como “coletor de dívidas de jogos” e estava na cidade para cobrar uma dívida, mas a cobrança dá errado, e ele já começa tendo que enterrar o corpo de um homem que matou. Angie (Britt Robertson) é uma garçonete, que de vez em quando ajuda no hospital, e que deseja ir embora para longe, mas precisa lidar com o namorado desequilibrado, Junior (Alexander Koch). Tentando manter a ordem no meio desse bando de gente está Linda (Natalie Martinez), vice-xerife da cidade, que depois é promovida a xerife, e fica na tentativa mesmo quando o assunto é manter a ordem — porque, putaquepariu, como ela é tapada! Linda não é só uma personagem importante, é alguém com potencial para fazer alguma diferença na história, mas termina como uma reles pau-mandada facilmente manipulável do grande antagonista da história, ‘Big Jim’ Rennie (Dean Norris). Aliás, se Barbie não estivesse na cidade, tadinha da Linda, provavelmente já teria levado um tiro ricocheteado pela redoma. É impressionante a incapacidade dela, e Barbie ajuda ela pra tudo, e o que ela faz na primeira oportunidade que tem para desconfiar dele?! Manda prendê-lo! — Céus, como é estúpida! — Foi o que pensei algumas dúzias de vezes.

Outra que se destaca como protagonista é Julia (Rachelle Lefevre, que interpretou Victoria no primeiro Crepúsculo), editora do jornal da cidade, que logo se envolve com a rádio, com Barbie, com os problemas da cidade, e com as atividades ilícitas do marido — que é o homem que Barbie matou e estava enterrando no começo da série. Julia se revela uma peça importante para a história no decorrer da série — pausa para um comentário: QUE RUIVA ESPETACULAR!

Big Jim é sem dúvida um dos grandes nomes dessa série. Barbie é um personagem fodão e legalzão, que mesmo de mãos atadas é capaz de nocautear inimigos com chutes nível Roundhouse Kick, e facilmente torcemos por ele; mas é por causa de Big Jim — sujeitinho desprezível! — que o papel de Barbie na história se torna grandioso. Big Jim é a definição do que de pior existe na humanidade, especialmente em situações de isolamento e crise. Ele não perde uma oportunidade de reverter circunstâncias drásticas a seu favor, e vez ou outra, não tem pudor em matar quem cruza seu caminho ou descobre suas artimanhas. O pior é que no final, ele ainda descobre que sua família — mais especificamente, sua falecida esposa — tem alguma “importância” para os acontecimentos caóticos relacionados à redoma. E como isso piora as coisas na cabecinha perturbada dele.

Outro detalhe é que Big Jim se torna o único político na cidade, e sem qualquer oposição, ele rapidamente tenta ascender como líder inquestionável daquela nova comunidade que está se formando; à medida que o tempo vai passando embaixo da redoma que não desaparece, os habitantes Chester’s Mill vão tentando retomar suas vidas, olhando para Big Jim em busca de apoio e liderança, e assumem-no como líder. E acredite, pior do que um homem comum com todo o poder de decisão nas mãos, é um político com todo o poder de decisão nas mãos. Não demora muito até Chester’s Mill retornar à Idade das Trevas, com direito à forca e tudo — no último episódio, a redoma ainda se torna totalmente negra, e a cidade se vê imersa na mais pura escuridão, reflexo da corrupção entranhada na alma da maioria das pessoas daquele lugar.

Também no último episódio, numa conversa, Barbie consegue verbalizar tudo o que achamos não só de Big Jim, mas de nossos governantes em geral:

— Barbie: “Pode achar que você é algum tipo de deus para essas pessoas, mas acho que ambos sabemos o que você realmente é.”

— Big Jim: “O que seria? Um criminoso?”

— Barbie: “Pior. Um político.”

Boa Barbie! Tapa na cara do Jim!

O problema é que depois dessa cena, a temporada termina DO NADA com um gancho do tamanho da redoma, que só vai ser continuado no primeiro episódio da segunda temporada — pelo menos, assim espero. Entendo a razão de terminar dessa forma — aliás, da mesma forma que as temporadas de Lost terminavam —, mas que eu soltei um palavrão de raiva, eu soltei! Como assim termina daquele jeito?!

O que parece, na verdade, é que essa primeira temporada foi produzida com um caráter mais experimental, e os realizadores estavam querendo ver quão bem-sucedida seria antes de arriscar um pouco mais. Sobre aspectos de trama e sub-tramas, Under The Dome é confusa em alguns momentos, meio tosca em outros. O arco envolvendo o Ovo, a Mini-Redoma, e as quatro mãos (Angie, Junior, o gente boa Joe, e a chatinha da Norrie) às vezes soa intrigante, às vezes absurdamente surtado. Nos momentos finais, com aquela coisa toda da borboleta, soa “vergonha alheia” — além do fato de que, desde a primeira vez que escutamos sobre, sabemos quem é a Monarca que será coroada.

Under The Dome revela-se prazerosa, apesar de deslizes aqui e ali, e mostra potencial para crescer mais. O desfecho, apesar de abrupto, consegue fechar o arco que vinha sendo desenvolvido, e termina focado nos personagens — que, como eu disse, são visivelmente o elemento central da trama, tanto que questões maiores sobre a redoma foram deixadas de lado durante um tempo. A segunda temporada, provavelmente, vai aprofundar mais na redoma e o que está realmente por trás dela, já que a season finale começou de leve com algumas explicações, ainda que não tenha sido o suficiente para nos tirar do escuro.

A temporada terminou, e nós continuamos como a redoma no final, sob a escuridão, olhando para estrelas cor de rosa e incompreensíveis caindo em linha no céu.

“Acho que sabemos o que o show realmente é.”

“Um criminoso?”

“Pior. Um político.”

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  • http://vanille-vie.blogspot.com.br/ Debora Theobald

    Que review incrível! Acho que você explanou tudo muito bem sobre a temporada. Eu vi a primeira temporada e depois fui correndo ler o livro e apesar das diferenças cada um tem seus méritos. Concordo plenamente com seu comentário sobre a Julia, que ruiva <3
    Eu, do meu jeito meio desligado, nunca tinha pensado que o Barbie poder ser incrivelmente badass, mas ele só é quem é por causa do FDP do Big Jim, que eu odeio, odeio e odeio com todas as células do meu corpo.
    Pra falar a verdade, achei muita "viagem" do ovo e de tudo, na minha opinião o embromation tá ficando grande de mais em relação a redoma e tal. E, apesar de na maior parte das vezes desvendar os mistérios eu não tinha me tocado quem era a monarca, meu palpite era totalmente diferente #fail haha Lisa, o que dizer dela? Eu gosto muito do personagem dela e apesar de ser meio burra, acho que o foco principal seria que ela é a garota que foi criada em uma cidade pequena e não conhece realmente o "mal", por isso conserva uma certa inocência que beira muitas vezes a ignorância, o que nos faz odiarmos ela.
    Você não faz ideia de como e quanto eu vibrei nesse diálogo espetacular do Barbie do Big Jim!
    E estou esperando ansiosamente pela segunda temporada!

    • http://www.nivelepico.com/ Alan Barcelos

      Pois é…acho que o embromation acaba sendo um pouco inevitável por ser uma série e tal. Um livro, mesmo grande, geralmente tem começo, meio e fim estabelecidos. Mas no caso de uma série, as coisas ficam mais abertas; como eu disse, parecem ter feito a série de forma mais experimental, e por isso enrolaram as coisas para não gastar ideias/revelações que podem vir a ser usadas em temporadas futuras. Acho que daqui para frente, a história vai se desenvolver mais e provavelmente um pouco melhor. Por isso também estou ansioso pela segunda temporada. Quero muito ver aonde isso vai dar.

      E concordo com relação a Linda ser inocente por ter sido criada numa cidadezinha pequena e provinciana…acho que isso compõe mesmo a personagem…mas que é irritante, ah isso é! :)

      Obrigado!

  • Aristóteles

    Também fiquei puto de raiva quando fui assistir no dia seguinte e não passou mais… muito incrivel…também ancioso pela 2ª temporada.

    • http://www.nivelepico.com/ Alan Barcelos

      A segunda temporada já está rolando nos EUA e começará a ser exibida aqui no Brasil no dia 28 de julho, às 22h30, no canal pago TNT. :)

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