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Wolverine: Imortal

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Wolverine: Imortal

Hugh Jackman é um cara simpático, capaz de abraçar a ternura de um pai tentando reconquistar um filho com a mesma vitalidade que canta um drama sobre escravidão e redenção. É um cara que consegue aparecer sem camisa, transbordar testosterona e virilidade, e mesmo assim, despertar empatia e emoção por seus personagens.

Jackman é certamente a grande razão de ser do Wolverine nos cinemas, e a razão pela qual a Fox continua apostando nele sem medo, mesmo depois do fracasso de X-Men Origens: Wolverine e do mediano X-Men: O Confronto Final. O personagem continua a ser o centro do Universo X-Men do cinema, tanto em termos de marketing quanto em termos narrativos, e finalmente ganhou um filme-solo a sua altura.

Dirigido por James Mangold, o filme é baseado na famosa saga dos quadrinhos Eu, Wolverine, produzida por Chris Claremont (roteiro) e Frank Miller (desenhos), publicada em 1982. A minissérie em quatro edições transformou Logan de um homem sanguinolento e bestial em um ronin, um samurai sem mestre, mas ainda digno de nobreza. Claremont e Miller apresentavam Wolverine como um guerreiro implacável, que não hesitava em usar suas garras para matar, e que lutava pelo amor de uma mulher. A minissérie ajudou a amadurecer o personagem e o próprio gênero de super-heróis nos quadrinhos.

Wolverine: Imortal (The Wolverine, EUA, 2013) luta para manter essa temática, mas minimiza a violência. E de fato, apenas a temática e alguns personagens da HQ são aproveitados, já que muita coisa é adaptada para o Universo X-Men dos cinemas e para uma nova visão do personagem.

O filme ignora X-Men Origens: Wolverine, e se passa alguns anos depois de X-Men: O Confronto Final. Logan vive isolado nas montanhas do Canadá, distante de tudo e todos, ressentido por ter matado Jean Grey (Famke Janssen), seu grande amor.

Nesse novo arco da história do mutante, Wolverine (Hugh Jackman) é convocado para ir ao Japão por Yukio (Rila Fukushima), uma ninja que serve ao Senhor do Clã Yashida (Hal Yamanouchi), um homem idoso, que está morrendo, que uma vez teve sua vida salva por Logan e, por isso, deseja retribuir o favor. Yashida oferece a Logan aquilo que ele nunca pôde ter, mas busca desesperadamente: a morte. O magnata japonês deseja os poderes de cura do mutante e conta sobre uma forma de transferi-los, de modo que Logan teria a mortalidade que tanto sonhou e poderia, enfim, viver como um humano normal.

Logan declina educadamente, mas acaba envolvido em problemas do clã quando conhece Mariko Yashida (Tao Okamoto) e seu inescrupuloso pai, Shingen (Hiroyuki Sanada). Longe de sua realidade habitual, ele precisa lidar com um lugar de costumes muito diferentes e ainda enfrentar um inimigo mortal numa batalha de vida-ou-morte que vai mudá-lo para sempre.

Pela primeira vez depois de muito tempo, Wolverine se vê desprovido de sua imortalidade e vulnerável, física e emocionalmente, e ainda precisa sobreviver ao veneno da terrível Víbora (Svetlana Khodchenkova), aos bandidos da Yakuza, aos ninjas do misterioso Harada (Will Yun Lee), ao aço de um terrível Samurai de Prata e a uma batalha interna contra seus demônios e sua própria imortalidade.

Wolverine: Imortal é surpreendentemente diferente do formato convencional de filmes baseados em histórias em quadrinhos, e sequer se apresenta verdadeiramente como um filme de super-heróis, exceto por alguns momentos mais exagerados (como a divertida cena do trem-bala) e pelo terceiro ato, quando os aspectos o filme assume um aspecto mais X-Men de ser. Mas no geral, Wolverine: Imortal mostra-se influenciado por filmes como Chinatown, pela forma como oscila entre o Japão opulento e tradicionalista e o Japão periférico e decadente, e a Trilogia Samurai de Hiroshi Inagaki, especialmente por desenvolver o caráter de Logan como herói introspectivo que precisa enfrentar seu maior adversário, alguém que surge para ser sua contraparte não apenas como soldado, mas também como homem imortal.

Nesse ponto, o filme se preocupa mais com elementos emocionais, trabalhados com inspiração por Mangold, e com um arco de personagem mais convincente para o mutante, sustentado com o carisma habitual por Jackman. Aliás, há uma razão para Hugh Jackman ser a grande razão de ser do Wolverine. O ator faz muito, mesmo quando não diz uma palavra; seus momentos de reflexão e suas expressões carrancudas revelam muitos detalhes sobre seus dilemas sem necessidade de diálogos. Wolverine é contemplativo como um samurai. Ainda é o mesmo personagem dos filmes anteriores, mas com aspectos emocionais diferentes, ombros mais pesados pela culpa de seus atos e mente torturada pelas experiências do passado.

O elenco de apoio forte impulsiona Logan em sua jornada, especialmente Tao Okamoto, adorável como Mariko Yashida e como interesse romântico do personagem. Graças a ela, acompanhamos a mudança de Logan, que começa como um ronin sem propósito, mas que encontra em Mariko uma razão para viver e para lutar, recuperando aos poucos sua dignidade, suas habilidades mutantes e seu potencial para ser um herói — e isso é comovente. No lado heroico, o grande destaque é para Rila Fukushima, com uma Yukio divertida e fodona o bastante para se intitular “guarda-costas” do Wolverine!

Apesar da introspecção, Wolverine: Imortal tem seus momentos de porradaria despretensiosa — já disse que a cena do trem-bala é divertida, não disse?! Pois é, totalmente non-sense, mas extremamente divertida! Não há muitas exibições de super-poderes e explosões, mas as cenas de ação são bem desenvolvidas e coreografadas, especialmente as que envolvem a Yukio. Mas poucas coisas são tão sensacionais do que ver Wolverine enfrentando uma katana com suas garras numa impressionante batalha samurai contra Shingen!

O Samurai de Prata surge em versão robô gigante — sim, é quase um Gundam! Infelizmente, é um elemento um pouco frustrante do filme, parte de um terceiro ato confuso e não tão bem aproveitado como deveria. O Samurai de Prata, que é um dos inimigos mais icônicos do Wolverine, acaba reduzido a uma mera máquina de combate pensada unicamente para um confronto final impactante.

Ainda assim, as falhas desse filme são menos graves do que seus antecessores, e os méritos são realmente louváveis. Depois do sucesso de X-Men: Primeira Classe, parece que a Fox aprendeu alguma coisa. Wolverine: Imortal se beneficia desse aprendizado e se mostra uma melhoria considerável no Universo X-Men nos cinemas, especialmente depois da queda provocada por X-Men: O Confronto Final e X-Men Origens: Wolverine.

Mais do que isso, é um retorno aos eixos e o início de uma caminhada rumo ao futuro apocalíptico de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido. Tudo tem sua razão de ser aqui. Wolverine: Imortal é a reconstrução de um herói para um desafio ainda maior, mas também é a certeza de que mesmo entre as grandes tormentas existe a calmaria, quando até mesmo um soldado imortal encontra a paz de que tanto precisa.

PS: No meio dos créditos do filme, existe uma cena adicional para, como eu disse, estabelece o INÍCIO da caminhada rumo ao futuro apocalíptico de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido. Um início épico, sem dúvida.

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