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Mobile Police Patlabor

Patlabor

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Robôs gigantes tem sido um tema recorrente na cultura pop japonesa desde meados dos anos 70, com o surgimento do gênero mecha, o robô gigante tripulado por um ser humano. A primeira das muitas séries Gundam surgiu em 1979 e em 1982 veio Macross – conhecido no Brasil como Robotech.

Esses dois primeiros seriados tinham o robô gigante apresentado como uma arma de combate. Macross, por sua vez, foi uma das introdutoras do veículo de combate que se transformava em um robô, conceito utilizado também na série de televisão Transformers em 1984. No entanto, em Macross, o robô era tripulado por um experiente piloto enquanto em Transformers, o robô era, em si, um ser alienígena, capaz de assumir diferentes formas.

De lá para cá, o robô gigante assumiu diferentes formas e passou por revitalizações, sátiras e desconstruções, mais notavelmente em Neon Genesis Evangelion, de 1995. Mas, em algum momento no meio do caminho, ficou perdido em um lugar esquecido, Mobile Police Patlabor (Japão, 47 episódios, 1989), uma das mais inteligentes e plausíveis séries de animação japonesa a tratar do gênero mecha.

O ano é 1997. O Japão começou um processo de expansão territorial chamado de Projeto Babilônia. Para tanto, foram desenvolvidos os Labors, robôs tripulados por pessoas, que seriam capazes de realizar trabalhos (daí a palavra Labor, que significa “trabalho” em inglês) que um ser humano não poderia.

Essa é uma das bases fundamentais da necessidade do robô gigante. Diante das limitações do corpo humano, são criadas máquinas que efetuam tarefas que os humanos não podem. Mas ter robôs de 30 toneladas andando por aí com pessoas não necessariamente qualificadas para pilotá-los, ou com más intenções, pressupõe um problema. Dessa forma, foi criada uma divisão especial da polícia japonesa para regularizar, patrulhar e combater crimes produzidos pelos Labors. Daí, o Patrol Labor (ou “Labor de Patrulha”), e portanto, Patlabor.

Noa Izumi é uma jovem policial de personalidade forte – e quase petulante – que chega na 2ª divisão da polícia para treinar em um novo robô, que ela carinhosamente apelida de “Alfonso”. Lá, ela conhece outro oficial petulante, Asuma Shinohara, filho de um dos principais cientistas que trabalharam no projeto dos Labors. Isao Ohta é o segundo piloto da equipe, muito mais habilidoso e arrogante que Izumi.

No comando de todos está o bobalhão e divertido Capitão Kiishi Goto, um homem mais inteligente do que aparenta ser a princípio, e que possui uma paixonite pela capitã da Divisão 1, Shinobu Nagumo.

Ao contrário de séries de televisão como Gundam e Macross, Patlabor é mais focada em analisar (de maneira quase microscópica) a vida cotidiana dos oficiais de polícia e os procedimentos que eles realizam no decorrer dos 47 episódios da série. O programa se preocupa bastante em inserir os robôs gigantes no contexto urbano.

Cheio de humor e personagens carismáticos, Patlabor pode enganar o espectador desavisado. É uma série que tem mais a dizer do que parece inicialmente. Fala de um Japão que iniciou um desenvolvimento exponencial de tecnologia e urbanização no final da década de 80 e começo da década de 90, e das consequências desse processo. Também é uma série sobre elementos básicos do relacionamento humano, e como isso é afetado ou não pela interação dos personagens com a tecnologia.

A série de TV deu surgimento a três filmes, Patlabor the Movie (1989) e Patlabor the Movie 2 (1993) ambos dirigidos pelo cineasta Mamoru Oshii (de Ghost in the Shell). Nesses dois filmes, a série dos robôs ganha contornos mais adultos, abordando temas filosóficos e geopolíticos de forma inteligente e complexa. E somente no terceiro filme, WXIII Patlabor the Movie 3 (2002), ele retorna ao arquétipo do Robô Gigante x Monstro, sendo este o menos expressivo filme da série.

Após sua transmissão aqui no Brasil, no canal FOX Kids, a série infelizmente caiu na obscuridade, o que é uma pena. Apesar de não ter uma trama tão elaborada quando Gundam, Macross ou Neon Genesis Evangelion, Patlabor utiliza da comédia para criar uma série de mecha incomum. Bons filmes e séries de robô gigante entendem que o robô nunca é o elemento primordial da narrativa e Patlabor, sabiamente, é uma desses casos.

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