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Muito Barulho Por Nada

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Joss Whedon parece que não entende o conceito de TIRAR FÉRIAS. O cara esteve bastante envolvido com a produção do espetacular Os Vingadores, então, quando tudo terminou, foi contratualmente obrigado a tirar uma semana de folga antes de trabalhar em outra grande produção com os super-heróis. Até a Marvel Studios reconhece que as pessoas precisam descansar, mas quando você gosta muito do que está fazendo, parar é difícil. Ao invés de ficar de pernas pro ar curtindo as férias, Whedon juntou um grupo de atores-amigos para fazer um filme rápido baseado em William Shakespeare. O filme foi rodado em apenas 12 dias, na casa do próprio diretor, num clima de diversão e festividade, e o resultado é o apaixonante Muito Barulho Por Nada (Much Ado About Nothing, EUA, 2012).

Totalmente em preto e branco, o filme apresenta o texto original de Shakespeare adaptado para um contexto mais contemporâneo, embora não se preocupe realmente com os detalhes. O enredo é contemporâneo, se passa num cenário contemporâneo, mas tem elementos antigos, formas de pensamento e comportamento mais tradicionalistas e diálogos rebuscados e poéticos. E é essa mistura que torna a narrativa tão adorável e espontânea, inspirada pelo entusiasmo que nós esperamos ver em qualquer produção de Whedon. A verdade é que ele e os atores se divertem tanto fazendo o filme, que a experiência de assisti-lo se torna mais gostosa. Dez minutos de exibição, e eu já estava sorrindo fascinado.

O elenco é composto por vários amigos de Whedon, que trabalharam com o diretor em diversos outros trabalhos na TV e no cinema: Alexis Denisof (Buffy e How I Met Your Mother), Clark Gregg (Os Vingadores), Amy Acker (Angel e O Segredo da Cabana), Nathan Fillion (Firefly e Castle), Reed Diamond (Dollhouse), Fran Kranz (O Segredo da Cabana), Sean Maher (Firefly), Tom Lenk (Buffy) e Jillian Morgese (que fez figuração em Os Vingadores, e estreia na carreira cinematográfica com esse filme).

Leonato (Gregg), governador de Messina, é visitado por seu amigo Don Pedro (Diamond), que está voltando de uma campanha vitoriosa contra seu irmão rebelde Don John (Maher) e vem acompanhado por dois de seus oficiais: Benedick e Claudio. Durante a estadia em Messina, Benedick (Denisof) se envolve com Beatrice (Acker), sobrinha do governador, enquanto Claudio (Kranz) prepara seu casamento com Hero (Morgese), filha do governador. Os casais apaixonados, no entanto, precisam lidar com as dificuldades de suas relações e com as artimanhas de Don John, que usa de artimanhas para tentar destruir o casamento de Claudio e Hero. Eles recebem a ajuda providencialmente engraçada dos policiais Dogberry (Fillion) e Verges (Lenk).

Impressionante é ver como Whedon transformou uma comédia romântica clássica num filme “de quintal” expressivo e divertido. Claro que o fato de ser Shakespeare também ajuda bastante e se mostra uma boa opção para uma produção despretensiosa, pois é difícil fugir tanto do conceito a ponto de cometer erros graves. As peças de Shakespeare são complexas em sua essência, mas sua linguagem é tão eficiente e suas situações são tão deliciosas, que é difícil não se envolver com seus personagens. Ainda que tenha alguns aspectos mais sombrios, a história de Muito Barulho Por Nada é alegre, e uma das mais bem-humoradas do poeta inglês. O preto e branco do filme reforça essas características, tanto pelo lado mais preto quanto pelo lado mais branco, misturando-os numa trama simples em que bons podem ser maus e maus podem ser bons, e todos têm direito ao perdão.

A comédia é encantadora principalmente por causa de seu elenco. Claudio é o papel mais complicado, já que ele é um soldado que oscila entre comportamentos e emoções, mudando de menino ansioso e apaixonado para homem furioso e vingativo, e vice-versa. Kranz consegue promover essas viradas com calma, com um sorriso agradável quando é um menino inocente, e um desprezo ferino quando é um homem vingativo, tanto que a cena de seu casamento é angustiante e comovente. Gregg traz um calor especial com o papel de Leonato, provando ainda mais porque ele está em todas agora. Gregg é de um carisma inegavelmente cativante. Mas quem rouba a cena a partir da segunda metade do filme é Dogberry, o bem-intencionado, mas deficiente, chefe da polícia local, sensacionalmente interpretado por Nathan Fillion como uma versão comicamente bizarra de CSI Messina. Mas, atenção, ele não é um asno! NUNCA o chame de asno!

Amy Acker e Alexis Denisof trocam farpas shakespearianas através de bravatas cômicas, e revelam uma química saborosa de acompanhar. Os dois são a alma do filme e as participações mais divertidas. Os dois se mantêm no mesmo patamar, igualmente inteligentes, e igualmente obcecados, de tal forma que ninguém consegue se equiparar a eles. Beatrice é uma dama dura na queda e falastrona, enquanto Benedick é irritadiço e independente. Debaixo de toda a hostilidade está o amor que ambos lutam desesperadamente para esconder, mas que se torna mais forte quando eles descobrem “inadvertidamente” o bem-querer um do outro. Assistir à batalha amorosa de Acker e Denisof é o prazer máximo do filme, numa luta de amor, desejo, carinho e luxúria. Quando eles finalmente cedem e se rendem à paixão, é emocionante, de tirar o fôlego.

Muito Barulho Por Nada é uma brincadeira divertida e um experimento louvável, impulsionado pelo carisma de seu grande elenco e principalmente pelas farpas apaixonadas de Shakespeare que tornam a experiência extasiante. Whedon tem uma habilidade especial para misturar leveza com um teor sombrio, e as expressões ora radiantes ora melancólicas dos personagens à medida que percebem o quão perto estão do abismo apenas enriquecem toda essa festividade. Pensando bem, Joss Whedon sabe como curtir as férias, com boa festa, bons amigos, bom vinho e boas reflexões sobre relacionamentos amorosos. Tudo está bem quando termina bem, já dizia Shakespeare, principalmente quando alguém como Whedon faz muito barulho por muitas e muitas coisas.

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