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Círculo de Fogo

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Mecha (abreviação para mechanical) é uma definição para robô gigante que se move controlado por um piloto, normalmente através de controles manuais ou mentais. É também um gênero da ficção científica voltado para robôs gigantes e pilotos, e que se tornou bastante popular no Japão em animes e tokusatsus.

Kaiju é uma definição para um monstro estranho ou incomum, frequentemente associada a monstros gigantes, e também é comum em animes e tokusatsus, mas o gênero se tornou mundialmente famoso por causa dos filmes do Godzilla.

Os mechas normalmente são máquinas voltadas para a guerra, usadas uns contra os outros, ou contra monstros gigantes. Pacific Rim: Círculo de Fogo (Pacific Rim, EUA, 2013) é robôs gigantes vs. monstros bizarros. Basicamente isso. Mas putaquepariu, como é foda! COMO. É. FODA. A dimensão é colossal, devastadora, e com um nível de fanservice que vai deixar qualquer fã feliz! Eu parecia uma criança assistindo, e fazia tempo que um filme não me divertia tanto no cinema!

Eu cresci vendo história de robôs gigantes, desde animes da antiga como Macross até tokusatsus como Changeman, que passava na extinta Manchete, passando por coisas obscuras como Deus Elétrico Arbegas, lançado em VHS aqui no Brasil. Eu gosto de muitas coisas, mas dentre todas as zilhões de coisas que eu adoro, esse é um gênero que tem um espaço especial no meu coração de fã.

Guilhermo del Toro, aquele cara sensacional, e nerd, e também fã declarado de robôs gigantes, teve a ideia igualmente sensacional de pegar todas as referências dessas histórias de mechas e kaiju pra fazer seu próprio filme de robôs gigantes. E o cara conseguiu fazer um filme tão divertido que, como eu, você provavelmente vai se sentir como uma criança que acabou de ganhar um brinquedo novo.

O diretor, que é bastante conhecido por obras como A Espinha do Diabo, Blade II, Hellboy e O Labirinto do Fauno, mostra que sabe exatamente aonde quer chegar com seu filme de robôs gigantes. Ele não perde tempo na criação de uma história elaborada, apenas estabelece seus fundamentos com uma abertura rápida e precisa, sem rodeios, e já com bastante impacto. Mais do que isso, del Toro segue direitinho a cartilha: estabelece um cenário apocalíptico, apresenta seus elementos, parte para uma batalha épica entre um mecha e um monstro, então destrói totalmente o mecha, e inicia o processo de redefinição do cenário e do personagem principal. Tudo isso apenas no prólogo, que acontece nos primeiros minutos do filme.

A história mostra a batalha contra criaturas monstruosas chamadas Kaiju, que surgiram em legiões do Oceano Pacífico e iniciaram uma guerra que tomou milhares de vidas e consumiu os recursos da humanidade por anos a fio. Para combater os Kaiju, os humanos criam uma arma especial, os robôs gigantes chamados Jaegers, que são controlados simultaneamente por dois pilotos vinculados psiquicamente por um link neural. Contudo, mesmo os Jaegers estão tendo dificuldades para enfrentar os implacáveis Kaiju. No ano de 2025, à beira da derrota, as forças defensoras da humanidade recorrem a dois heróis improváveis: o piloto aposentado Raleigh Becket (Charlie Hunnam) e a engenheira robótica que nunca pilotou Mako Mori (Rinko Kikuchi), que se unem para pilotar um Jaeger considerado obsoleto, mas que se revela a última esperança contra o apocalipse.

O elenco do filme conta ainda com Idris Elba como Comandante Stacker Pentecost, Charlie Day como Dr. Newton Geiszler, Burn Gorman como Dr. Gottlieb Geiszler, Rob Kazinsky como Chuck Hansen, Max Martini como Herc Hansen, e Ron Perlman como o impagável Hannibal Chau.

Agora, vamos falar do fanservice, porque o filme é fanservice puro! Primeiro, esqueça Transformers, não é o que você vai encontrar aqui — e só pra constar, eu gosto de Transformers (exceto o segundo). Claro que o conceito de robôs imensos que protegem a humanidade imediatamente nos faz pensar em Transformers, mas são filmes e propostas tão diferentes que nem cabe comparação. A começar pelo fato de que Transformers são robôs conscientes, e não são tão grandes assim. Círculo de Fogo é outro nível, outra proposta, e seus robôs pilotados realmente gigantes são MUITO MAIS LEGAIS.

O que provavelmente muitos vão procurar no filme são as referências a Neon Genesis Evangelion, e acredite, del Toro aproveitou muitas referências do anime. A sincronização neural para pilotar os Jaegers, que necessita de dois pilotos, é parecida com a sincronização com os Evas, mas é apenas parecido, pois os Jaegers e seus pilotos têm seu próprio charme.

Você vai ver algo parecido com a Rei Ayanami, não tão apática, mas com uma mecha (de cabelo) azul, e com direito até a dinâmica Rei Ayanami/Gendo Ikari/Shinji Ikari, através dos personagens Mako/Stacker/Raleigh. No filme, o Comandante Stacker criou Mako desde a infância e é super-protetor com ela, enquanto Raleigh tenta fazê-lo perceber que Mako está apta a pilotar um Jaeger. Isso cria uma relação complicada entre Raleigh e Stacker. Mas como esse é um filme de entretenimento voltado assumidamente para a diversão, a dinâmica é levinha, tranquila, muito diferente das relações interpessoais de Evangelion. Não espere ver profundidade em Círculo de Fogo, porque a única profundidade aqui é o fundo do Oceano Pacífico. O importante para o filme é a porradaria e a diversão, sem mais.

Apesar disso, existe uma camada de enredo que desenvolve alguns dos personagens humanos e suas dificuldades para viver num mundo devastado por monstros gigantes. A questão da conexão neural para pilotar os Jaegers toca levemente em temas como laços familiares e fraternais, e como é difícil estabelecer uma conexão com outra pessoa, especialmente em situações de crise — aliás, um tema que é bastante recorrente nas animações japonesas. Charlie Hunnam e Rinko Kikuchi, como protagonistas, são os que recebem maior destaque do roteiro; a relação romântica dos dois é convincente, mesmo mantendo um nível de distanciamento respeitoso similar a um casal japonês, já que no Japão normalmente trata-se o relacionamento entre homem e mulher de uma forma mais reservada. Claro que Rinko ajuda bastante, porque japonesas sempre são adoráveis! Sim, você vai ficar apaixonado por ela!

Outros dois personagens merecem destaque. O primeiro é Charlie Day com seu cientista nerd tresloucado que parece uma referência safada ao J.J. Abrams — que como nós sabemos já produziu um filme de monstro gigante chamado Cloverfield… Charlie Day é muito parecido com J.J. Abrams, impressionante! O segundo é Ron Perlman, amigo de longa data de del Toro e figurinha fácil nos filmes do diretor. Perlman aparece apenas pra ser sensacional, mas também pra mostrar que esse é um filme do Guilhermo del Toro — você vê o estilo dele de fazer cinema no filme inteiro!

Ainda que as influências de Evangelion pareçam mais evidentes, já que Evangelion é o anime de robôs gigantes mais popular das últimas décadas, del Toro criou um universo próprio, que aproveita referências dos gêneros mecha e kaiju como um todo, quase como quem presta uma grande homenagem. Os próprios Jaegers têm características próprias, divididos em versões que vão do Mark 1 ao Mark 5, cada um com suas próprias inspirações. Os Jaegers Mark 1 são mais antigos e lembram os robôs gigantes mais clássicos, quadradões e desengonçados, como Gigante Guerreiro Daileon (Jaspion), ou o primeiro Gundam (Gundam 0079). O robô Cherno Alpha, por exemplo, é um Jaeger Mark 1 e ele lembra muito o Robô Gigante, da antiga série japonesa que tinha um robô com aparência inspirada na esfinge egípcia. Já o robô Striker Eureka é um Mark 5 e possui formas mais arredondadas e movimentos mais fluidos, partindo da premissa básica da tecnologia que evolui, se torna menor e mais eficiente.

As várias lutas entre Jaegers e Kaiju são a grande razão de ser do filme, e del Toro dá aos fãs exatamente o que eles querem ver: PORRADARIA EM ESCALAS COLOSSAIS!!! Pontes são explodidas e cidades são destruídas! O robô usa um navio cargueiro de taco de beisebol pra surrar um monstro! Porra, um navio cargueiro!!! É sensacional! Os Jaegers são imensos e os Kaiju também, e cada luta entre eles rende proporções épicas de destruição massiva… Quem achou que Metrópolis ficou destruída em Superman – O Homem de Aço, ainda não viu nada!

Antigamente, embates de robôs gigantes e monstros abalavam edifícios de maquete, agora explodem edifícios de CGI. Mas as lutas não são apenas orgias porradeiras de som e fúria, são pensadas em cima de conceitos elaborados de efeitos visuais que concedem aos robôs seu próprio conjunto de armas e habilidades. Os Kaiju são visivelmente inspirados no Godzilla, e por isso, também são associados aos dinossauros, mas cada monstro recebe um nome e possui uma aparência própria, também com um conjunto de poderes particulares. Os Kaiju também são divididos por níveis, que vão da Categoria 1 à Categoria 5, e os monstros mais poderosos têm as habilidades mais fodonas, do tipo nada é tão ruim que não possa piorar!

Pacific Rim: Círculo de Fogo sente-se muito como Star Wars na época em que estreou, um filme de ação e ficção científica produzido com alta tecnologia e conceitos básicos de filme blockbuster. Se o filme tem falhas, eu não me lembro delas, como não me lembraria dos problemas de Star Wars, porque no todo, Círculo de Fogo sabe exatamente o tipo de filme que deseja ser.

Mais do que isso, em tempos de constante reciclagem cinematográfica, Círculo de Fogo tem a ousadia de ser um filme original — baseado em referências e homenagens, mas original. Nada de adaptação ou remake ou reboot, apenas pura imaginação e espetáculo visual. Guilhermo del Toro fez um filme de fã pra fã, e mostrou toda a sua paixão pela mitologia dos mechas e monstros japoneses.

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