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Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos

Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos

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Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos

Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos

Os Caçadores de Sombras — por toda a sua história e tudo o que são, com seus códigos morais, suas Marcas, suas lâminas serafim, seus Parabatais — mereciam uma adaptação cinematográfica de seu universo rico e fascinante. E os guerreiros que lutam para manter o equilíbrio entre o mundo humano e sobrenatural parecem até melhores no cinema do que nos livros.

Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos (The Mortal Instruments: City of Bones, EUA, 2013) adapta o primeiro volume da saga dos Caçadores de Sombras criada por Cassandra Clare, e é definitivamente fascinante! O mundo dos livros está ali, moldado com inteligência, visual bonito, e atores REALMENTE bons em seus papéis.

Dirigido por Harald Zwart (do remake de Karate Kid), o elenco traz Lily Collins como Clary Fray, Jamie Campbell Bower com Jace Wayland, Robert Sheehan como Simon Lewis, Jemima West como Isabelle Lightwood, Kevin Zegers como Alec Lightwood, Lena Headey como Jocelyn Fray, Aidan Turner como Luke Garroway, Godfrey Gao como Magnus Bane, Jared Harris como Hodge Starkweather, e Jonathan Rhys Meyers como o vilão Valentim Morgenstern.

A história acompanha a jovem Clary Fray, uma garota normal que um dia se depara com três adolescentes portando armas estranhas — Jace, Alec e Isabelle — e descobre que possui a habilidade especial de enxergar os seres sobrenaturais que se escondem nas sombras do mundo humano. Os três são, na verdade, Caçadores de Sombras (também chamados de Nephilim), seres especiais criados a partir da mistura de sangue humano e angelical e cuja missão é garantir a ordem entre o mundo mundano e sobrenatural, mesmo que para isto seja necessário exterminar demônios, vampiros e outras criaturas que ameacem este equilíbrio. Clary mergulha definitivamente nesta realidade nova quando sua mãe desaparece e acaba envolvida numa trama engendrada por um inimigo ancestral dos Nephilim.

Vampiros, demônios, lobisomens e romances adolescentes transtornados… Seria fácil reduzir Cidade dos Ossos a apenas mais um clone de Crepúsculo, o que parece ser uma percepção padrão para tudo relacionado à literatura de Jovens Adultos hoje em dia, mas a verdade é que Cidade dos Ossos é mais do que isso. As influências são mais aproximadas a Harry Potter, já que a autora dos livros, Cassandra Clare, começou como escritora de fanfics de Harry Potter. Mas existem outras influências da cultura pop, desde séries como Buffy: A Caça-Vampiros até filmes como Star Wars, aproveitadas com eficiência para compor uma ambientação única e cativante. O próprio protagonista, Jace, é assumidamente inspirado num dos personagens mais legais das animações japonesas: Edward Elric, de FullMetal Alchemist, e isso a própria Cassandra Clare já confirmou várias vezes.

As referências fazem parte dessa história, e isso é perceptível no filme. Há o romance, que na verdade é uma confusão de amores não correspondidos, que envolve pelo menos quatro dos personagens principais. E há também a jornada épica, contra um Caçador de Sombras renegado, que deseja purificar a linhagem dos Nephilim e livrá-los de suas fraquezas, e para isso usa dezenas e mais dezenas de monstros grotescos. O diálogo sarcástico, os personagens, o auto-conhecimento, as cenas de luta e a mitologia adicionam um charme especial a essas percepções.

Cidade dos Ossos é um filme sombrio, que oscila entre o romantismo incorrigível e a sensualidade selvagem, e oscila entre gêneros, sem nunca parar ou se tornar cansativo. A história se move rapidamente, o elenco é agradável, e não há um verdadeiro sentimento de grandeza. O filme sabe aonde quer chegar, e esse é seu grande mérito, pois tudo foi pensado para os fãs da série literária.

O problema com adaptações de livros para filmes, normalmente, é encontrar o equilíbrio certo entre permanecer fiel o suficiente ao original para agradar os fãs e ainda criar uma história acessível ao público cinema que não conhece o material previamente. Mudanças foram feitas para adequar o filme a essas necessidades, mas são mudanças que não incomodam realmente para os fãs. Na verdade, são perfeitamente compreensíveis, ainda que existam algumas ressalvas.

O motivo das ressalvas é que fizeram uma mudança meio frustrante em relação à virada do final, que é um dos momentos mais impactantes do livro, mas que no filme perdeu um pouco do impacto. Ao mesmo tempo, isso é uma percepção mais de quem leu os livros; quem não leu, provavelmente não vai notar. Além disso, essa mudança foi inserida, muito provavelmente, para manter a classificação indicativa do filme para 13 anos, já que o final do livro cria uma situação complexa entre os personagens principais da história. Outra mudança não tão legal é que em momento algum mencionam o nome de uma lâmina serafim sequer, e os nomes das lâminas são sempre tão fodas; mas outra vez, isso é mais uma percepção de fã que leu os livros.

Outro problema — calma, vou chegar às qualidades — é a variação drástica de gêneros, algo que geralmente afeta o desenvolvimento da ambientação. Cidade dos Ossos, nesse sentido, parece um pouco com Wolverine: Imortal — o primeiro e o segundo atos são consistentes, mas o terceiro ato é confuso. E isso é por causa da variação entre fantasia, terror, ação, romance, humor.

O filme começa como um dark fantasy e se mantém assim durante boa parte da história, então, a cena da estufa — absurdamente esperada por muitos fãs — acontece com uma musiquinha melosa que ABSOLUTAMENTE NÃO condiz com o clima de dark fantasy que vinha sendo explorado no filme desde o começo. Essa mudança abrupta causa certa estranheza. Já que havia menções ao compositor Sebastian Bach, a cena poderia facilmente ter acontecido com uma trilha sonora instrumental, talvez com uma música de Bach. Mas também entendo o porquê dessa escolha de mostrar a cena da estufa ao som de Heart by Heart, cantada por Demi Lovato. A cena é um tremendo fan service para quem gosta da cena da estufa, especialmente para as meninas. A cena é TODA pensada para fazer as meninas se apaixonarem pelos personagens — então, é compreensível. E eu gostei da música, é bonita, só acho que quebrou um pouco o clima do filme como um todo.

Por outro lado, a decisão de mudar as idades personagens para 19-20 anos permitiu que o diretor Harald Zwart explorasse um mundo mais macabro, e isso fica evidente quando aparece o primeiro demônio — Ravener — e todos os outros demônios que brotam pelas ruas de Nova York como que saídos dos mais grotescos pesadelos. Os efeitos das criaturas sobrenaturais ficaram realmente muito bons.

Na verdade, os efeitos visuais como um todo são impressionantes, e são usados com inteligência entre narrativa e sequências de ação. O ápice é a cena do Hotel Dumort, quando os Caçadores de Sombras precisam enfrentar uma horda de vampiros. COMO. ESSA. CENA. É. FODA. Ao som de uma trilha sonora vibrante, é basicamente Jace, Alec e Isabelle chutando bundas espetacularmente! Destaque para Isabelle… SENSACIONAL em cada chicotada!

Por falar em Jace, Alec e Isabelle, o elenco é a principal razão de ser do filme, e todos os atores estão excelentes em seus papéis, e os personagens ganham vida com facilidade. O filme começa como o livro, apresentando Clary, sua mãe Jocelyn, e seu melhor amigo Simon, enquanto ela leva sua vida normalmente. A relação de Lily Collins e Robert Sheehan torna a amizade agradável e facilita as relações com todos os outros personagens. A primeira vez em que Clary e Jace se encontram, e Clary começa a enlouquecer por isso, é particularmente engraçada por causa de Simon. A empolgação de Simon com certas coisas e as caras que ele faz diante de algumas revelações são impagáveis. Sheehan torna Simon o personagem mais divertido e carismático do filme.

Quando Clary e Jace finalmente interagem juntos, não é difícil entender por que Lily Collins e Jamie Campbell Bower começaram a namorar graças ao filme — embora já tenham terminado. A química entre os dois é natural, e estimulante, considerando que eles são os elementos que movem toda a história. Collins representa muito bem as características de Clary, sua convenção excessiva de si mesmo e seu misto de vulnerabilidade e força, sem ser irritante como muitas vezes acontece no livro. Bower incorpora Jace com todos os seus maneirismos, suas ações vigorosas, e aquelas linhas de diálogo sensacionalmente sarcásticas que tornam o personagem tão badass.

Mas a dinâmica entre Jace e Clary só não é melhor do que a dinâmica entre Jace e Simon… O filme já começa a desenvolver a complicada relação de amizade entre eles, algo que só acontece de verdade nos dois últimos livros da série. Ainda que os dois gostem de Clary, em algum momento, Jace e Simon começam a se respeitar e se ajudar a ponto de se tornarem amigos, porque os dois são importantes para Clary. Os atores passam essa sensação de forma cômica graças ao choque entre a empolgação de Simon (como peixe fora d’água) e o sarcasmo de Jace (como guerreiro que vive para combater demônios). A melhor cena é quando os dois se conhecem e se apresentam — “Jace. Caçador de Demônios.” / “Simon. Mestre das Chaves.” — SENSACIONAL.

Jemima West, como Isabelle Lightwood, e Kevin Zegers, como Alec Lightwood, criam personagens mais interessantes que as versões originais. Izzy é feminina, bonita e porradeira, como tem que ser. Alec é um personagem complexo, que diz muito através de suas expressões faciais e linguagem corporal, graças ao ótimo desempenho do ator. Além disso, os choques entre Alec e Clary certamente vão deixar os fãs animados. Godfrey Gao também, já que a aparição de Magnus Bane é rápida, mas cativante.

Lena Headey, Aidan Turner, Jared Harris, Jonathan Rhys Meyer têm participações pontuais dentro das necessidades de seus personagens, mas uma coisa legal é ver Jocelyn elevada a outro nível no filme. Ela não tem grande força no primeiro livro, mas aqui, ela é essencial, até porque é a LENA HEADEY! O filme melhorou um aspecto interessante da história, que é a forma como Cassandra Clare criou as personagens femininas, que possuem suas coisas de meninas, mas também são guerreiras fortes, que lutam sem medo pelo que acreditam.

Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos não é uma típica história de fantasia e romance adolescente, é uma saga heroica e divertida por um mundo sombrio, que possui uma mitologia tão rica que merece ser desbravada, marca por marca, lâmina por lâmina, personagem por personagem… Welcome to the City of Bones!

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